Papo reto, por Eny Moreira

Passou da hora de romper com esse silencio covarde. Passou também a hora de termos consciência de que pretos e pobres, mesmo presos, são cidadãos brasileiros e, que temos, todos, os mesmos direitos.

Fato Amazônico

Papo reto

por Eny Moreira

No linguajar da moçada, papo reto significa ir direto ao ponto; então, vamos lá…

Explodiu, outra vez, no Pará, a matança de presos depositados pelo Estado no presídio de Altamira. A providencia tomada por Moro, ministro da justiça e segurança pública, foi enviar para lá a força nacional.

Dois dias depois do massacre, a chamada “liderança da rebelião”, foi transferida, em um caminhão hermeticamente lacrado. para destino mantido em sigilo. Todos os presos ali colocados foram naquele veículo algemados e acorrentados pelos pés.

Partiram para destino mantido em sigilo. Já na manhã seguinte, as autoridades informaram à imprensa, que quatro daqueles presos estavam “mortos por asfixia”.

A partir dai, um silêncio sepulcral fez-se ouvir no país. Não houve notícia sobre o sentimento de indignação a invadir as autoridades, e nenhuma parcela da sociedade civil…

Recuso-me a admitir que se generalizou a ideia de que “bandido bom é bandido morto.”

Muito embora o tempo seja de violência crescente, não se pode fechar olhos, ouvidos e bocas,  à realidade cruel e ancestral a vitimar os pobres e pretos no Brasil – maioria da nossa população carcerária.

Pobres e pretos em nosso país, sempre foram submetidos a tortura, pendurados em ‘pau de arara’, não lhes socorreu o habeas corpus. Parcela considerável nem sequer teve direito a advogado.

É triste, mas é preciso dizer que só houve  grita no país, quando os filhos da classe média foram submetidos a esse mesmo tratamento indigno durante a ditadura militar de 1964.

Passou da hora de romper com esse silencio covarde. Passou também a hora de termos consciência de que pretos e pobres, mesmo presos, são cidadãos brasileiros e, que temos, todos, os mesmos direitos.

Passou também da hora de responsabilizar o ministro Moro por mais esse crime.

 

 

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