Para entender a oligarquia partidária norte americana, por Jota A. Botelho

Alguns anos atrás, ainda na juventude, ouvi de um amigo que os Estados Unidos ainda iria experimentar o fascismo, uma vez que fascismo foi derrotado, mas não destruído.

Cenas do filme: Loretta Young

Para entender a oligarquia partidária norte americana

por Jota A. Botelho

Tempos de pandemia, teletrabalho, computador acima de tudo, busca de uma nova forma de encarar o mundo, a vida e as pessoas próximas e distantes com sede de fraternidade e liberdade. Tudo isso somado às eleições americanas neste triste espetáculo da decadência da maior democracia liberal burguesa no império mais fajuto já concebido na história da humanidade, nos provoca e instiga de como pode esse país querer dominar o planeta inteiro com essas demonstrações de falsidades, hipocrisias, manipulações, fraudes e falta de escrúpulos, dentro de enorme e claríssima mediocridade política. Como pode esse poder pusilânime querer exercer qualquer influência no mundo mantido este sistema político degradante e corrupto.

Alguns anos atrás, ainda na juventude, ouvi de um amigo que os Estados Unidos ainda iria experimentar o fascismo, uma vez que fascismo foi derrotado, mas não destruído. Quando isso viesse acontecer – dizia ele – seria a mesma ditadura do Grande Capital, mas principalmente da super concentração do capital financeiro e militar acumulado dentro da única e última grande potência mundial. No passado – continuava ele – o fascismo foi utilizado para conter não somente as lutas sociais dos comunistas e socialistas, mas sobretudo consequências da destruição da primeira guerra mundial e da grande crise econômica de 1929.

Eles até tentaram impor o fascismo na Inglaterra que foi barrado pela classe trabalhadora nas ruas de Londres, a famosa batalha de Cable Street (aqui), e pela visão tradicional da elite inglesa que mantinha sua crença na sua forma de governo parlamentarista e que ainda podia controlar seu sistema de dominação à medida que a crise econômica ia se arrefecendo. Eles tinham liberais e conservadores com fortes lideranças, a exemplo de um Churchill e não um palhaço como um Mosley, uma imitação ridícula de um Mussolini e um Hitler, com a sua União Britânica Fascista, embora ele fora utilizado e financiado pela classe dominante inglesa como forma de contenção das pressões dos trabalhadores enquanto perdurava a crise. Na falta de uma alternativa, se a crise não retrocedesse, essa extrema direita, com as suas promessas demagógicas, poderia se tornar uma solução.

No caso dos EUA, eles também tentaram derrubar o primeiro governo Roosevelt de 1933 a 1936, eleito em fins de 1932, para instituir um governo fascista que seria comandado pelo General da reserva Smedley Butler, o chamado Complô dos Empresários (Business Plot), financiado pela banca de Wall Street e as grandes corporações, isto é, sempre ele, o Grande Capital. Saiba mais assistindo o documentário legendado no YouTube (aqui).

Mas toda essa introdução foi usada para fazer alguns comentários sobre um filme que encontrei ao acaso “fuçando” o YouTube e que não havia assistido em toda a minha “carreira” de cinéfilo. Prisão caseira dá nisso. Haja pandemia.

Trata-se do filme Ambiciosa ou A Filha do Fazendeiro, que seria a tradução mais correta, (The Farmer’s Daughter, 1947). À primeira vista, sem maiores pretensões e visto superficialmente, é uma típica comédia romântica hollywoodiana com final feliz. Manjadíssimo, não é mesmo? Os maniqueísmos de sempre: o bem sempre vence o mal, as mensagens de otimismo sobre a democracia norte americana, o direito de voto e sua importância em votar em candidatos comprometidos com as necessidades do povo.

Cenas do filme: Joseph Cotten e Loretta Young

O mundo liberal burguês se faz presente em todo desenrolar da trama política que serve como pano de fundo do romance que vai crescendo entre o casal que se apaixona durante o filme. “Beijinhos mamãe me dá, eu vou é pra zona”, diria um amigo risonho e engraçado da adolescência. Embora Loretta Young não se dispensa, e com filme levou o Oscar, enquanto Joseph Cotten era um bom ator e da turma de Orson Welles. Aliás, o elenco todo está bem afinado.

Cenas do filme: O espírito de rebanho

Mas o que me chamou atenção foi o além filme, talvez movido pelo clima eleitoral que se passa nos EUA neste momento, mas que é o que ele esconde para quem não presta muita atenção. O lado oligárquico que comanda os partidos políticos, os seus bastidores, a presença da mídia e suas manipulações, o espírito de rebanho dos eleitores. Os políticos inescrupulosos e vigaristas, e de como eles são escolhidos como candidatos. Um deles, supremacista, anti-imigração, defensor da religião cristã, ligado a uma Organização (Mafiosa? Ku Klux Kan?). Está tudo lá para quem quiser ver, no ano de 1947, em plena recuperação e expansão do capitalismo americano do pós-guerra, o triunfo dos anos dourados da era keynesiana.

Cartaz do filme: Ambiciosa/A Filha do Fazendeiro (1947)

Não vou dar o spoiler do filme que ninguém gosta. Melhor: veja-o legendado na incorporação do Canal Cine Antiqua – filmes clássicos (se for permitida) ou (aqui).

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