Para voltar a crescer, por Jorge Arbache

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Para voltar a crescer, por Jorge Arbache

O Brasil parou de crescer e não é de agora. Na verdade, paramos de crescer faz tempo. Para se chegar a esta conclusão, é preciso ir além da taxa de crescimento do PIB e olhar para a taxa comparada de crescimento do PIB per capita. Por esta métrica, há muito que crescemos bem menos que vários países emergentes e mesmo que algumas economias maduras.

Após período de crescimento relativamente vibrante entre 2004 e 2008, a economia começou a ensaiar desaceleração a partir de então em razão da crise financeira internacional. Mas a desaceleração não ganhou fôlego devido às prontas políticas anticíclicas. No entanto, a partir de 2011, a economia entrou em nova trajetória de desaceleração acompanhada de sinais de deterioração de indicadores fundamentais, como balança de pagamentos e inflação, o que revelaria a fragilidade do então regime de crescimento.

Em 2014, adentramos numa nova etapa da desaceleração, esta, muito mais contundente. A queda acumulada do PIB per capita naquele ano e em 2015 é de algo em torno dos 4,5% a 5%. Com a possível queda de 2,5% do PIB em 2016 e do provavelmente baixo crescimento em 2017, poderemos experimentar queda acumulada da renda per capita de 7,5% a 9% entre 2014 e 2017, algo impensável até mesmo pelos mais pessimistas.

Nossas estimativas indicam que recuperaremos o PIB per capita de 2013 somente por volta de 2022, o que nos distanciará ainda mais de economias como China e Índia e adiará o sonho brasileiro de se livrar da armadilha da renda média. Esse quadro indica que a economia não estaria em recessão, mas em depressão.

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A situação é grave e, portanto, sugere que temos que buscar, com urgência e ousadia, meios para voltar a crescer. Afinal, depressões costumam não ser neutras do ponto de vista de estabilidade democrática e institucional e podem deixar sequelas sociais profundas.

Mas, como crescer? Que modelo? E como financiá­lo? As perguntas são muitas, mas as respostas são poucas. São muitos os nossos constrangimentos para crescer, incluindo o fiscal, o demográfico, o da poupança e o do crédito externo. E, se não bastasse tanto vento contra, ainda somos carentes de lideranças e de projetos políticos.

Em vista disso, é pouco provável que o modelo de crescimento que perdurou por décadas por aqui, baseado na colocação de mais gente no mercado de trabalho e no financiamento dos investimentos majoritariamente com recursos públicos e externos, possa seguir funcionando.

Afinal, temos opções para voltar a crescer? Quais são elas?

Sim, temos opções, mas, infelizmente, elas também são escassas. Dentre elas, a mais promissora para as circunstâncias e condições econômicas e políticas atuais talvez seja a de reduzir a ineficiência e aumentar a produtividade. Se, por um lado, a baixíssima produtividade ajudou a nos trazer até aqui, o seu aumento poderá nos ajudar a sair do atoleiro em que estamos metidos.

Exatamente porque é muito baixa, a produtividade oferece substanciais oportunidades de ganhos relativamente rápidos que poderiam dar início a um processo de estabilização e de eventual retorno virtuoso ao crescimento.

Jorge Arbache é economista. Tem experiência nas áreas governamental, setor privado, organizações internacionais e academia. Tem se dedicado às agendas de crescimento econômico e de políticas setoriais, incluindo competitividade, produtividade, inovação, tecnologia, educação, comércio internacional, investimentos e competição. É professor de economia da Universidade de Brasília. Foi assessor econômico da Presidência do BNDES entre 2010 e 2014. Antes de se juntar ao BNDES, era economista sênior do Banco Mundial em Washington, DC, onde, dentre outras funções, dirigiu várias edições do relatório anual do Banco Mundial para a África.

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6 comentários

  1. Se fazemos sempre a mesma coisa…

    Se fazemos sempre a mesma coisa, por que o espanto de ver que obtemos sempre o mesmo resultado?

    Não há nenhum mistério em entender o que aconteceu. A Nova Matriz Econômica ressuscitou o modelo nacional-estatista esgotado desde os anos 80, e caímos de volta na velha combinação de inflação alta com crescimento baixo que tínhamos naquela década. De lá para cá, houve dois estelionatos eleitorais: o primeiro em 2010, com generalizada gastança para provocar um crescimento de 7% em plena recessão mundial, e o segundo em 2014, baseado sobretudo em propaganda mentirosa. Agora a ilusão acabou.

    Não temos que mudar apenas o modelo econômic, temos que mudar também a mentalidade. Abandonar o idealismo furreca dos anos 60 e fazer o mesmo que os outros países emergentes estão fazendo e dá certo. Globalismo ao invés de nacionalismo de fancaria. Poupança ao invés de endividamento. Produtividade ao invés protecionismo. Qualidade ao invés de quantidade. Investimento no ensino básico antes de investir no ensino superior. Meritocracia e formação de elites de profissionais altamente gabaritados. Só assim sairemos do buraco.

  2. Diagnóstico

    O que está faltando são soluções. Diagnóstico tem de sobra. O governo do PT perdeu todas as oportunidades que lhe foram dadas, entre as quais: apoio popular, maioria nas casas legislativas, balança comercial favorável, preço elevado das “Commodites” recursos orçamentários e arrecadação tributária, boa relação com as centrais sindicais, é muito mais. Nenhuma reforma estrutural importante foi realizada. Continuamos pagando por erros do passado (atribuições constitucionais absurdas), por descontextualização da legislação tributária, previdenciária, e trabalhista, e pelos erros da gestão Lula/Dilma.

  3. Na verdade é facil fazer um

    Na verdade é facil fazer um país como o Brasil crescer economicamente e socialmente.

    A questão que implica em perder eleições e o poder.

    O estado não deve gastar mais que arrecada, não pode deixar dividas para gerações futuras pagarem.

    Isso implica em reforma politica, reforma federativa, reforma administrativa, reforma tributária, reforma previdenciária, reforma agrária (isso mesmo), 

  4. Nação prospera

    Nossas estimativas indicam que recuperaremos o PIB per capita de 2013 somente por volta de 2022, o que nos distanciará ainda mais de economias como China e Índia e adiará o sonho brasileiro de se livrar da armadilha da renda média. Esse quadro indica que a economia não estaria em recessão, mas em depressão.

    Marcas da moda levam parte da sua produção para região castigada pela seca, onde há funcionários que recebem abaixo do salário mínimo e trabalham longas jornadas.

    Com a chegada em massa das oficinas, surgiram também episódios de graves violações trabalhistas como jornadas excessivas, trabalho sem carteira assinada e pagamentos abaixo do salário mínimo.

    Do mesmo modo como terceirizam sua produção para imigrantes nos grandes centros, o novo boom de oficinas se expande na região de onde costumavam sair os migrantes brasileiros. Muda a localização e o sotaque, mas as roupas continuam sendo costuradas por uma população vulnerável, mais propícia a aceitar condições precárias de trabalho – contando, para isso, com o apoio de políticas estaduais.

    Flávio Rocha, CEO da Riachuelo, diz que o programa tem um potencial revolucionário ao gerar empregos onde antes não existia nenhuma atividade produtiva. Ele afirma, no entanto, que a insegurança jurídica prejudica a expansão do “Pró Sertão” – alvo, segundo ele, de fiscalizações intimidatórias do Ministério Público do Trabalho (MPT). “O céu era o limite. Eu tinha condições de criar 100 mil empregos (na região)”. Para Rocha, a melhora das condições de vida dos trabalhadores não é alcançada através da criação de normas trabalhistas, e sim pela demanda e competição por mão de obra.

    O caso das empregadas domesticas se tornou exemplar neste assunto. Enquanto algumas poucas, ganharam tudo, ou aparentemente ganharam, porque tem que pagar pelos pretensos direitos, a maioria não ganhou nada, muito pelo contrario, perderam o pouco que tinham. Dizimaram com as oportunidades de algum ganho, mesmo que precário de outras milhares de empregadas. E as agruras sem limites que as atuais patroas tem passado com a burocracia para legalizar a situação de suas empregadas?

    A volta ao crescimento só poderá ser obtida pela ampliação da produtividade de trabalho.

    A burocracia administrativa do estado é assustadoramente perniciosa para qualquer projeto de crescimento e entra governo sai governo e as promessas de mexer nesta área, fica só nas promessas mesmo. E nada muda.

    Um pequeno (mas significativo) exemplo de como as agências do governo batem suas cabeças duras, é a narrativa cheia de peripécias feita pela excelente jornalista Lu Aiko Otta (“O Estado de S. Paulo”, 22/6, pág. B12), do esperado asfaltamento de cerca de três quilômetros de acostamento no chamado Morro dos Cavalos, nas vizinhanças de Florianópolis e de um território dos indios guaranis. Depois de quatro décadas foi parar, a pedido do Ministério da Justiça, na Casa Civil da Presidência da República.

     O “imbróglio” começou quando – ainda nos anos 70 – o Dnit pensou que tivesse conseguido as licenças necessárias para fazer a obra. Ledo engano. Ela foi embargada pelo Ministério Público Estadual! Envolveram-se, depois a Funai, o Ibama, a Advocacia-Geral da União e “tutti quanti”. Hoje, depois de 40 anos, há uma esperança que o acostamento será feito nos próximos cinco anos pelo próprio Dnit!

    A crise do Estado brasileiro só será debelada quando a sociedade se convencer de que são necessárias mudanças institucionais

    Quase duas décadas de gestões modernizantes e não autoritárias da economia ainda não conseguiram recolocar definitivamente o Brasil numa trajetória sustentável de desenvolvimento. De onde vem essa herança maldita? Ainda estão em ação os vícios em meio aos quais foi formada a nação brasileira.

    Depois da redemocratização política, da estabilização da economia, da abertura parcial dos mercados, da inserção (ainda tímida) do país na economia global, será preciso agora, discutir o Estado no Brasil. E como romper as maldições do passado.

    Não existe Nação rica se o povo é pobre. Enquanto o sistema for baseado em politicas de exclusão, não existe esperança para o Brasil.

    E não adianta politicas populistas que somente dão ao pobre um verniz de prosperidade. É necessário antes de tudo dar condições da economia se fortalecer e crescer, é muito mais eficaz dar condições do pobre crescer socialmente do que mantê-lo na miséria sustentado por programas ineficazes.

    Fortalecer toda a base do setor produtivo, a macroeconomia já se vira muito bem, de um jeito ou de outro conseguem se proteger, dos políticos e dos discursos demagógicos, que os deixam bem na foto em detrimento do conjunto da Nação.

    Aos otimistas diz-se que nada é impossível. Aos pessimistas é bom lembrar que apesar dos resultados de mudanças reais e efetivas neste cenário só seriam possíveis depois de décadas focadas na educação e no surgimento de uma nova geração, porem, que sendo brasileiros não se desiste, jamais.

    Pra frente Brasil!

  5. Bicicletas elétricas

    Quando o Brasil tiver uma fábrica de bicicletas elétricas, legalmente funcionando, competitiva mundialmente, então teremos dado o primeiro passo para voltarmos a crescer.

    Moleza, cria a fábrica é muda tudo que impede ela de ser competitiva mundialmente, Leis, Legislações, sistemas de financiamento, apoio tecnólogico de empresas e universidades, etc…

    Feito isto, transfere-se todas estas mudanças para TODAS as indústrias nacionais, se elas não se tornarem competitivas não chamo mais Alexandre.

  6. é interessanre comparar com

    é interessanre comparar com os tempos do

    milagre economico da época da ditadura.

    com o delfin neto, então ministro da economia,

    aquele  que dizia que primeiro era preciso deixar

     o bolo crescer  para depois distribui-lo…

    uma vrilhanrte frase que obscureceu todo o peíodo,

     

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