Pau que bate em Chico bate em Francisco, por Mariana Nassif

Tá tudo certo, Francisco. Até porque, fato sabido e consumado, é preciso respeito e cuidado para passearmos entre as fronteiras do aqui e acolá

Pau que bate em Chico bate em Francisco, por Mariana Nassif

O ano começa com o Papa dando tapinhas na mão de uma chinesa que quase lhe desloca o ombro num puxão de braço. Um tanto de gente questiona, critica, futrica.

Sabe o quê? A gente perdeu a noção do limite. Especialmente na interação.

Redes sociais carregadas de desabafos íntimos, informação privada que se espalha, editada, siempre, e em menos de um segundo já estamos pensando na foto e na legenda sem degustarmos o presente. Sem presença. Mandamos nudes e nos vestimos de timidez no encontro ao vivo. Vai entender…

Até a forma de lidar com nossos conteúdos psíquicos perdeu borda: pra que fazer terapia se podemos nos livrar de traumas sem muita conversa, com apenas alguns tapinhas da ponta dos dedos na testa? Tem também o time das pessoas “em processo”, o que passa a justificar explosões infantis, imaturas e mimadas sob o amparo de estar evoluindo, estar aprendendo, estar lidando, estar num eterno gerúndio de desenvolvimento que não finda e sequer caminha, enquanto os adultos esperam o fim do dia, aquele momento onde a infanta dorme e dá sossego até acordar e espernear de novo e de novo e de novo. Haja Hopponopono – e limites, vez ou outra expressos com uma palmadinha nas mãos, num ato quase impressionado com a impressionante falta de bom senso de uns e outros.

Tá tudo certo, Francisco. Até porque, fato sabido e consumado, é preciso respeito e cuidado para passearmos entre as fronteiras do aqui e acolá, vale perder a compostura dando um toque ou outro em quem insiste em circular extrapolando campos e barrancos. Tá tudo certo!

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