Petra Costa não ganhou, mas o seu pensamento progressista venceu o Oscar, por Albertino Ribeiro

Existe um pouco de Petra no documentário que mostra a relação de trabalho entre a empresa chinesa e os trabalhadores.

Petra Costa não ganhou, mas o seu pensamento progressista venceu o Oscar

por Albertino Ribeiro

O filme Democracia em Vertigem, da cineasta brasileira Petra Costa, não venceu o Oscar, mas o pensamento progressista da brasileira foi o grande vitorioso da noite.

O documentário brasileiro perdeu para o americano American Factoring, filme da produtora de Barak e Mecheli Obama, que mostra um capitalismo predador praticado pela empresa chinesa Fuyal Glass, uma indústria que produz vidro para carros.

Existe um pouco de Petra no documentário que mostra a relação de trabalho entre a empresa chinesa e os trabalhadores.

O filme é uma caricatura daquilo que Paulo Guedes e Bolsonaro desejam para a realidade brasileira no tocante as relações trabalhistas, ou seja, uma relação de subserviência em um ambiente de trabalho precário onde as normas de segurança não são bem vindas e o assédio moral é lugar comum.

Por sua vez, o grande vencedor da noite, os parasitas, do diretor Bon Joo-ho, mostra, de forma bem humorada, o estrago que o capitalismo selvagem esta fazendo nas famílias sul coreanas.

O que é cômico na arte da telinha torna-se  triste na vida real. Um drama que os coreanos começaram a viver a partir da segunda metade da década de 90. Por insistência dos EUA e do banco mundial, o país cedeu ao “canto neoclássico da sereia”, abrindo os mercados indiscriminadamente, o que trouxe desemprego e miséria por conta da quebra de empresas, privatizações e financeirização da economia.

Hoje, com o desemprego crescente, redução da renda e da qualidade de vida, o tigre asiático sente saudades de uma economia que prezava pelo equilíbrio entre duas forças opostas (mercado e estado) o que, por feliz coincidência, fazia uma alusão aos opostos complementares de sua filosofia oriental: yin e yang.

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A boa notícia é que a vitória creditada às películas acima citadas pode ser um sinal emblemático de que chegamos a um ponto de inflexão na curva da insensibilidade que permeia o pensamento de extrema direita.

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