Pra não dizer que não falei de maquiagem, por Cristiane Alves

Pra não dizer que não falei de maquiagem

por Cristiane Alves

Já que o momento está belicoso vou discorrer sobre maquiagem.

Assunto de interesse masculino e feminino. A maquiagem transforma, ressalta e modifica qualquer imagem. Tanto que a indústria cosmética tem investido cada vez mais em produtos para todo tipo de pele, de textura à tons.

Olhando os vídeos de tutoriais de maquiagem no YouTube vemos verdadeiros milagres de transformação de beleza. É inspirador!

O Brasil tem assumido suas vaidades de modo espetacular, exemplo disso são nossos políticos. O marketing pessoal exige cuidado ilibado com o vestuário, o peso ideal, o corte de cabelo e, lógico, a maquiagem. Salta aos olhos.

O impeachment de Dilma foi um verdadeiro show de makeup. Transformação detalhada de golpe em medida jurídica fundamentada na Constituição e na vontade popular. Persecução adornada de tal qualidade que muitos, até hoje, nem se deram conta da intervenção cosmética.

Mas profissionais da beleza, de verdade, compõem o judiciário. Conseguiram embelezar a mais aterrorizante perseguição política num belo pleito, com embalagem e estrutura jurídica, mas vazio de justiça.

A população leiga das técnicas requintadas de embelezamento fica extasiada com tamanha formosura. Acredita no que vê, nem desconfia.

Embaixo de tanto primer, corretivo, base em no mínimo dois tons, indispensável iluminação e contorno, sombras, cílios postiços, delineador e rímel, bem ali, os piores traços.

A sociedade tradicional e endinheirada, a elite, também é fera no make. Assume um semblante lindo e adornado, mas de cara lavada aceita exploração sexual de grife, assassinato de grife, assalto de grife, roubo amigo de grife, terrorismo de grife. Gente cheirosa, bem vestida de mente improfícua. Com suas cabeleiras armadas no laquê de melhor safra, em cabeças cujo conteúdo Einstein fundamentou a definição de vácuo.

Sorridentes, com dentes todos, alvos e brilhantes, em bocas cheias de ofensas e ódio. Ódio Chanel, Versace, Prada. Ódio com pedigree não aceita se misturar com o ódio do povo. O do povo fede, é feio, mal ajambrado.

Alguns pobres adornados e perfumados com cosméticos adquiridos em catálogo popular se permitem imitar o semblante da elite. O cheiro até lembra, de longe, mas a fixação é péssima, não engana. Pobre em grife pirateada só engana a si próprio. É pobre e causa nojo e pilheria naqueles que imita de forma caricata.

O make transforma persecução em justiça, mentira em verdade, ódio em patriotismo, privilégios em direito, partidarismo em isenção. Com make o prostíbulo é casa noturna, prostituta passa a ser acompanhante ou modelo, cafetão é empresário, ator pornô é modelo de austeridade, protesto é terrorismo e terrorismo é produto agrícola.

Que lindo.

Graças a Deus, hoje não falei de política!

 

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