Prêmios Nobel de Economia no caminho da nova crise global, por Andre Motta Araujo

Agora, em 2019, escolhe nomes voltados ao estudo dos excessos da concentração de renda e riqueza e os perigos do aumento da pobreza global

Prêmios Nobel de Economia no caminho da nova crise global

por Andre Motta Araujo

Os Prêmios Nobel de Economia não são um legado do instituidor original Alfred Nobel. Foram criados pelo Banco Central da Suécia em “homenagem a Alfred Nobel”, quer dizer, usou-se um puxadinho para criar um prêmio que não tem relação com os Nobel originais de Paz, Medicina, Literatura, Química e Física.

A família Nobel protestou sobre essa criação que não faz parte do legado original, inclusive foi à Justiça contra essa apropriação do nome Nobel.

Mas, de qualquer forma, os Prêmios Nobel de Economia ganharam repercussão mundial e este ano de 2019 as escolhas corrigiram um padrão pró-mercado que chegou a um apogeu quando foram premiados economistas irrelevantes que tinham descoberto fórmulas de cálculos de derivativos, ferramenta que só tem utilidade para especuladores de bolsa (Nobel de 2010).

No início foram premiados grandes nomes de uma geração brilhante como Simon Kuznets (1971), Wassily Leontief (1973), Gunnar Myrdal (1974), depois foram premiados muitos economistas com trabalhos de mercado, seis de Chicago, o último em 2013.

No campo dos economistas com uma visão mais ampla sobre o desenvolvimento e a pobreza, a Academia Sueca premiou nomes voltados a uma crítica mais universal de economia como Amyrtia Sehn (1998), Joseph Stiglitz (2001) e Paul Krugman (2008). Agora, em 2019, escolhe nomes voltados ao estudo dos excessos da concentração de renda e riqueza e os perigos do aumento da pobreza global, o indiano Abijihit Banerjre, e os americanos Esther Duflo e Michael Kremer, todos do núcleo de visão humanista do MIT e de Harvard, escolas que se contrapõem filosoficamente às conservadoras Chicago e Carnegie Mellon.

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O CICLO DE CONCENTRAÇÃO DE RENDA E AUMENTO DA POBREZA

A questão central é a  concentração de renda no ciclo que começa com a financeirização global da economia e o crescimento desproporcional do CAPITALISMO-PAPEL OU CAPITALISMO RENTISTA, em contraposição ao capitalismo criador de riquezas do fim do Século XIX até a Grande Guerra. Nesse período foram implantados pelo mundo grandes investimentos em energia, portos, abastecimento de água, bondes, linhas ferroviárias, telégrafos e telefonia, linhas de navegação, fábricas, um ciclo de grande geração de empregos, grandes migrações, ciclo que se encerra na Grande Guerra e retorna no período entre guerras para se encerrar novamente na Crise de 1929, a Grande Depressão mundial e a Segunda Guerra, retornando a um ciclo de GRANDE CRESCIMENTO mundial entre 1945 e 1980. É quando rebrota o capitalismo de papel, hoje no seu apogeu, o que levará a uma crise inevitável no próximo ciclo, que é antevisto por muitos economistas. Parece ser um princípio de percepção da Academia Sueca nas premiações Nobel deste ano.

A crise se deve a dois fatores, o crescimento rápido da pobreza mesmo nas economias ricas e o aumento exponencial e perigoso de excessos de liquidez em riqueza-papel parqueada em  ilhas de concentração, fundos de investimento com OITO TRILHÕES DE DÓLARES DE ATIVOS, como o Black Rock, nos EUA existem 19 fundos de investimento com mais de UM TRILHÃO DE DÓLARES DE ATIVOS, hoje com dificuldades de aplicação pelos riscos crescentes da economia mundial. HÁ DINHEIRO EM EXCESSO, MAS HÁ AVERSÃO A RISCO E INSTABILIDADE POLÍTICA EM GRANDE NÚMERO DE PAÍSES POR CAUSA DA POBREZA aumentando E FALTA DE CRESCIMENTO, tudo prenunciando uma nova e grande crise POLÍTICO-ECONÔMICA no próximo ciclo.

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O surgimento de correntes populistas de direita em certos países é um efeito dessa crise, uma espécie de canto do cisne de um processo esgotado na sua dinâmica, que não produziu bons resultados nem na Europa, nem nos EUA e muito menos nos países periféricos. E se a História ensina caminhos estamos na antessala de uma crise POLÍTICO-ECONÔMICA de grandes proporções que resultará numa neutralização, por via política, de parte do excesso de capital concentrado e improdutivo que está produzindo efeitos negativos até em economias ricas, como a dos EUA e Reino Unido.

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4 comentários

  1. Será que as massas despolitizadas iniciarão um quebra-quebra “universal” com força suficiente para que uma elite política humanista retire do “trono” os parasitas rentistas ?
    Aqui no Brasil eu só ouço UM político relevante – apenas um – enfrentando os parasitas rentistas. Isso é muito pouco para uma mudança na estrutura de poder. Ou não ?

  2. EEEEEEE O PRÊMIO NOBEL DE MELHOR COLUNISTA DO GGN VAI…. PARA …
    ANDRÉ MOTTAAA ARAÚJOOO !!!
    Obs:Nassifeee por favor leia este comentário ou alguém peça a ele para ler por gentileza!
    Obs2:Vou confessar q tenho um desejo ou convicção q André será o futuro da nossa economia e q Nassif será o melhor jornalista do Brasil!
    Obs3:Quem tem espaço pra comentar,comenta tudo mesmo né gente?Este sou eu aproveitando o espaço do ggeneee !!

  3. O “Premio Nobel de Economia” teve um momento desafortunado no final da década de 1990, quando dois laureados do ano de 1997 (Myron Scholes e Robert Merton) faziam parte do conselho de administração do fundo hedge Long Term Capital Management, que acabou falindo no ano de 2000. O trabalho dos referidos premiados: uma nova metodologia de determinação do valor dos derivativos.

    • Muito bem lembrado, uma premiação sem enhum senido de ciencia economica voltada para o bem publico, esse fato queimou muito a reputação do Nobel de Economia, determinar valor de derivativos
      interessa a nichos do mercado financeiro e não à Humanidade.

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