Qual será o papel de Sérgio Moro no Brasil pós Bolsonaro?, por Eduardo Ramos

Quem garante que a Lava Jato, sobrevivendo ao embate com o STF, não se fortaleça ainda mais num futuro próximo, com Moro bancado dessa vez, não por Bolsonaro, mas por Mourão e a alta cúpula das Forças armadas?

Qual será o papel de Sérgio Moro no Brasil pós Bolsonaro?

por Eduardo Ramos

(sobre o post do Nassif no GGN, “O passo final do governo Bolsonaro: as disputas com os militares”)

Sobra nesse caldo uma questão séria: o papel FUTURO de Sérgio Moro nas estruturas de poder do país. Porque, aparentemente, o ex-juiz desfruta de prestígio entre os militares.
Muitas pessoas se perguntam porque Moro tem aceitado calado algumas demonstrações de “desprestígio” por parte de Bolsonaro.

Penso que de “burro” Moro não tem nada. Foi avançando na conquista de poder PESSOAL passo a passo, testando de modo milimétrico a cada evento jurídico-político dos últimos anos, “até onde podia ir” – até descobrir que o STF já se encontrava tão acuado, tão em estado de “covardia permanente” e catatonia paralisante, que podia até soltar uma gravação da presidente da República que nada lhe aconteceria. Como ousou, de modo sereno e tranquilo, sem pestanejar, enfrentar a ordem de um desembargador de instância superior à sua, emitindo a ordem lá de Portugal: “Não soltem o Lula que eu vou dar um jeito daqui”….. – no que foi prontamente obedecido pelo delegado da Polícia Federal, que por sua vez também o fez de modo sereno, convicto que QUEM DE FATO MANDAVA estava bancando a sua ação de manter Lula preso. Os FATOS provaram que ambos estavam certos! Nada aconteceu, mesmo diante de uma quebra inaceitável de hierarquia nas próprias estruturas do Poder Judiciário.

Caindo Bolsonaro, paradoxalmente, Moro cresce. LIVRA-SE de um incômodo “moral”, de uma imensa pedra no sapato. Acredito mesmo que se “abraçarão” com entusiasmo, Moro e o grupo militar que se instalar no poder via Mourão, o vice presidente. Moro precisará desse apoio, e os militares desejarão essa ponte com a estrutura do Judiciário e a própria sociedade, que ainda não se desencantou com seu herói nos extratos mais fortes, elites sociais e classes médias.

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Quem mais tem a perder é a classe política, sobre quem Moro e os militares têm algo em comum: um quase indisfarçável NOJO! Que tipo de político sobreviverá a esse poder nas mãos de militares/Moro/Lava Jato? O político bajulador que aquiescer em bancar no Congresso TUDO o que o comando central no poder desejar.

Há no fundo, um grande paradoxo envolvendo as instituições nesse jogo pelo poder: Se o Nassif estiver certo e os militares “soltarem as amarras” do STF e da PGR contra Bolsonaro, QUEM GARANTE QUE ESSAS AMARRAS NÃO SEJAM RECOLOCADAS APÓS “O SERVIÇO FEITO?”

Quem garante que a Lava Jato, sobrevivendo ao embate com o STF, não se fortaleça ainda mais num futuro próximo, com Moro bancado dessa vez, não por Bolsonaro, mas por Mourão e a alta cúpula das Forças armadas? Podemos ter a pior das ditaduras – a extrema direita do Judiciário e da mídia aliada, somada à inquestionável força dos militares no poder. Moro poderia até se dar ao luxo de adiar o sonho de se tornar ministro do STF. Na verdade, ELE seria a própria expressão do poder maior do Judiciário no Brasil – algo que, para nossa infinita vergonha enquanto nação, ele já foi, é e agiu como, em tantas oportunidades.

Bolsonaro tem que cair? Evidente que sim!

Mas o pior dos mundos em termos de democracia, justiça, civilidade, pode advir de sua queda.

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