Quando Bolsonaro irá cair?, por Wilton Cardoso

Mas, infelizmente e para nosso desespero, não será agora nem amanhã que Bolsonaro cairá para dar lugar a um governo de emergência e coalizão nacional.

Quando Bolsonaro irá cair?, por Wilton Cardoso

Não se trata mais de “se”, mas de “quando”. Teria que ser agora, ou melhor, ontem, pois cada dia a mais de Bolsonaro e Guedes no poder serão milhares de vidas que irão se perder, não apenas por conta de sua incompetência, mas também de sua insanidade sociopata, que se estende a quase todo o seu ministério e assessoria, filhos e Guedes inclusos. Quem tem Olavo de Carvalho como conselheiro principal é, no mínimo, paranoico.

Mas, infelizmente e para nosso desespero, não será agora nem amanhã que Bolsonaro cairá para dar lugar a um governo de emergência e coalizão nacional. Nós, brasileiros, estamos em meio a uma guerra que não é só sanitária, contra o coronavírus, mas também política, entre a elite de direita e a extrema direita bolsonarista. E o raciocínio da elite (direita) é o do cálculo frio dos generais: o inimigo (a extrema direita bolsonorarista) já perdeu a guerra política em função do fator vírus, mas ainda tem muita força, muitos corações e mentes, principalmente evangélicos. Por isso só vão dar o golpe final quando Bolsonaro estiver em estado de putrefação política, ou seja, quando sua popularidade estiver no chão.

Aí assumem o poder, com Mourão ou Maia, unem o país e tocam a guerra sanitária contra o vírus. Haverá muito, mas muito mais mortos do que se a elite derrubar o Governo insano agora, mas poderão jogar a conta das mortes nas costas de Bolsonaro – que certamente terá responsabilidade por elas. Nesta guerra entre a elite de direita e extrema direita bolsonarista, o povo está sendo tratado como peões e a quantidade de mortos contará como as baixas de civis e soldados entram na contabilidade das mortes “inevitáveis” duma guerra. Infelizmente, essa é a crua realidade.

Por isso, as pesquisas de popularidade serão importantes daqui em diante. No turbilhão do coronavírus, passou despercebida para a imprensa e a população (mas não para as elites, tenham certeza) a pesquisa Ibope para prefeito de São Paulo, realizada entre 17 e 19 de março, que também avaliou a aprovação do Governo Bolsonaro. Pela primeira vez ele tem apenas 25% de ótimo e bom, rompendo o limite dos 30% a 33% do eleitorado que o sustentava desde o início do mandato. Isso numa cidade massivamente bolsonarista.

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As chamadas esquerdas estão totalmente alijadas deste embate, pois não têm conexões com as elites  e nem adesão popular: as panelas contra Bolsonaro são da classe média que o elegeram e agora temem sua insanidade e o abismo social para o qual ele e Guedes conduzem o país (classe média inclusa) mesmo porque o coronavírus não conhece preconceito nem privilégio de classe. Sem falar na provável convulsão social que a inação do Governo Federal poderá provocar, com a mistura explosiva de falta de dinheiro para a sobrevivência dos mais pobres e colapso do sistema de saúde, tornando as metrópoles brasileiras um inferno que pode fazer a Itália de hoje parecer um paraíso. É isso que as classes médias, bem informadas, estão farejando e temendo: daí as panelas.

É o caos social que as elites sabem que quase certamente vai acontecer e é isso que elas esperam para dar o golpe final e tirar Bolsonaro do poder, com amplo apoio popular. E provavelmente seu destino – e de seus filhos e corja ministerial – será bem pior que o de Collor e Dilma, pois todo o ódio que os Bolsonaros mobilizaram se voltará impiedosamente contra eles e sua necropolítica. Nem o atual Ministro da Saúde, hoje tido como competente, provavelmente escapará da ira popular contra o governo insano do “mito”.

Quando e onde se dará este provável caos, seguido da derrubada de Bolsonaro?

Levando em consideração a quantidade atual de casos de infectados e a curva de contágio do vírus, será em breve: entre duas e três semanas. Primeiro, o caos se instalará na região metropolitana de São Paulo, depois na do Rio de Janeiro e Belo Horizonte. O caos nas três principais metrópoles do Sudeste provavelmente será suficiente para que Bolsonaro perca totalmente sua sustentação política a nível nacional, inclusive entre seu grupo de apoio mais resiliente e delirante, os evangélicos.

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Resumindo, com Bolsonaro e Guedes no (des)Governo Federal e estados e municípios batendo cabeça sem a necessária coordenação sanitária e econômica a nível nacional, provavelmente o caos será em breve e se dará primeiro nas regiões metropolitanas do Sudeste. Então ele será derrubado e entrará um governo “não insano” capitaneado pelas elites e talvez com a participação das esquerdas, como atores coadjuvantes.

O problema é que será tarde demais para milhares (ou milhões) de vidas do Sudeste e, talvez, de todo o país, dada a alta taxa de contágio do vírus, o atraso da ação de coordenação do Governo Federal e a atual fragilidade da rede de proteção social e do sistema de saúde do país.

Tomara que eu esteja errado, mas os meses de abril e maio se anunciam terríveis para todos nós, principalmente para os pobres das regiões metropolitanas do Sudeste. Na minha opinião, esse é o quadro mais factível, mas é simplesmente desesperador!

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