Quero minhas bandeiras de volta, por Maria José Trindade

por Maria José Trindade

Quero minhas bandeiras de volta!

Sinto-me desconfortável quando percebo que o discurso anticorrupção e antiviolência migrou para bocas conservadoras. Apropriaram-se do discurso democrático que, tradicionalmente, esteve vinculado aos segmentos progressistas, comprometidos com avanços sociais.

Desafio qualquer pessoa a encontrar quem seja a favor da corrupção e da violência. Evidentemente, não me refiro à direita descartável, não notável, como shererazades, mainardis, constantinos e bolsonaros. Falo de gente que pensa com seriedade.

Como é que se passa de uma revolta política, que tem seus aspectos legítimos, para uma política fascistóide de ódio que transcende o que se pode chamar de legítimo? A resposta aponta para o fato de que é preciso explicitar este conflito e devolvê-lo à sua origem. Precisamos desmascará-lo no que tem de retrógado e incoerente.

Como alguém que se diz contra a corrupção ousa defender privilégios? Como combinar discurso antiviolência com voto a favor da redução da maioridade penal, da revogação da lei do desarmamento ou da volta da ditadura militar? Esta é a contradição. Embora não nomeada, oculta-se na prática social dessas pessoas. Aí é que reside o verdadeiro conflito. Precisamos denunciá-lo.

 

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3 comentários

  1. Maria, Maria, Maria…

    Minha cara, se é que posso chamá-la assim, eu vou ousar responder:

    Porque só gente ingênua usa como bandeira a luta contra corrupção, sem entender antes que, corrupção é a gênese do sistema capitaista, é portanto, a regra, não um comportamento humano censurável e abjeto…como uma exceção…

    Não repousa em moralildade, ou em senso ético mais amplo…Nada disso…

    Ou seja, qualquer bandeira contra corrupção terá o mesmo destino: cairá nas mãos dos coxinhas citados por vós…

    Essa nova empreitada da esquerda alice em pretender “retomar” a bandeira contra a corrupção dos fascistóides é uma lástima…

     

    O melhor que temos em nós, desde que entendemos que realmente interessa, é saber que a pior forma de corrupção é a injustiça social, a desigualdade de renda, enfim, as molas estruturais do sistema econômico que nos rege…

    Não é à toa que os países menos violentos e menos corruptos (se é que alguém consegue medir algo tão volátil, sem cair na canalhice e cretinice de “transparências internacionais”) são os menos desiguais…

    Porque em países menos desiguais, como relação de causa e efeito, as leis são mais universais, assim como as punições…

    Parece complicado, mas no fundo, é simples…

     

    Então, cara Maria, não se apoquente com a bandeira contra corrupção, porque ela não significa nada, eu repito, absolutamente nada, igual a discurso de miss pela paz mundial…

     

    Não quero voltar ao passado e ser de novo a UDN de macacão…

  2. quero…..

    “Como é que se passa de uma revolta política, que tem seus aspectos legitimos, para uma política fascistóide de ódio”? É muito simples: não apresentando resultados. Insistindo que algum avanço é avanço pleno. Se apegando a erros e mecanismos ultrapassados que nunca deram resultados, nem transformações significativas. Não ouvindo o povo que se quer representar. Principalmente quando o povo não quer cantar a sua música. Se tornando ditatorial, crendo que sendo politicamente correto, a presunção da verdade absoluta, pode ser politicamente democrático. A tragédia está diante de todos e mesmo assim não se discute nem mecanismos de controle sociais, via plebiscitos, referendos e eleições obrigatórias, facultativas e impositivas (eleições, não voto obrigatório) Ditadores, de todas as cores, partidos e ideologias brasileiras, não ousam insinuar tal transformação: “do povo, pelo o povo, para o povo”. Para aqueles que não querem enxergar, estão fazendo de tudo para mudar tudo para continuar como sempre foram. O Brasil da pós-verdade: Rato em pele de lobo em pele de cordeiro.

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