Resplandecente, por Wilson Ramos Filho

Não somos mais sequer dignos de pena no cenário internacional. Somos motivo de riso, de escárnio, de desprezo.

Resplandecente

por Wilson Ramos Filho (Xixo)

Não há motivos para que nos orgulhemos de nossa independente mãe gentil. Experimentamos uma humilhação sem fim nos últimos três ou quatro anos. Somos ridicularizados internacionalmente. Por pudor ou por canalhice, a imprensa brasileira repercute pouco essa circunstância.

Com a sequência de escândalos no governo Bolsonaro, que parece ilimitada, debocham de nós. Os militares, guardiões da pátria livre, intervieram no Ministério da Saúde e o que já era ruim piorou. Estão perdidos, sem diretrizes e sem planejamento. A economia, que já estava derretendo antes da pandemia, afunda rapidamente. Prometeram financiamento às empresas e os bancos, turbinados com 1,2 trilhão de reais, não disponibilizaram os recursos aos pequenos empresários. O auxílio emergencial de seiscentos reais foi outro fiasco. Quase dez milhões de brasileiros não tiveram acesso ao benefício. As empresas estão demitindo em massa. O desemprego beira os 20 milhões e seguimos sem políticas públicas para enfrentamento da crise.

Com a saúde e a economia sem rumo, o governo permanece alheio a tudo, como se não tivesse responsabilidade sobre o caos, mais preocupado em blindar seus milicianos e comparsas e em passar a boiada da destruição neoliberal do futuro da nação.

A vergonha só aumenta. O gaiteiro desafinado, o choro do Toffoli na eleição de seu sucessor, o vídeo da infantilizada Damares, o vereador cheirando a calcinha vermelha, o plágio do Moro, o Queiroz escondido na casa do advogado dos Bolsonaro, a briga entre os lavajatistas e os bolsonaristas no MPF, ímpias falanges, o foro privilegiado para o Flávio da rachadinha, os investidores internacionais exigindo respeito ao meio ambiente, a fuga do Weintraub com garbo varonil, os movimentos fascistas defendendo a ditadura militar, a violência das PMs contra negros pobres, o jaboticábico astuto ardil na reunião ecumênica dos Direitos Já entre algozes e vítimas do golpe de 2016, a privatização da água, a desobediência irracional ao distanciamento social durante o crescimento dos níveis de contágio e de mortos, o assassinato de indígenas por garimpeiros e pela Covid, só para mencionar fatos ocorridos nos últimos dias, dão a dimensão de nossa tragédia.

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Não causa, assim, surpresa a decisão da União Europeia proibindo a entrada da brava gente brasileira no velho continente. Estão abrindo as fronteiras a quase todas as nacionalidades, exceto à nossa. Um vexame. A interdição é a todos os brasileiros, pelo fato de serem brasileiros, como já vinha acontecendo nos Estados Unidos e em todos os países da América do Sul e do Caribe. Não nos querem, com razão, em outros países. Zombam de nós.

Além disso tudo, temos a descoberta da falsidade ideológica do recém nomeado ministro da educação mentindo ser doutor e ter passado por pós-doutoramento na Alemanha. E, pior, evidências de plágio em sua dissertação de mestrado. Que vergonha. Ele é a síntese ética da maneira bolsonara de existir em sociedade.

A imprensa internacional não consegue acreditar. Nós também não. Relembram outras mentiras curriculares, como o doutorado falso do Governador Witzel, os mestrados inexistentes da Damares e do Ricardo Sales, a graduação da terrorista Sara Winter, entre outras farsas, e gargalham de nossa passividade. Estamos sendo ridicularizados nos quatro cantos da Terra plana.

Não somos mais sequer dignos de pena no cenário internacional. Somos motivo de riso, de escárnio, de desprezo. A imprensa estrangeira destaca que, apesar de tudo, um em cada três brasileiros segue apoiando Bolsonaro. Somos uma vergonha.

Brava gente brasileira , longe vá temor servil, somos a vergonha, definitiva, que resplandece no universo das nações.

Wilson Ramos Filho (Xixo), doutor em direito, integra o Instituto Defesa da Classe Trabalhadora.

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1 comentário

  1. Embora seja um caso antigo, pré-nova idade das pedras, não podemos esquecer, entre as fraudes acadêmicas cometidas por esses sórdidos que ocuparam o poder, a do ex-secretário do ministério da economia Mansueto Almeida, que escapou, sabe-se lá como, de uma punição no ano passado, pelo TCU, por não apresentar resultados de um doutorado nos EUA, no MIT. A conta era de R$ 847 mil, em valores de maio de 2017. O picareta se livrou dessa “facada”. E agora vai ganhar os tubos na privada da iniciativa. É um pústula, um escroque! Pra isso, o Estado é bem útil. Um sórdido!

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