Retrocessos em curso no Brasil?, por Rodrigo Medeiros

Retrocessos em curso no Brasil?

por Rodrigo Medeiros

O processo brasileiro de desindustrialização prematura, compreendido como as perdas relativas de empregos da indústria de transformação e de sua participação no Produto Interno Bruto (PIB), é claro desde meados dos anos 1980. A partir de 1994, com o recorrente uso do câmbio para combater a inflação, vem ocorrendo a perda de sofisticação da pauta exportadora.

No livro de Erik Reinert, “Como os países ricos ficaram ricos… e por que os países pobres continuam pobres”, editado pela Contraponto, há instigante discussão sobre o processo histórico de desenvolvimento. Cobrindo um período de cerca de quinhentos anos de reflexões e estudos econômicos, Reinert sintetiza: “países pobres tendem a se especializar em atividades que os países ricos não podem mais automatizar ou nas quais não há possibilidade de realizar inovações. Em seguida são criticados por não inovarem o bastante”. O aprofundamento da globalização neoliberal é ruim para os países de renda média, pois os impedem de emparelhar com os países desenvolvidos.

Há diferenças entre as riquezas e perspectivas dos países quando eles se especializam em atividades malthusianas (naturais e de rendimentos decrescentes) ou atividades schumpeterianas (construídas socialmente e de rendimentos crescentes). As vantagens comparativas precisam considerar os aspectos qualitativos de dinâmica e estrutura econômica, pois o crescimento é atividade-específico. A fé panglossiana na “mão invisível” e na equalização dos preços dos fatores de produção deve ser descartada para que retrocessos sejam evitados.

Reinert compara o Consenso de Washington (1989) com os planos Morgenthau e Marshall, do pós-guerra. Paralelos entre o Plano Morgenthau, que visava desindustrializar a Alemanha, e o Consenso de Washington, cuja orientação é pelo alinhamento de preços domésticos, deveriam ter causado alguma preocupação com o desenvolvimento brasileiro. A história da recuperação europeia se processou sob o Plano Marshall, que ajudou a industrializar os países arrasados pela guerra. Deveria causar estranheza que o medo do “terrorismo” não tenha mostrado o mesmo potencial de generosidade desenvolvimentista do que a ameaça comunista no passado.

O Brasil é um país de renda média e que se desindustrializou precocemente, algo que afetou a sua produtividade e crescimento. Em síntese, não se mostra viável almejar o desenvolvimento a partir de uma inserção primário-exportadora na economia global.

Rodrigo Medeiros é professor do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes)

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1 comentário

  1. Avacalhação geral…

    Não bastasse o assalto das florestas brasileiras  pelos  ruralistas  representados  pelo min. da agricultura blairo maggi et caterva,    temos  o assalto da  saúde dos brasileiros por  este “paraquedista” representante  dos planos de saúde privados, ricardo barros..

    É  um escárnio geral,  do presidente  ao último aspone  golpista,  “mijam”  literalmente  na cabeça dos  cidadãos  brasileiros e  jogando com as  regras sujas  do jogo, não largam o osso  enquanto “f……m”    com toda  uma nação !!

    Lucros recentes enviados  para  as  matrtizes, limpinhos sem pagar quase nada  de impostos, com a  exploração do pré-sal, já  estão sendo anunciados por  aí !!

    Em todo o canto, pululam trairagens  das  mais  covardes  contra a  nação….

    Cadê os  nacionalistas  deste país??    Cadê  os brasileiros com dignidade e brio-pátrio  para  acabar  com esta palhaçada ?? 

    Ou será  que se  contentam em ser  apenas  os ” capitães-do-mato ”  dos reais ocupantes  do poder:  a  Casa Grande, em troca  de garantir  as sobras  do banquete deles  !!

    PQP !!   Queda  da Bastilha, digo de Brasília  Já !!!

     

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