Sob Bolsonaro, economia em frangalhos e desonestidade intelectual, por Luis Felipe Miguel

Para salvar o Brasil, é preciso tirar Bolsonaro do poder. Sem dúvida. Mas não basta. É preciso derrotar o projeto neoliberal

Sob Bolsonaro, economia em frangalhos e desonestidade intelectual

por Luis Felipe Miguel

Nunca neguei a Jair Bolsonaro a virtude de uma imbecilidade genuína e espontânea. A declaração de ontem sobre a “fraude” nas eleições de 2018, porém, só pode ser entendida como a tentativa calculada de criar uma cortina de fumaça e desviar as atenções do que realmente importa: a economia brasileira em frangalhos.

Estamos há seis anos aprofundando a aposta na ortodoxia liberal. Os arautos do neoliberalismo continuam alardeando que faltam mais “reformas” para que os bons frutos sejam colhidos – estou pensando no artigo de Marcos Lisboa publicado ontem ou anteontem, mas os exemplos abundam. Como são pessoas que não podem ser consideradas burras, resta apenas a opção da desonestidade intelectual. Afinal, os resultados já estão aí, à vista de todos.

A crise econômica global, cujas raízes estão na irracionalidade da ciranda financeira, mas que tem a pandemia do novo coronavírus como estopim para seu recente agravamento, está desvelando aquilo que já se sabia: o desastre a que esta política econômica nos conduziu.

Incapaz de gerar crescimento em seus próprios termos, ela foi, no entanto, muito eficiente na produção de vulnerabilidade e desamparo para milhões de brasileiros. Este é o lado mais perverso: uma economia estagnada, com uma população trabalhadora em condição cada vez mais precária e com a minguada rede de proteção que o Estado brasileiro fornecia totalmente desguarnecida.

O condutor da política econômica, Paulo Guedes, é um homem sem sensibilidade social, sem visão política e sem repertório de ação. É a pior pessoa para estar à frente da economia brasileira neste momento. O que tem feito é gastar, de forma bem ineficaz, as generosas reservas que os governos petistas legaram a seus sucessores.

Não custa perguntar, aliás, quem está ganhando com isso. Com Guedes no comando, essa é sempre uma pergunta válida.

Para salvar o Brasil, é preciso tirar Bolsonaro do poder. Sem dúvida. Mas não basta. É preciso derrotar o projeto neoliberal, que é incompatível com o bem-estar do povo brasileiro, com a construção de uma sociedade menos injusta e menos violenta e com a democracia.

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