Sobre Ciro Gomes, Lula e uma saída para o Brasil dos absurdos, por Eduardo Ramos

Porque o voto deveria ser uma ferramenta RACIONAL sobre quem, e que programas, são os melhores para uma nação naquele determinado momento.

Foto Ricardo Stuckert

Sobre Ciro Gomes, Lula e uma saída para o Brasil dos absurdos

por Eduardo Ramos

(sobre o artigo de Álvaro Miranda no GGN)

No seu artigo publicado no GGN, Álvaro Miranda se faz uma pergunta que tem sido a minha nos últimos dias. Na verdade, não a expus por achar que era não só insana – pelos ataques constantes de Ciro a Lula e ao PT e pelo óbvio rancor que tais ataques causam nos petistas – como inapropriada para o momento, afinal, eleições só em 2022…

O bom, quando alguém tem a audácia de “furar a bolha” e falar sobre o impensável, é que isso nos estimula a pensar se o que vínhamos refletindo era afinal tão absurdo assim. Foi como me senti ao ler a pergunta feita pelo articulista em sua reflexão:

“A questão básica da minha reflexão é a seguinte: seria possível uma ampla frente democrática com Lula liderando esse movimento apoiado por Ciro Gomes ou uma frente liderada por Ciro Gomes com apoio de Lula? Ambos juntos conseguiriam formar pactos com outras forças que até então não os apoiavam? Tirando esses dois nomes, haveria outra pessoa em condições de liderar uma ampla frente democrática, que incluísse, por exemplo, forças de centro, liberais, neoliberais, esquerdas?”

O “modo pragmático” de criticar essa pergunta está, na verdade, na última “subquestão” que torna a questão essencial tão urgente e pertinente: “Tirando esses dois nomes, HAVERIA OUTRA PESSOA EM CONDIÇÕES DE……..?” – Essa é a questão!

Por coincidência, antes de ler o artigo do Álvaro Miranda eu me fiz uma pergunta diferente, que envolvia na verdade, os mesmos personagens. “Se a eleição fosse anulada e uma nova eleição ocorresse no fim do ano, com Lula solto, em quem você, Eduardo, votaria?”

E vi, que eu tinha duas respostas distintas para essa pergunta, quase que num maniqueísmo muito infantil de minha parte. Algo mais ou menos assim: “Se fosse para seguir minhas simpatias e o coração, eu votaria em Lula, não só por tudo o que realizou mas para lhe fazer justiça depois de todo o massacre perverso e injusto que sofreu…. e porque Lula buscaria mais uma vez implementar os programas sociais que minoram as misérias do meu país.

Mas… se fosse para seguir a minha mente, minha razão, meus raciocínios mais frios e calculados sobre O QUE SERIA O MELHOR PARA O BRASIL, eu tamparia o meu nariz, ignoraria o aroma de desprezo que me vem com as críticas mais duras e injustas de Ciro a Lula e ao PT, ignoraria o fato dele ser meio destrambelhado e arrogante e reconheceria que ele é a única personalidade política, hoje, no Brasil, com a CORAGEM de tomar o pré-sal de volta, peitar a Lava Jato e colocar o país, em curto prazo, num rumo de retorno à razão… além de, certamente, não se furtar em realizar os mesmos programas sociais que consagraram Lula.”

Essa é a minha questão particular.

Porque o voto deveria ser uma ferramenta RACIONAL sobre quem, e que programas, são os melhores para uma nação naquele determinado momento. E quando penso nisso, o espírito excessivamente contemporizador de Lula não me parece o mais apropriado para AS GUERRAS QUE O PRÓXIMO PRESIDENTE TERÁ QUE ENFRENTAR COM AS SELVAGENS OLIGARQUIAS NACIONAIS E INTERNACIONAIS.

Lula terá me dado o sonho, o caminho, esse “mostrar que é possível sim, mudar esse país”. Seu republicanismo ingênuo, terá destruído tudo o que ele fez. Lhe darei todo o amor, respeito, reconhecimento e admiração do mundo, sempre e eternamente, algo que, eu creio, aquele que aponto como seu “melhor sucessor” jamais mereça de mim, e ainda assim, admirações e respeito e amor à parte, sigo acreditando que HOJE eu quero alguém que me represente nos ENFRENTAMENTOS que virão – e, aí, eu penso em Ciro Gomes – com e apesar das restrições – até éticas e pessoais! – que contra ele eu tenha…

Álvaro Miranda me traz uma pergunta, porém, diferente da minha: “Seria possível a união dos dois líderes depois de suas diferenças, desencontros, brigas, e os ataques virulentos de Ciro?”

Confesso, seria o “meu mundo ideal”. Não é por arrogância ou complexo de superioridade, ou mesmo por “estar em cima do muro”, mas hoje, importo-me absolutamente NADA com o que possam pensar e sentir “ciristas” ou “petistas”, minha única dor, perplexidade, desespero nesse tempo se chamam BRASIL. Me é irrelevante “amar” Lula e a Ciro, não, “admirar mais a Lula do que a Ciro”, ou coisas semelhantes…. A pergunta que me aflige HOJE, é: “quem é o candidato com as características pessoais e a capacidade de aglutinar forças sociais mais abrangentes para salvar esse país jogado em um esgoto fétido de fascismo, entreguismo, cinismo e absurdos que não cessam?!?” – A busca a essa resposta é o que me interessa e é o que deveria interessas – paixões à parte! – a cada brasileiro.

Se o Álvaro Miranda estiver certo em sua premissa, e não houver afinal outras lideranças com carisma e força para se tornarem oposição a Bolsonaro, amigos comuns a esses dois deveriam, mais uma vez, tentar uni-los, curar as feridas, cicatrizar as zangas, as mágoas, e fazê-los ver o tamanho da necessidade do Brasil por essa tal decantada “FRENTE AMPLA PELA DEMOCRACIA E A RECONSTRUÇÃO DO BRASIL”.

Lula já é um mito, já é eterno, não precisa provar mais nada a ninguém. Mas por eventos e processos sociais DOS QUAIS NÃO TEM RESPONSABILIDADE ALGUMA, DIGA-SE COM TODAS AS LETRAS, tornou-se, aqui no Brasil, no imaginário popular, um “símbolo de dicotomias”, de dissensões – um “ame-o ou odeie-o” que provavelmente o acompanhará até o fim de sua vida. É no FUTURO que o Brasil, como um todo, livre dessa geração manipulada e tornada fanática, o olhará com a isenção e a grandeza que ele merece.

Ciro Gomes, sequer tem a dimensão pública necessária para ser “amado ou odiado” nessa proporção – exceto pelos petistas, e não com poucos motivos, reconheça-se!

Mas é sério, brilhante, honesto e ideologicamente de centro-esquerda, não apavorará os empresários e não abrirá mão dos postulados dos governos petistas, QUE JAMAIS FORAM DE ESQUERDA RADICAL. E, o mais importante: é o único político com a ousadia necessária para tomar de volta para a nação o que nos roubaram Temer e Bolsonaro.

No meu sonho pessoal, esses dois brasileiros, hoje, marchariam juntos contra o horror do fascismo e a destruição que o atual governo comete contra o nosso país.

Mas confesso, infelizmente, que acho que Ciro não compreenderá a grandeza desse tempo, a grandeza de seu papel nele, e seguirá nesse personagem que acredita só poder crescer, se “matar o Lula”.

Talvez por isso, Lula tenha chegado (a grandeza…) onde chegou. E Ciro, parece estar congelado em ódios de outrora….

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