South Riding Point: uma cabra e três pássaros, apenas. Será?, por Antonio Carlos Portela de Castro

Causa espanto, quando se observa as noticias sobre o vazamento de óleo nas costas nordestinas, a total falta de informação, ou ao menos, de especulação sobre as causas do terrível acidente.

South Riding Point: uma cabra e três pássaros, apenas. Será?

 por Antonio Carlos Portela de Castro

O ministro do Meio Ambiente da Grande Bahama, Romauld Ferreira, estimou as vitimas do recente incidente em South Riding Point em “uma cabra e três pássaros”. É difícil acreditar nessa estimativa, mesmo consideradas as conseqüências locais e é grande a tentação, pela cronologia dos incidentes, de relacionar aos vazamentos de óleo que atingem nosso litoral.

A explosão nos tanques de armazenamento de óleo no terminal da Equinor que continham cerca de 1,8 milhão de barris de óleo provocou um vazamento ainda desconhecido. Segundo Ferreira, 6.000 barris de petróleo bruto foram recuperados. Essa declaração foi feita em 24 de setembro: mais de três semanas depois do acidente ainda não se sabia a dimensão do vazamento. Em 30 de setembro, ultima estimativa que eu pude encontrar em minha pesquisa rápida, já se falava na recuperação de 12 mil barris.

A explosão e o vazamento foram conseqüências do Furacão Dorian, que atingiu o terminal da Equinor e as Bahamas em 1º de setembro. As instalações de South Riding Point em East Grand Bahama, de propriedade da norueguesa Statoil, foram atingidas e as tampas de seis tanques de petróleo cru explodiram. Segundo o gerente de operações da Equinor – subsidiaria da Statoil, Kevin Stuart, apenas três tanques continham petróleo bruto. O tanque de armazenamento número oito, que não foi comprometido, e os tanques de número seis, que continham 729.681,08 barris e o de número dez, que continha 730.707,01 barris. Cerca de 1,4 milhão de barris de petróleo atingidos, provavelmente dos Estados Unidos.

Os ambientalistas caribenhos não têm duvidas que o vazamento alcançou o mar e se espalhou pelo mar caribenho. A questão que temos que considerar é a possibilidade dessas explosões serem a causa da tragédia ambiental nordestina. Não tenho capacidade técnica para avaliar essa hipótese. O quadro das correntes marítimas no nosso hemisfério parece contradizer a hipótese, mas é claro que um furacão de categoria 5, com ventos de 185 milhas por hora, deve mudar esse panorama.

A principal questão que permeia a tragédia brasileira, o porquê do sigilo do relatório da Petrobras e o desinteresse do governo e dos meios de comunicação no problema, se explicariam pela forte participação da Statoil – através de sua subsidiária Equinor, na entrega do pré-sal brasileiro e a próxima realização do megaleilão da nossa soberania.

Causa espanto, quando se observa as noticias sobre o vazamento de óleo nas costas nordestinas, a total falta de informação, ou ao menos, de especulação sobre as causas do terrível acidente. Apesar dos muitos especialistas brasileiros na questão, o que se vê – com raras exceções- é o total desinteresse. Por outro lado, considerada a combatividade dos funcionários da Petrobrás, por que o documento ainda permanece em sigilo?

A minha primeira especulação sobre a origem do vazamento foram as plataformas do pré-sal na costa nordestina.  Apesar de não ser possível descartar essa hipótese, acho-a remota porque se a origem fosse a própria exploração da Petrobras isso já estaria amplamente divulgado. Existem explorações de multinacionais na área que poderiam estar causando o vazamento, mas acredito que isso já seria conhecido.

Posteriormente eu imaginei que a origem dos vazamentos estaria na bacia petrolífera que une a Guiana e Suriname, o que combinaria com a origem venezuelana do petróleo. A Guiana se inicia na exploração do petróleo em área oceânica contestada pela Venezuela. Capitaneada pela Exxon e realizada a toque de caixa, a exploração inédita poderia estar trazendo vazamentos. Mas, novamente, as correntes oceânicas parecem não dar apoio a essa hipótese.

Continuando com a pesquisa, nesta manhã, eu encontrei o acidente da Equinor nas Grandes Bahamas. A cronologia parece coincidir, ainda que existam relatos de manchas de óleo em praias de Marau, sul da Bahia, mas que me parece ser noticia de 2018! O cadáver que alcançou as praias nordestinas talvez possa trazer alguma luz ao terrível desastre ambiental.

O comportamento da administração federal quanto ao terrível acidente é exatamente o esperado. Depois que a família Bolsonaro se apossou das rédeas governamentais, não se pode esperar outra coisa senão a barbárie. Mas os governos estaduais e municipais deveriam se interessar mais em determinar o causador da tragédia.

Se não por outras razões, é lembrar que os Estados Unidos impuseram à British Petroleum, causadora do incidente no Deep Water Horizon no Golfo do México, uma multa de US $ 4.300 por barril de petróleo derramado. Se considerarmos que a explosão em South Riding Point acarretou o provável vazamento de mais de um milhão de barris, estamos falando numa multa de cerca de US$ 4 bilhões de dólares, mais do que se espera no próximo leilão/entrega do pré-sal.

Fotografia das instalações em South Riding Point depois da passagem do furacão.

Gráfico das Correntes oceânicas

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