Toda Mulher gosta de rosas; Amália Rodrigues gostava de cravos, por Albertino Ribeiro

Amália teve vários de seus fados censurados pela ditadura de Antônio Salazar, pois muitos foram obras do compositor Alaim Oulman, preso pelo governo autocrático.

Toda Mulher gosta de rosas; Amália Rodrigues gostava de cravos

por Albertino Ribeiro

Amália Rodrigues faria 100 anos ontem (23/07). Acusada injustamente de ser uma simpatizante da ditadura de Antônio Salazar, a cantora – ícone da cultura portuguesa – acaba de ganhar sua redenção definitiva numa biografia do jornalista Miguel Carvalho (Amália – Ditadura e Revolução).

Segundo o artigo publicado ontem no Jornal El País, “a fadista não só esteve nos arquivos da polícia política (PIDE) como também, além disso, apoiou financeiramente a resistência comunista ao longo de sua carreira.”

Ademais, Amália teve vários de seus fados censurados pela ditadura de Antônio Salazar, pois muitos foram obras do compositor Alaim Oulman, preso pelo governo autocrático. O fado abandono, por exemplo, é uma das lindas composições de Oulman.

Por sua vez, a música Grândola Morena (Zeca Afonso) foi um dos símbolos da revolução dos cravos que libertou Portugal de 48 anos de opressão. A composição ganhou – na voz da lisboeta – uma forte e sincera expressão da alma portuguesa.

O momento por que passa o Brasil exige mulheres como Amália Rodrigues que, sem desmerecer as rosas, gostem mais de cravos. Cravos que foram colocados nas armas dos comandados pelo capitão Salgueiro Maia – herói da revolução.

No Brasil, um capitão do exército faz o caminho contrário e, a exemplo de Salazar, tenta transformar o Brasil em um triste fado onde o livre pensamento dos brasileiros tende a ser aprisionado.

“Por teu livre pensamento

foram-te longe encerrar

Tão longe que o meu lamento

não te pode alcançar (…)”

Abandono – Alaim Oulman.

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