Um governo manchado pelo óleo, por José Guimarães

O maior desastre ambiental do litoral brasileiro já registrado ganhou uma proporção gigantesca, também, pela incapacidade do governo Bolsonaro de priorizar a pauta ambiental.

Um governo manchado pelo óleo

por José Guimarães

Dentre as várias imagens que protagonizaram as notícias desta semana, uma, em especial, será difícil de esquecer. Centenas de nordestinos, em um árduo trabalho de cooperação, tomaram para si a tarefa de limpar as praias atingidas pelo derramamento de óleo de origem ainda desconhecida. A mancha, desde setembro, já atingiu 225 localidades em mais de 80 municípios da nossa costa. Já são mais de 1.000 toneladas recolhidas. Onde impera a leniência do Estado, a população, soberana, mostrou ao mundo que, enquanto o governo falha, resiste o desejo de mais atenção à causa ambiental.

O povo que menos contribuiu com a eleição de Bolsonaro foi o mesmo que, indignado, limpou as praias atingidas com as próprias mãos sob o risco de intoxicação com o material poluente. Refiro-me a mulheres e homens aguerridos, cansados de esperar por respostas de um governo ineficiente. São brasileiras e brasileiros que não pouparam esforços para salvar animais marinhos e retirar as manchas que ofuscaram a beleza das faixas de areia do Nordeste.

O maior desastre ambiental do litoral brasileiro já registrado ganhou uma proporção gigantesca, também, pela incapacidade do governo Bolsonaro de priorizar a pauta ambiental. Em abril, decreto presidencial extinguiu dois comitês do Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em Água (PNC), instituído na gestão Dilma Rousseff. Em uma canetada, Bolsonaro pôs fim à política que poderia minimizar o impacto de desastres como o que assistimos.

Até agora, nove Estados brasileiros já foram atingidos pelo petróleo cru. Trata-se de um desastre que, segundo especialistas, pode causar danos irreparáveis em ecossistemas como manguezais. Enquanto o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, não age em consonância com o cargo que ocupa, a vida marinha agoniza. Peixes-boi, tartarugas marinhas e aves sofrem com os efeitos da ausência de uma política de priorização e cuidados com os nossos ecossistemas.

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Para além do impacto na biodiversidade, a falta de atenção à agenda ambiental também tem reflexos na economia nacional. Desde que a mancha de óleo se espalhou, pequenas, médias e grandes empresas hoteleiras e gastronômicas vêm amargando prejuízos. Praias paradisíacas e de forte apelo turístico como Jericoacoara (CE), Carneiros (PE) e Pipa (RN) registraram resíduos que afastam o interesse de turistas e outros admiradores das nossas riquezas naturais.

Tamanho descaso motiva ações como a do deputado federal João Campos (PSB-PE), que protocolou pedido de CPI para investigar o caso ontem (23). A atitude do parlamentar soma-se a esforços do Ministério Público Federal (MPF), que exigiu o retorno do PNC na última sexta-feira (18). Não apenas os responsáveis pelo desastre devem ser punidos, como também o Governo Federal deve responder pela complacência aos danos causados.

José Guimarães, deputado federal (PT/CE)

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2 comentários

  1. Nassif: depois da encenação da “facada” essa foi a mais genial idéia dos pessoal DaBala. Diga o que disserem, mais a imaginação desses meninos das AgulhasNegras não tem limite. E já que os do nordeste não se sensibilizaram com aquele ketchup na gaze, que não depositaram na urna a consagração da maracutaia, só de sacanagem melaram as praias, pra futricar com o turismo e a fonte de rende deles. E agora que lambuzaram bastante a maior fonte de rende dos caras o IndioVice convocou milicos pra dá uma mãozinha, coisa pra grande mídia ter como defendê-los. Mas quem anda puto na roupa é o pessoal da PraiaVermelha, que bolaram o caso, mas não sabia como executá-la. Tão achando que o troço foi lançado de um submarino daquela Armada que está ancorada na boquinha do présal. O produto estava em grandes containers plásticos, 700 mil litros, cada um. Três viagens, na surdina. Tudo bem que o povo aumenta. Mas não inventa…

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