A “readline” do “Assad must go”, por Daniel Afonso da Silva

A “readline” do “Assad must go

por Daniel Afonso da Silva

Daraya, Síria, abril de 2013. O dia 24 dava passagem. Os citadinos – havia muito, cansados de guerra – reganhavam suas casas. Desde março, mês anterior, as ofensivas mútuas de hostilidade entre forças do governo e forças dissidentes pareciam arrefecidas. Alguma normalidade dava sinais de pairar. Homens do comum, gente do povo, revia possível sonhar. Mesmo na tensão da indefinição do conflito. Eram poucos os minutos do dia 25. 0h10; 0h15. Não muito mais nem menos. Muitos dormiam. Muitos buscavam dormir. Muitos rolavam na cama ou em rude tapume de chão. Da rua, de súbito, se ouve um estrondo. Uma forte explosão. Camas e casas ficam vazias. Homens e mulheres, crianças e idosos, vão pra fora pra ver e tirar saber. Uma cortina azul cinge o céu. Parece fumaça. Ainda não se sabe o que é. Todos, como em comunhão, apreciam a visão. Bonita não é. Mas cativa. Certo silêncio invade. Corrói os sentidos como indagação.

O estouro vinha de Damasco. Ou, ao menos, apontava para lá. Pouco importava. O azul se continuava a notar. Não demorou, crianças começaram a vomitar. Homens e mulheres adultos sentiram seus olhos inflar. Muitos entraram, estranhamente, a salivar. Virou geral a sensação de mal-estar. Minuto a minuto, o tempo passou turvar. Pessoas, a desmaiar. A saída restante era o auxílio hospitalar. Aos que conseguiram ao único hospital da cidade chegar, perceberam não estar sós. Vários concidadãos tinham sintomas comuns. Náusea sem fim. Tudo com razão e diagnóstico similar. Tinham sido expostos a produto químico letal.

O hospital local não dispunha de medicina para o tratamento. Sem tratamento, sem acompanhamento, sem motivação, a morte em série era a mais próxima estação. Cachorros, ovelhas, galinhas e galos, já no início, não suportaram. Morreram aos borbotões. Não seria diferente o fim de muita dessa gente de Daraya.

Essa macabra novidade em Daraya já era conhecida nos lugarejos sírios de Ateibeh e Khan al-Assal, áreas de confronto próximas, respectivamente, a Damasco e Aleppo. Durante março de 2013, esses lugares receberam ao menos quatro ataques químicos similares. Um e outro sobrevivente tinha conseguido tratamento em hospitais de Benghazi, na Líbia. Outros tiveram a sorte em departamentos médicos pela Turquia, Jordânia, Iraque, Argélia, Marrocos ou pela Europa. O serviço de inteligência americano tinha conhecimento. Seguia pari passu a evolução da situação. Como de resto, faziam também os serviços secretos de Paris, Londres, Ancara, Jerusalém e Tel Aviv, Cairo, Beirute e Amã.

Desde o início da primavera de 2010 abaixo da linha do equador, o extravasamento de demandas e reivindicações populares vinha inundando as ruas dos países árabes. Líderes e lideranças estruturais de poder imaginado eternal foram sendo duramente questionados. Alguns foram destituídos. A pressão da esperança de mudança venceu-lhes sem pudor. Outro – o mandatário da Líbia – fora assassinado.

No caso líbio, a comunidade internacional – entendam-se, os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU somados a aspirantes potenciais – levou às últimas consequências a “responsabilidade de proteger”. O coronel Kaddafi prometera lavar as ruas de toda a Líbia com o sangue dos dissidentes. “Ratos”, segundo ele.“Ingratos” que ousavam se opor ao estabelecido.

De dezembro de 2010 a março de 2011, os destinos dos povos árabes pareciam selados. O começo de outra história tapava as portas. Costa do Marfim, Tunísia, Egito, Líbia seguiam na proa. A tendência e o modelo se mostravam perfeitos. Em assim sendo, reproduzíveis. Tudo tarda; mas, enfim, chega à Síria.

Nos dias 15 e 16 de março de 2011, a capital do país foi tomada de aglomerações. A negação ao governo do presidente Bashar al-Assad era o objetivo das marchas. A repressão foi imediata. A contenção, implacável. O establishment demonstrava, com convicção e altivez, a evidência do lógico: Damasco não era nem parecia Yamoussoukro ou Abdijan, Túnis, Cairo, Trípoli ou Benghazi.

No mês seguinte, os Estados Unidos da América iniciaram as sanções. Congelaram todos os bens financeiros sírios alocados em praças americanas e forjaram seus aliados próximos a seguir o exemplo. No mês de agosto, vendo que a violência generalizada seguia, o presidente Obama assinou a Ordem Executiva 13582 proibindo todos e quaisquer tipos de transação financeira ou comercial entre cidadãos americanos e o governo sírio. Nisso se incluía, sobretudo, a compra e venda de petróleo e compra e venda de armas. O repúdio das Nações Unidas, via seu secretário-geral Ban Ki-moon, veio também nesse agosto de 2011.

Dia após dia, centenas de mortos iam somando na contabilidade da tragédia. “Assad must go” virou cantilena de líderes e lideranças vinculados a White House, a 10 Downing Street e ao Élysée. No dia 2 de outubro foi criado o Conselho Nacional Sírio, com lideranças que, ao modelo líbio, dariam lógica burocrática e diplomática à transição. Dois dias depois, Rússia e China vetaram a resolução do Conselho de Segurança que requeria sanção definitiva à Síria. O Brasil se abstivera. Como, de resto, fizera na votação da resolução 1973, de março de 2011, que selou o destino da Líbia.

Os dias foram passando. O coronel Kaddafi fora empalado em Sirte. As cenas do asco davam volta ao mundo. Com isso ia ganhando forma de imperativo o apelo à “responsabilidade ao proteger” que a presidente Dilma tanto enfatizara na abertura da Assembleia das Nações Unidas em fins de setembro.

Na Tunísia e no Egito, o passado ia pesando. As dificuldades do novo mundo faziam esperanças vacilar. O processo eleitoral na França retirara definitivamente o presidente Sarkozy e sua entourage da pro-atividade internacional. O esforço do Quai d’Orsay, que persuadiu a comunidade internacional a dar combate no dossiê líbio, não teria reprodução no dossiê sírio. Alemanha e Japão, como sempre, restaram hesitantes. Itália e Espanha tinham crises demais para gerir – um Silvio Berlusconi incomoda muita gente. O Reino Unido do primeiro-ministro David Cameron sempre diz sim, por não poder, tecnicamente, fazer o contrário.

A Liga Árabe propôs movimento. Sugeriu que a Síria desse vazão detransição a um sistema político plural e democrático. Estados Unidos, França e Inglaterra entenderam de imediato o interesse. “Assad must go”. O plano foi levado ao Conselho de Segurança no 4 de fevereiro de 2012. Ocorreu o previsível. Rússia e China foram contrários. Em assim sendo, o secretário Ban Ki-moon e secretário da Liga Árabe Nabil Elaraby indicaram Kofi Annan como enviado especial à Damasco para intentar chegar a um consenso para a transição. Na sequência, enfim, vai aprovada a resolução 2042 e a resolução 2043 que estabelece envio de 30 observadores militares a fim de estabelecer algum diálogo de fim da violência e possível discussão em sentido de uma transição.

Vai se fechando o cerco contra o governo sírio.

Em junho de 2012, a Rússia acede à discussão. O ministro Sergey Lavrov vai ao encalço da secretária Hillary Clinton em Genebra no dia 30. Fora o encontro do Action group for Syria. Ou seja, agrupamento de lideranças da ONU e da Liga dos Estados Árabes somadas a ministros do exterior de China, França, Rússia, Reino Unido, Estados Unidos, Turquia, Iraque, Kuwait, Qatar e União Europeia, representada pela comissária Catherine Ashton.

O communiqué final dessa reunião sugeria a confecção de um plano de paz e o apelo a uma transição nacional síria acordada entre situação e oposição. Dito de modo direto: palavras. Palavras, por dispersa razão. Dissidentes vão recebendo armamento do mundo livre. França, Estados Unidos, Reino Unido etc. O presidente Assad conta com o apoio dos outros. Rússia, China, Irã. Gente do pro e do contra vai morrendo. Os dias vão passando.

Passam até chegar 20 de agosto de 2012.

Na segunda-feira, 20 de agosto de 2012, o presidente Obama conferiu uma conferência de imprensa na White House. No intercâmbio de perguntas e respostas surgiu o assunto Síria. Sobre o dossiê sírio, uma vez que já se fazia importante o esforço americano na região, a questão foi “are you confident that the chemical weapons are safe?

 

We have been very clear to the Assad regime, but also to other players on the ground, that a red line for us is we start seeing a whole bunch of chemical weapons moving around or being utilized.  That would change my calculus.  That would change my equation”, respondeu o presidente Obama.

 

Entretanto, não foi suficiente ao prisma do jornalista que, de sua parte, recolocou a questão “So you’re confident it’s somewhere under – it’s safe?” Menos enfático e mais programático, o presidente americano, então, afirmou

 

In a situation this volatile, I wouldn’t say that I am absolutely confident.  What I’m saying is we’re monitoring that situation very carefully.  We have put together a range of contingency plans.  We have communicated in no uncertain terms with every player in the region that that’s a red line for us and that there would be enormous consequences if we start seeing movement on the chemical weapons front or the use of chemical weapons. That would change my calculations significantly.”

 

O ânimo insistente da questão advinha, por certo, sobretudo dos fantasmas que deram razão à invasão do Iraque. A sutileza da resposta vai contida na expressão would. Em se averiguando utilização de armas químicas ou biológicas, armas de destruição em massa, o presidente Obama sugere que pode modificar seus cálculos; pode modificar sua equação. Mesmo em sendo a red line, pode responder à afronta forjando grandes consequências.

A condicionalidade do would não reflete apenas domínio das palavras. Tampouco somenteambiguidade diplomática. Expressa prudência.

Os feitos de Daraya das primeiras horas do dia 25 de abril de 2013 acenderam todos os sinais de alerta de Moscou a Pequim, de Paris a Londres, de Washington a Damasco. O que era localizado – utilizado em pequenas quantidades e de modo discreto – passou ao domínio do público. Do hospital local, médicos e pacientes, faziam divulgar fotos e vídeos da calamidade do terror. A pressão sobre ficou inevitável. A redline fora tocada. Ultrapassada. O presidente Obama deveria fazer agir. Na impressão dos órgãos de opinião, intervir. Com homens e armas. Mas a essa altura, a convicção de Washington e Moscou era seguir a discussão. Seguir a diplomacia. Encontrar uma saída política. Nesse ânimo, mais uma vez, o ministro russo foi a Genebra para encontrar o homólogo americano, agora o secretário John Kerry.

Pouco mais de uma semana após as novas de Daraya estampar a cobertura dos principais jornais da Europa e dos Estados Unidos, o ministro Lavrov e o secretário Kerry anunciaram a cooperação entre Estados Unidos e Rússia na formulação de uma conferência internacional para se encontrar uma saída política para a Síria.

Lembrado permanentemente da redline, o presidente Obama recomendava a todos a paciência. Indicava que era preciso certificar. Ter provas tangíveis. Enquanto isso, o ministro Laurent Fabius e ministro Willian Hague, respectivos da França e do Reino Unido, alegavam já ter as provas. Provas fidedignas do uso de gás Sarin.

A pressão foi aumentando. Expressões como genocídio passaram a salpicar aqui e ali na imprensa. A crise humanitária ganhava concretude com a força dos números. 100 mil mortos. Milhões de refugiados. Milhões de deslocados. Mais direta e precisamente, tendo como base as aproximadas 21,5 milhões de pessoas que compõem a população síria, 6 milhões estão em dificuldades humanitárias. 4,2 milhões precisaram se mover dentro do próprio país. 2 milhões, pouco mais ou menos, estão espalhados pelo estrangeiro. Campos de refugiados foram instalados na Turquia, no Líbano, na Jordânia.

Mesmo nesses campos de refugiados, a carestia humana e o medo continuam. Toda sorte de discriminação e violência segue sendo praticada. Toda sorte de sadismo sexual segue regra. Estupros coletivos são declaradamente praticados. Toda sorte de ressentimento e hostilidade social, étnica, religiosa, sectária e política correntes no país vão reproduzidos no exterior.

Toda essa pressão corporifica o mote corrente “Assad must go”.

Após Daraya era preciso saber – dizia o presidente Obama e seguia o secretário Ban Ki-moon – se armas químicas tinham sido realmente utilizadas. Após muita negociação e penalização, o presidente Assad permite o ingresso de inspetores da ONU em território sírio.

No dia 18 de agosto de 2013, o professor Ake Sellström acompanhado dos químicos Scott Cairns e Maurizio Barbeschi foram recebidos em Damasco. Começariam as inspeções no dia 21. Seu objetivo era rastrear o uso de armas químicas em Khan al-Asal e Sheik Maqsood e Saraqueb assim como inspecionar Moadamiyah no oeste de Ghouta e EinTarna e Zamalka no leste também de Ghouta.

Coincidência ou não, no dia 21 de agosto, o mundo ao oeste da Síria recebeu, via Twitter, Facebook e YouTube, dezenas de fotos e vídeos que demonstravam a utilização inegável de armas químicas. Milhares de pessoas estrebuchando. Sem sangue nem quebraduras. Todas a caminho da morte. Ou já mortas. Dentre as quais muitas crianças. A comoção foi instantânea. As imagens realmente chocam.

A imprensa europeia e americana ia decidindo o destino do presidente Assad. A impaciência tomava conta dos debates. Representantes políticos, mais e mais, tomavam partido. As ruas de Londres e Washington foram inundadas por cidadãos clamando por “no war in Syria”.

No dia 28 daquele agosto, o Conselho de Segurança se reuniu para discutir o assunto. A Rússia e a China bloquearam de imediato a possibilidade de avanço. Voltou a pairar – agora de maneira definitiva – a ânsia de ir sem o aval integral da comunidade internacional. França e Reino Unido chegaram a cogitar. O ministro Laurent Fabius, durante a Conférence des ambassadeurs, levou adiante a assertiva. Ficou para se decidir. O primeiro-ministro David Cameron foi demandar aos membros da House of Commons. Que decidiram de imediato por “no war in Syria”.

A pressão sobre o presidente Obama foi aumentando. Começou a ser fortemente questionada a credibilidade dos Estados Unidos. Armas químicas tinham sido utilizadas. Isso figurava mais que evidente. A redline fora, então, ultrapassada. O presidente precisa agir. Mudar os cálculos.

Um comunicado à nação foi anunciado para as primeiras semanas de setembro. O dia não fora fixado. As negociações nos bastidores seguiam intensas. O destino do dossiê passou a ser exclusivamente bilateral. Estados Unidos e Rússia. Presidente Obama e presidente Putin. Secretário Kerry e ministro Lavrov.

*

10 de setembro de 2013, já tarde da noite, ocorreu o pronunciamento do presidente Obama. “We know the Assad regime was responsible” pelo uso de armas químicas.

 

We know that Assad’s chemical weapons personnel prepared for na attack near na area where they mix sarin gas. They distributed gas masks to their troops. Then they fired rockets from a regime-controlled area into 11 neighborhoods that the regime hás been trying to wipe clear of opposition forces”.

 

As informações e os detalhes demonstravam o irrefutável. “The facts cannot be denied”, avançava o presidente Obama. Mas o grande ponto e o grande momento do discurso apareceu numa frase. Curta, direta e ofensiva. “The question now is what the United States of America, and the international community, is prepared to do about it”.

A Síria vivia – e segue vivendo –em plena guerra civil. O presidente Assad vinha violando leis de guerra. Ia, portanto, produzindo crimes contra a humanidade. Estava subvertendo as conveniências e convenções, sendo a mais antiga de 1925, contrárias ao uso de armas químicas contra civis. Todo o direito internacional estava sendo transgredido. A questão do presidente Obama não era o que se deveria fazer. O que se deveria fazer – em se levando em conta o desejo de parte importante da imprensa do mundo livre – era invadir imediatamente militarmente a Síria. Ou seja, seguir a war on terror. Seguir a Bush’s way as way of war. A questão do presidente era o que os atores internacionais estavam preparados – “prepared” – para fazer.

O fantasma do Iraque e do Afeganistão jamais deixaram de rondar as decisões. A ação na Líbia fora considerada um sucesso. Uma demonstração de pro-atividade. Um respeito à necessidade. Mas a fixação na “responsabilidade ao proteger” gerava certo desgaste. “I will not put American boots on the ground in Syria”. Esse era o imperativo. “America is not the world’spoliceman”. Essa era a convicção.

Os cálculos do presidente Obama seguiam os mesmo de sempre. “American boots” na Síria era o convite para “Russian boots”. Esse cenário segue, desde muito, mais que indesejado. Restava, então, conversar. Avançar na diplomacia. Encontrar e aprofundar a saída política. Nesse contexto após o após-9/11 – ou seja, após Geronimo – os Estados Unidos do presidente Obama e a comunidade internacional, seguem preparados para conversar. Essa era a mensagem.

Foi isso que o presidente Assad e o presidente Putin – e, obviamente, também o presidente Obama – fizera nos dias anteriores a esse pronunciamento do dia 10 de setembro.

Ao passo que a opinião pública americana e europeia aguardava o pronunciamento e a posição do presidente Obama do dia 10 de setembro, Charlie Rose, dos jornalistas de maior credibilidade nos Estados Unidos, foi convocado à Damasco. O objetivo era entrevistar o presidente Assad. Questões e respostas livres durante sessenta minutos. Essa foi a regra.

Com inglês corrente, muitíssimo aperfeiçoado nos anos que vivera em Londres, o presidente Assad trafegou pelas mais variadas e espinhosas dimensões do dossiê sírio. Sobre a utilização de armas químicas foi enfático: sim, foram utilizadas; mas pelos dissidentes. O contrário – como queria a opinião pública americana e europeia e como afirmavam os representantes de França, Reino Unido e Estados Unidos – requeria provas. Provas de que foram realmente os seus homens que lançaram mão de armas letais. Sobre os abusos de poder, também demandou provas. Sobre o conflito em geral, informou ter apoio popular. Apoio popular crescente. Os “incomodados” já tinham se mudado.

Essas declarações e outras foram integralmente ao ar pela CBS americana no dia 9 de setembro. Um dia antes do pronunciamento do presidente Obama. Dois dias depois foi a vez do presidente Putin estampar a imprensa americana. Fez publicar um artigo no New York Times solicitando a continuidade do diálogo. “We must not forget that God created us equal”, concluía.

Por esses dias, entre o 9 e o 11 de setembro, sem desconsiderar toda a intensa movimentação nos bastidores da reunião do G 20 em São Petersburgo, na semana anterior, o presidente Assad livra – via intermédio do presidente Putin – suas armas químicas à tutela das Nações Unidas. Reconhece a existência de armas químicas. Reconhece a utilização, mas não pelos seu homens. Reconhece que são um risco. Admite entregá-las.

Em suma, o presidente Obama agiu. O presidente Putin cooperou. A redline voltou a ser respeitada. Os sírios, dissidentes ou não, continuaram, e continuam, morrendo. Mas pelo que consta, por vias mais convencionais. Bombardeio, snipers e assim por diante.

*

15 de março de 2016 – cinco anos de conflito; três da fixação da redline. O presidente Putin vem de anunciar a retirada de suas tropas, o Estado Islâmico domina várias porções do país, Estados Unidos, França e Reino Unido continuam na cantilena “Assad must go” e o povo – a favor e contra o regime – continua morrendo…

Daniel Afonso da Silva é pesquisador no Ceri-Sciences Po de Paris.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

4 comentários

  1. Vocês podiam ter a gentileza

    Vocês podiam ter a gentileza de traduzir os trexos em inglês. Ou não vem ao caso???

  2. Primavera rabae no Brasil

    Muito interessante, tem um site russo   http://orientalreview.org/wp-content/uploads/2015/08/AK-Hybrid-Wars-updated.pdf

    que fala sobre guerras hibridas  que usam  meios nao convencionais para fazer que determinado povo quere derrubar  o propio governo

    Em resumo falam que toda primavera arabe foi de certa forma planejada

     

    O que me faz pensar sobre sa manifestacoes de 2013 e o momento atual que vivemos, sera essa primavera brasileira 100 porcento nacional ou alguem esta nos induzindo este cenario

  3. Muito interessante, tem um

    Muito interessante, tem um site russo   http://orientalreview.org/wp-content/uploads/2015/08/AK-Hybrid-Wars-updated.pdf

    que fala sobre guerras hibridas  que usam  meios nao convencionais para fazer que determinado povo quere derrubar  o propio governo

    Em resumo falam que toda primavera arabe foi de certa forma planejada

     

    O que me faz pensar sobre sa manifestacoes de 2013 e o momento atual que vivemos, sera essa primavera brasileira 100 porcento nacional ou alguem esta nos induzindo este cenario

  4. Primavera arabe no Brasil

    Muito interessante, tem um site russo   http://orientalreview.org/wp-content/uploads/2015/08/AK-Hybrid-Wars-updated.pdf

    que fala sobre guerras hibridas  que usam  meios nao convencionais para fazer que determinado povo quere derrubar  o propio governo

    Em resumo falam que toda primavera arabe foi de certa forma planejada

     

    O que me faz pensar sobre sa manifestacoes de 2013 e o momento atual que vivemos, sera essa primavera brasileira 100 porcento nacional ou alguem esta nos induzindo este cenario

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome