China rompeu com seu passado recente, dizem especialistas

Jornal GGN – Dias depois da divulgação do comunicado imediato pós plenária – que reuniu o presidente Xi Jinping e a cúpula do Partido – acompanhado de um documento de 20 páginas anunciado três dias depois, observadores da política e da economia internacional já enxergam com otimismo o legado do líder e de seu premiê, Li Keqiang. Seus planos de reforma, dizem, são tão significativos quanto os lançados por Deng Xiaoping nas décadas de 1970 e 1980.

Em 1978, quando Deng implementava reformas econômicas vitais (como abrir para o mundo o mercado da China, na época um país isolado), enfrentou resistência de conservadores dentro do partido, que viam o investimento estrangeiro como um prelúdio para uma invasão de capitalistas estrangeiros. No caso de Xi, a oposição pode vir de cada indivíduo ou grupos de indivíduos que tenham algo a perder no caso de mudanças político-econômicas radicais.

Analistas internacionais advertiram que “dias duros” virão, à medida que as reformas propostas afetarem interesses de determinados grupos. Mais especificamente, os planos de cortar a gordura das enormes empresas estatais, que há tempos dominam a economia chinesa: novas medidas exigem que elas paguem 30% de seus lucros ao governo.

Sob as regras atuais, aparentemente exige-se delas que paguem entre 5% e 20% de seus dividendos. Mas muitas resistem a ceder até mesmo essas porcentagens ao governo central. Laços estreitos com o governo, somados a décadas de monopólio, colocam essas gigantes estatais acima das leis aplicadas a negócios menores.

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Por que elas se submeteriam a essas regras agora, quando têm ainda mais a perder? Outra reforma classificada como radical pelos especialistas é a promessa de tratamento igualitário a trabalhadores migrantes em áreas urbanas, nas províncias e nas cidades menores. Se bem-sucedida, a medida transformará a cara da China, à medida que dezenas de milhões de agricultores poderão vender suas terras e começar uma vida nova em empregos urbanos.

A contrapartida é que isso exigiria realocar o dinheiro gasto na saúde, na previdência em educação. Para que alguns ganhem, outros terão de perder, mesmo que no curto prazo. Pode ser difícil convencer a classe média urbana a aceitar a redução de seus benefícios em prol de reformas.

Os analistas gostam de lembrar que o plano de 20 páginas recém-divulgado é, por enquanto, só um plano. E o problema está tanto nos detalhes quanto na implementação. Xi e seus colegas enfrentarão resistência em diversos níveis: de governos locais a empresas estatais, bem como dos burocratas que os supervisionam. O governo central pode ter suas metas, mas são os governos locais que terão de encontrar maneiras de cumpri-las. Não à toa o governo tenha estipulado 2020 como o prazo mínimo para ver resultados positivos.

Com informações da BBC Brasil.

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3 comentários

  1. Caos à vista

    Com a população que tem, se debandar para o capitalismo em seu modelo clássico, vai ser caos total

  2. Vai liberar geral

    Se liberar geral vão se ferrar e  já há grupos econômicos tão fortes que o Estado chinês não está mais conseguindo por ordem no barraco e tende a ficar pior, pois  a ganância é muito grande em qualquer parte do mundos, querem acumular riquezas e nem prá desigualdade social, se deixar por conta o 1%  continuará abocanhando 99% da riqueza e não se fala mais nisso,  que o diga o Brasil, por aqui não aceitam a taxação de grandes riquezas, CPMF é uma blasfêmia, os empresários devem pelo menos meio bilhões de reais ao fisco e à União e as leis, feitas por eles mesmo, são prá lá de complacentes, cadeia mesmo só pra PPPP pobre,  preto,  puta e petista.

  3. Adeus cultura milenar?

    O Ocidente tentando buscar soluções na cultura oriental e enquanto isso o Oriente rasga seu passado e se ocidentaliza cada vez mais.

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