O desembarque americano no Líbano em 1958, por André Araújo

Por André Araújo

Em 1958, o Líbano estava às portas de uma guerra civil. O Egito do Presidente Nasser tinha saído vitorioso da Guerra de Suez contra Israel, França e Inglaterra e se fundira com a Síria, criando a República Árabe Unida, isolando a comunidade cristã do Líbano. O Presidente do Líbano era o cristão Camille Chamoun e o Primeiro Ministro era o sunita Rashi Karami. Pelos acordos de independência, o Presidente era sempre um cristão e o Primeiro Ministro era sempre um muçulmano. Karami queria que o Líbano se aliasse a República Árabe Síria, com o que se opunha o Presidente Chamoun, o que gerou grave crise política e uma guerra civil poderia ocorrer com Egito e Síria apoiando Karami. Chamoun apelou para os EUA que atendeu seu pedido e enviou a 6ª Frota ao Líbano, desembarcando 14.000 soldados, seis mil Marines e 8.000 soldados do Exército, a bordo dos porta aviões Saratoga, Essex e Wasp e dos cruzadores Des Moines e Boston, acompanhados de destroyers e naves transports, um total de 70 navios, sob o comando do Almirante James Holloway. A frota partiu de seu porto base em Villefranche-sur-Mer, na Riviera Francesa.

O desembarque se deu em 16 de julho de 1958, com a tropa ocupando o porto e o aeroporto de Beirut.

O Presidente Eisenhower nomeou o diplomata Robert Murphy, célebre por ter negociado com os franceses de Vichy na África do Norte em 1942, como seu emissário junto aos libaneses, com a missão de tentar um acordo entre cristãos e muçulmanos e esfriar a influência nasserista sobre a maioria islâmica do pequeno Pais.

Karami tinha também o apoio dos irmãos Ibrahim e Kamal Jumblatt, líderes dos drusos xiitas mas Chamoun tinha o apoio do Comandante do Exército, General Fuad Chehab, que depois tornou-se Presidente.

A URSS, aliada de Nasser, ameaçou intervir se os EUA entrassem no Líbano, em violento discurso de Nijita Kruschev mas Eisenhower não tomou conhecimento e autorizou o desembarque.

Os americanos saíram em 25 de outubro do mesmo ano, sendo a missão vitoriosa e pacificando as forças políticas libanesas depois de longas negociações e com a a Frota ancorada em frente a Beirute.

O Presidente Camille Chamoun era muito ligado ao Brasil, que visitou como Presidente, sendo muito homenageado pela grande comunidade libanesa e pelo Presidente Kubitschek.

A República Árabe Unida foi de curta duração, Egito e Síria são países com histórias e trajetórias muito diferentes, uma união que não poderia dar certo. O Líbano continua a viver suas contradições, que só surgiram com a independência em 1943 e a constituição de 1946, antes sob domínio romano, turco e francês as comunidades viviam em paz.

Até hoje o equilibrio multireligioso do Libano é precario, sendo palco de muitos conflitos posteriores a 1958.

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