De todas as crises, as que mais gosto envolvem Clara, por Mariana Nassif

De todas as crises, as que mais gosto envolvem Clara, por Mariana Nassif

Aliás, de todas as coisas, pessoas e possbilidades no mundo, as que eu prefiro envolvem Clara, minha filha. Não, não é grude ou exagero: penso que lá atrás, há quase vinte anos, quando nos escolhemos para este encontro, me comprometi com o desenvolver-me por ela e isso não inclui exatamente só aquilo que é reservado às atividades maternas em mim. Crescer, explorar potências, cuidar das fragilidades, encontrar propósitos e, especialmente, poder mudra tudo isso e mais um tanto em prol da liberdade que tanto almejo pra nós, ligadas por nossos laços estreitos, enfim, tudo isso vem sendo um plano do qual não abro mão.

Não preciso nem pensar. É um decisão íntima tão ligada às minhas escolhas pessoais, este estar bem pra mim pra poder estar bem pra ela, que não me parece ocupar espaço extra.
Daí, xeretanto nas caixas da mudança, encontro poesia, que por algum tempo e em algumas situações já chegou a me salvar. Não que sejam de qualidade, não acredito nisso de forma alguma, mas a reordem dos sentimentos assim, no papel, é sempre encantadora pra mim e, encanto, você já deve saber, é a mais pura beleza pra curar.

Para a Clara e eu quando a vida apertar

 

uma princesa que nos sonhos diz que sim, uma boa mãe eu sou

que mãe nunca é demais

que tudo bem de mãe assustar

que tudo certo amor de mãe demais amar

 

que nos dias corridos

cabeça baixa, ouvidos de pinico, posturas inadequadas

o que é esta evolução que estão a esperar?

 

o que eu quero?

 

não sou doce como aquelas moças todas

meu olhar não é um destes sutis

meu toque, minha ação

agride, machuca, não está abaixo do limite

nunca

 

e vem ela, claro

Clara nos meus sonhos,

transparente como filha de mim

e me diz no sonho dolorido

mamãe, qual o motivo de sofrer assim?

 

se te reconhece rocha

se te sabes menos polida

mas como rosa desabrochas

quando tens reconhecida

 

a ternura nas palavras escritas

um doce no toque das mãos

a liberdade de deixar-se ser você deste jeito

Mariana, e por quê não?

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1 comentário

  1. expressão mais linda que já vi do nascer…

    …quando nos escolhemos para este encontro…

    com minha filha Juliana deu-se assim também

    um encontro que se reveste com todas as formas da delicadeza e da formusura de uma pérola

    para mim o nascer é a vontade natural de dois corações

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