Ser feliz, uma coisa que até pode ser…, por Mariana Nassif

Ser feliz, uma coisa que até pode ser…, por Mariana Nassif

A gente também aprende a ser feliz.

Reaprende, melhor dizendo.

Tenho pensado muito sobre o ato contínuo de viver, assim, propriamente dito, e o quanto a gente simplesmente vai levando, especialmente a rotina, essas pequenas coisinhas do dia a dia, guiados por um status quo que não parece requerer tempo de escolha.

Tempo de escolha – olha só quanta boniteza pode caber nisso, mesmo que isso seja só um minuto por vez, um minuto por ato, um minuto que só. Um minuto não é algo que ninguém tenha, não é mesmo? Todo mundo tem um minuto de sobra. É apenas um minuto, mas nele cabe uma decisão enorme, que de repente pode ser uma mudança corriqueira como por exemplo silenciar ao invés de responder de bate-pronto. 

Pode ser também um ovo frito ao invés de cozido ou vice versa; pode ser correr da chuva ou caminhar e desfrutar de cada gota de água que cai do céu; pode ser avançar a noite sem ligar enfrentando o medo de não saber ou se entregar e confirmar que sim, está tudo bem, da próxima vez quem sabe entenda que é muito mais pânico do que intuição. Pode ser se abrir para algo que se parece com amor justamente por não se parecer com nada antes experienciado e pode ser remanejar pessoas para outras categorias, sem necessariamente excluir. Pode ser, até, perceber que algumas pessoas se excluem por si só, tamanho o egoísmo, e que neste minuto cabe um pequeno velório de despedida do que a gente pensou que fosse aquela relação. Pode ser o aluguel de um apartamento sem ter visto o imóvel ou pode ser a negociação de uma nova chance após uma escolha equivocada. Pode ser muita coisa dentro de apenas um minuto que parecia tão indiferente e que, sem taxa de matrícula ou promessa de guru algum, abre campos e mais campos que, por aqui, tenho chamado de oportunidades mágicas de chegar onde eu quero.

Parece mesmo que a gente se acostuma com a vida, mesmo que ela esteja ruim, e não estou falando dos acontecimentos externos, mas especialmente dos internos. Escrevi num post no meu Instagram que pode ser que a vida tenha realmente sido dura com a gente, pode ser que a gente tenha endurecido também pra olhar pra vida e, mais ainda, pode ser que este seja um dos ciclos mais comuns que a gente acabe entrando e, sem perceber, sem perceber mesmo, vai poupando a caixa de lápis de colorir acontecimentos e deixando quase tudo meio que pra lá. Nem pensa tanto assim, nem liga tanto assim, nem nada muito assim, sabe? Um estado quase depressivo, mas nem tanto. Tudo no morno. Não consigo. Por aqui não rola, e ainda bem que a alma fala mais alto. Ainda bem, ainda bem mesmo, que eu desejo escutar o que ela pede, mesmo que esteja abafada pelos gritos mentais do normativo: eu adoro um sussurro e não tenho mais medo do escuro.

Equilíbrio é algo muito, muito particular, aprendi no candomblé. Não existe uma medida padrão, não existe uma régua comum para todo mundo, porque todo mundo é muita gente. Existe transformação individual, existe equalizar os ponteiros de acordo com ética, gerenciamento de crises internas e amadurecimento, em sintonia com a natureza – se quiser começar pelas estações do ano, são um bom parâmetro: duram três meses cada. Depois disso, você pode passar para uma brincadeira com a astrologia, não o horóscopo, mas o estudo dos planetas no céu e a influência por aqui, na gente. Com o tempo e alguma percepção, vale se aproximar da lua, que tem fases quase semanais e, quem sabe, um dia, você se dê conta de estar intimamente relacionado com seus dias. Deste dia, você percebe as horas, os tempos e movimentos que compõe um período, que é o minuto. E, eu torço muito por isso, porque é verdadeiramente mágico, chega o momento que a gente consegue perceber o minuto. E que neste minuto que repente pode ser que a gente resolva escolher outra coisa do que reagir segundo o que a gente fez da vida até ali ou o que a vida fez da gente e é bem provável que more justamente aí a vibração que nos faz sentir coisas novas e, quem sabe?, até felizes.

É um exercício e, como todo exercício novo, pode promover dor naqueles lugares que a gente nem sabe que existiam. Mas que pulsam, e o pulsar, ah… propaga vida, e a vida é a coisa mais forte que existe quando a gente deseja viver.

(se nada disso fizer sentido e ainda assim você quiser aprender a ser feliz, tem um curso gratuito pra isso, em inglês, aqui neste link. É bem sério que dá pra aprender, reaprender ou, então, descobrir o que é ser feliz)

 

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2 comentários

  1. A felicidade é um luxo. No
    A felicidade é um luxo. No entanto, há lixeiros felizes e barões miseravelmente tristes. Estar bem consigo mesmo independe de fortuna.
    A Fortuna, aliás, sempre foi uma deusa caprichosa. Ela concedia poder, riqueza e glória, mas também fomentava a discórdia. E assim o que provocava felicidade era transformado também num instrumento de dor.
    O melhor é aproveitar a vida sem se preocupar em ser feliz ou infeliz. Essas duas coisas temperam a vida o tempo todo.

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