Hy-Brazil: o momento Geisel

    Hy-Brazil: o momento Geisel

    24/02/2019

    “Isto é inegociável para o Brasil. Não temos como negociar. A Democracia, a igualdade a quebra dos preconceitos. Isto não tem mais como voltar atrás. Isto é um avanço que temos de cultivar.

    […]

    Racial, sexual, o próprio preconceito social. Todos estes preconceitos, eles tem que ser vencidos. E a nossa geração, e aí eu vou incluir aí a minha geração, nós tínhamos esses preconceitos muito arraigados, que foram pouco a pouco, se demonstrou que isto não tinha fundamento. Isto precisava ser vencido.”

    General Augusto Heleno – “Conversa com Bial”, 12/12/2018 – 8′:30”

    Castelo Branco (1964/1967) adotou um política econômica contracionista, marcada pela internacionalização, superexploração e concentração de renda, além de um submisso alinhamento automático aos EUA, a ponto de participar com 1.250 soldados da “pacificação” da República Dominicana, em 1965.

    Geisel (1974/1979) pautou a política externa pelo “pragmatismo responsável”, denunciou o tratado militar com os EUA, reatou relações diplomáticas com a China, reconheceu a independência de Angola, assinou acordo nuclear com a Alemanha, exonerou o comandante do II Exército por conta dos assassinatos de Vladimir Herzog e Manoel Fiel Filho, impediu o “auto-golpe” de seu Ministro do Exército, extinguiu o AI-5 e lançou o até hoje mais complexo e ambicioso plano de nacional de desenvolvimento: o II PND.

    embora Geisel tenha vencido muitos “preconceitos” importantes, faltou romper com dois dos mais decisivos:

    – o grande empresariado brasileiro, de modo geral, jamais será parceiro de um autêntico desenvolvimento nacional com inclusão social;

    – nenhum desenvolvimento nacional se viabiliza sem o protagonismo da participação popular.

    “A verdade é que não estamos diante de uma simples crise, aguda embora, de reajustamento econômico em larga escala. Enfrentamos uma mudança estrutural de toda a economia mundial. O Brasil está conseguindo evitar a estagnação e a recessão.”

    Ernesto Geisel – apresentação do II PND

    véspera do Natal de 1975, em cadeia nacional de rádio e TV

    “No que se refere ao plano propriamente dito, o II PND cumpriu toda sua conturbada trajetória, como um produto de gabinete, incapaz de obter o apoio, e muito menos a mobilização de uma sociedade, que não participou de sua elaboração e não tinha como controlar sua execução.

    […]

    O que fracassou foi a chamada “estratégia social”, de acordo com a qual seria necessário “realizar políticas redistributivas enquanto o bolo cresce”.”

    “A Economia Brasileira em Marcha Forçada”

    Antonio Barros de Castro e Francisco Eduardo Pires de Souza

    “Geisel teve um enorme sucesso na obtenção do financiamento privado externo e deixou montada uma extraordinária máquina produtiva estatal bem como o sonho de uma Nação-potência. Mas, mesmo assim, teve que se submeter a uma rigorosa, ainda que oscilante, política macroeconômica monetarista, que, instigada pela inflação e pelo desequilíbrio do balanço de pagamentos, estimulou, até o limite, o endividamento externo em, que todos, unidos, se afundaram mais à frente. Deixou como herança de seu sucesso a forte suspeita de que esse Estado não foi montado com vistas a uma industrialização pesada, mas como objeto de desfrute cíclico generalizado. Desfrute na predação, quando as coisas vão bem, e na socialização das perdas, quando as coisas vão mal.”

    “SONHOS PRUSSIANOS, CRISES BRASILEIRAS”

    José Luis Fiori

    “Mas, o II PND, enquanto estratégia de superação da crise e consolidação dos interesses de longo prazo da economia brasileira, que rejeita e redireciona os impulsos procedentes do mercado, poderia haver sido adotado através dos mais límpidos processos democráticos. Em outras palavras, a perversão política reside nos métodos através dos quais o II PNBD foi definido e implementado.”

    “A Economia Brasileira em Marcha Forçada”

    Antonio Barros de Castro e Francisco Eduardo Pires de Souza

    “O antiestatismo de nossos empresários liberais não consegue esconder suas prolongadas relações de dependência clientelista com o próprio Estado. Mas o estatismo de nossos desenvolvimentistas — dos conservadores mais do que dos progressistas — tampouco consegue justificar as alianças que comprometeram historicamente o Estado com a parafernália corporativa e cartorial e com o autoritarismo, sendo que o reformismo de nossos social-democratas não consegue jamais esclarecer como se faz a omelete da reforma do Estado sem quebrar os ovos que alimentaram os vários e heterogêneos segmentos pactados na base social de apoio á estratégia que modernizou nossa sociedade sem ampliar a cidadania social e política.”

    “SONHOS PRUSSIANOS, CRISES BRASILEIRAS”

    José Luis Fiori

    vídeo: Venezuelanos sendo expulsos do Brasil ao som do hino nacional


    vídeo: #Coronel José Jacaúna fala sobre episódio lamentável na #Venezuela

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