…Da cumplicidade silenciosa da sociedade que acolhe as práticas genocidas de Witzel e Doria Jr….

    …Da cumplicidade silenciosa da sociedade que acolhe as práticas genocidas de Witzel e Doria Jr….
    (sobre o artigo “Assim como Witzel, Doria segue a trilha do genocídio”, do Luis Nassif)
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    Processos político-sociais imersos na barbárie e crueldades indescritíveis, que negam nosso senso mais primário do que seja civilizado e mesmo humano, tragicamente ocorrem, na maior parte das vezes com a cumplicidade ativa – mesmo que silenciosa… – das elites e classes médias de suas sociedades civis. O recrudescimento do racismo nos sul dos EUA nas décadas de 40 a 60 no século passado, o nazismo, e se voltarmos mais no tempo, a própria prática da escravidão, encarada como “normal” por séculos – evidência das mais cristalinas do que somos capazes, nós os “homo sapiens”.
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    O que assistimos há décadas nos grandes centros urbanos do Brasil, HOJE EXACERBADO E, NA PRÁTICA, LIBERADO pelos governadores Witzel e Doria Jr., encaixa-se à perfeição no descrito acima: os mapas que definem os eleitores que votaram em políticos com um discurso REPULSIVO, como os dois citados e a besta-fera mor, Jair Bolsonaro, revelam que as elites e classes médias brasileiras, usados como padrão a renda e a escolaridade, votaram nesses governantes num índice SUPERIOR A 70% – não é pouca coisa, ao contrário, sustenta a tese desse artigo, que são sim, “os cúmplices silenciosos” desse tempo de ódios e intolerâncias diversos, desse tempo em que LIBERAR OS PMs PARA A PRÁTICA DE GENOCÍDIOS, é defendido até pelo grande herói desses segmentos sociais: Sérgio Moro! Ora, a INSANIDADE CRIMINOSA E ASSASSINA havida na ideia central do projeto de Moro, conhecido como “o excludente de ilicitude”, nada mais é do que A LICENÇA LEGAL PARA ESSES ASSASSINATOS, e mal arranharam a imagem do “justiceiro-celebridade” dessas mesmas elites e classes médias. Esse apoio irrestrito ao fascismo, à perversidade e covardia de Bolsonaro, Moro, Witzel e Doria, repito, são reveladores “do que é” enquanto sociedade atrasada, preconceituosa, indiferente à vida humana dos excluídos e incivilizada, nossa elite e nossa classe média.
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    Porque chamar essa cumplicidade perversa de “silenciosa”? Porque são poucos os fascistas preconceituosos “ruidosos” em nossa sociedade, nesses segmentos sociais, os cretinos que vemos nas ruas – e infelizmente, às vezes, nas nossas famílias e rodas sociais… – e que gritam seu ódio com orgulho, em frases como:”tem que matar mesmo!”, ou “tá com pena? leva pra casa, esquerdopata!”, ou uma das mais boçais: “direitos humanos só para bandidos, nunca vi essa turma defendendo os policiais…” – como se os projetos de Lei defendendo os policiais não tivessem vindo, a maioria, pelas mãos de deputados e senadores da esquerda, como se os policiais não fossem eles mesmos, VÍTIMAS DESSAS GUERRA CIVIL, inclusive tendo um índice de suicídios imensamente superior aos “índices normais”… – quem sabe, um dia, essa classe digna de trabalhadores, os policiais, não perceba que são tão “descartáveis” para gente como Witzel e Doria, quanto os favelados que eles matam “com um tiro na cabecinha”… (sic). São a bucha de canhão, a ponta de lança de um sistema tão desumano e perverso, que não bastam as FAVELAS, a falta de oportunidades, a fome, o trabalho escravo na informalidade, NÃO BASTAM A MISÉRIA E A HUMILHAÇÃO, há de se matá-los, numa roleta russa de crueldade indizível, onde nenhuma dessas pessoas (os moradores das comunidades carentes) pode garantir que não será o próximo morto.
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    Mas o que fazem esses “cúmplices silenciosos”? – Em primeiro lugar, não percebem que odiar líderes como Lula e governos como os do PT, é odiar em si a ÚNICA PRÁTICA QUE PODE UM DIA ACABAR COM NOSSAS MISÉRIAS E COM ESSE HORROR: programas políticos que produzam a inclusão social! O que Lula fez como nenhum outro estadista antes dele, no Brasil, e poucos, na História.
    Não existe “vácuo ideológico” na mente humana: se SATANIZAMOS “um tipo de político e suas ideologias”, automaticamente nossa mente buscará a ANTÍTESE de tudo aquilo que “satanás representa”, como a resposta AO NOSSO NOJO!
    Por isso a grande mídia fez “um trabalho perfeito”, não ao “combater Lula e o PT”, mas torná-los exatamente nisso, “O SATANÁS”, o “mal absoluto” – como pode a mente de um homem que se acredita “do bem”, que vê em Moro um herói, ser racional e enxergar com lucidez tudo o que de bom Lula e o PT fizeram à nossa nação, ao nosso povo? Não consegue! A cegueira dos preconceitos e dos fanatismos agora arraigados em sua alma, não permite que veja com clareza. Coloca tudo, dentro de seus julgamentos “racionais”, éticos e emocionais, num “mesmo pacote” – “É coisa vinda do Lula ou do PT? Não quero, é lixo, é esgoto, quero a antítese disso para o meu país”… – eis o nível de doença psíquica e social com que lidamos, e eis, em parte, o que faz essas pessoas votarem em gente abjeta como Doria, Witzel e Bolsonaro.
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    A tragédia ainda maior desse estado de coisas, é que os Ministérios Públicos e o Poder Judiciário de um modo geral, abraçam essas crenças, essa cegueira, esse caldo fétido fascista que banha nosso país, com um vigor desconcertante! Promotores, juízes, procuradores, tendem a blindar políticos de linha contrária ao PT, fecham seus olhos aos genocídios em prática, e muitos, na verdade, celebram e apoiam todo o horror… – O que fazer, quando as instituições criadas para impor os limites da Lei aos governantes, QUEBRAM A LEI, OS DIREITOS HUMANOS, TUDO, TUDO, porque estão engajados pessoalmente, seus membros, nessas ideologias fascistas? Eis uma das questões mais cruéis desse tempo.
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    Nós, sociedade civil, temos que reagir com a máxima urgência e a máxima firmeza. Não cabe mais nos quedarmos deprimidos diante da avalanche do esgoto incivilizado, selvagem, covarde, odioso, que invade o Brasil de hoje. Temos que ecoar os textos e artigos que denunciam o horror. Temos que resistir! Abrir diálogo com os que ainda não estão totalmente cegos e surdos, tentarmos juntar uma parcela da sociedade que possa ir às ruas, às redes sociais, gritar que não queremos mais ser um país genocida!
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    Basta!
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    (artigo escrito sob efeito do genocídio cometido pelos PMs de Doria Jr. em Paraisópolis, onde nove seres humanos perderam suas vidas num evento absurdamente desnecessário, trágico e covardemente perverso)