…Sobre Diego Ribas, Mauro Cezar Pereira e o lado perverso do jornalismo esportivo…

    …Sobre Diego Ribas, Mauro Cezar Pereira e o lado perverso do jornalismo esportivo…
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    Futebol vai muito além de um esporte, apenas:  poucas atividades planetárias envolvem tanta paixão, paradoxos, ciência, mistérios, improvisos e, às vezes, drama e arte em doses que nos atingem como uma comoção…  Não a toa, nesse auge do capitalismo que vivemos, movimenta centenas de bilhões de dólares com times multimilionários, jogadas escusas, salários astronômicos e, como nunca, uma “mídia especializada” que se alimenta do futebol e o retroalimenta na sociedade, muitas vezes com a criação de polêmicas vazias e críticas pra lá de exacerbadas.  Um jornalista de peso, mesmo que não especialista na área, escreveria um grande livro sobre o tema.  Hoje, amador assumido, assumo o risco de palpitar sobre um dos “cases” que acompanhei ao longo dos últimos três anos – as pesadas críticas do jornalista Mauro Cezar Pinheiro ao jogador Diego Ribas. Teriam fundamento? Eram aprofundadas e justas vendo todos os fatores envolvidos no “péssimo rendimento” do jogador?  Era Diego Ribas, afinal, um dos “responsáveis pelo modo banana do Flamengo jogar em 2017 e 2018…?” (acusação reiterada pelo jornalista inúmeras vezes, nos programas e blogs em que participa).
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    Para dar uma certa ordem aos argumentos que quero utilizar, ME CONTRAPONDO ao “tipo de crítica” e ao seu conteúdo em si, utilizados por Mauro Cezar, elenco os pontos um a um a seguir:
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    Ponto Um – O Flamengo errou de modo drástico e imperdoável a entregar seu time entre 2016 e 2018, num total de DOIS ANOS, a dois treinadores “amadores”, por assim dizer. Zé Ricardo e Barbieri, SEM NENHUMA EXPERIÊNCIA ANTERIOR COMO TÉCNICOS, SEQUER DE TIMES DE SEGUNDO PATAMAR, de repente recebem um time reforçado, apto sim, a lutar por títulos brasileiros e internacionais, se tivessem a comandá-los técnicos mais experientes (mesmo entre os ditos “ultrapassados brasileiros”, como dita a moda de nossa mídia esportiva em geral…). Não me recordo quais técnicos cometeram alguns desses erros BÁSICOS, mas enumero-os rapidamente: 1) Escalar Muralha numa decisão, após uma partida contra o Santos em que ele falhou de modo dantesco em dois gols sofridos. Abatido, Muralha nem chegou perto de agarrar qualquer dos pênaltis na decisão que o Flamengo perdeu para o Cruzeiro – sim, sei que Diego perdeu um dos pênaltis naquela decisão…), e deixou o time inseguro por todo o jogo.
    2) Deixarem Cuellar oono banco de reservas por mais de um ano e meio, em troca do insosso Márcio Araújo.
    3) Insistirem com jogadores como Gabriel, que fazia a torcida do Flamengo chorar, sem compreender o motivo dessa insistência absurda.
    4) Levarem novatos para um jogo fora do país numa jogo decisivo da Libertadores, um deles, nervoso, entregou o ouro ao entrar faltando quinze minutos. Alguns dos chamados “cascudos”, sequer viajaram para a partida, uma insanidade!

    Me parece claro que INDEPENDENTE de falhas individuais, era pedir demais que Diego e Éverton Ribeiro, os dois craques do time, sozinhos resolvessem esses furos estratosféricos criados por técnicos SEM CULPA ALGUMA por sua inexperiência óbvia!
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    Ponto Dois – Diego Ribas é um típico jogador do meio de campo. Brilhará mais ou menos intensamente se tem à sua disposição jogadores rápidos e inteligentes que se movimentem para receber o que chamamos “um bom passe”. Além disso, quem o viu distribuir alguns desses passes aos Gabriéis da vida e outros, em nada semelhantes à dupla infernal Gabigol e Bruno Henrique, ou mesmo laterais como Rafinha ou Felipe Luís, se deprimia pela quantidade de jogadas e gols perdidos por falta de continuidade técnica do trabalho executado por Diego no Flamengo.
    O Coríntians foi campeão em 2017 com Carile, porque seu meio de campo tinha um atacante em estado de graça – Jô! – que cansou de dar vitórias “magras” de um a zero ao time paulista, por aproveitar as poucas oportunidades criadas pelo seu time. NENHUM TIME É CAMPEÃO SEM UM BOM ATACANTE, e o Flamengo viveu tempos secos no período de Diego antes de 2019.
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    Ponto Três – Um time “corre menos”, às vezes, não por preguiça ou “sacanagem” ou “modo banana” de seus jogadores. Mas porque muitas vezes não são treinados DE VERDADE, sobre como procederem com ou sem a bola, com variação de jogadas exaustivamente treinadas no dia a dia, marcação sob pressão no adversário, o entendimento tático do jogo, é evidente que a motivação é maior quando se tem uma grande consciência – repetida em treinamentos… – do que se fazer em campo, e os jogadores PASSAM A CONFIAR naquilo que o técnico lhes transmite. Dois exemplos fáceis? Comparem a INTENSIDADE de jogo do Santos e do Atlético Paranaense, sob a batuta de Sampaoli e Tiago Nunes, nesse ano de 2019. Muito superior à média da intensidade demonstrada por rivais do porte de um Palmeiras, um São Paulo, quase todos os outros, na verdade. Teriam esses atletas “mais vergonha na cara” do que seus companheiros de profissão? Evidente que não é esse o caso! O jogador se movimenta mais e com mais intensidade QUANDO ISSO PASSA A FAZER UM SENTIDO TÉCNICO E TÁTICO COMPREENSÍVEL E TREINADO, em que ele vislumbre com exatidão “o que tem que fazer em campo” para que seu time vença e ganhe títulos!
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    Todas essas coisas citadas, Diego Ribas as teve QUASE NADA no Flamengo. Foi com Jorge jesus e os últimos reforços, que finalmente tem um elenco e um técnico À ALTURA DE SEU TALENTO ENORME E A DIGNIDADE COM QUE PRATICA SEU OFÍCIO!
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    Ao NÃO COLOCAR EM SUA ANÁLISE todos esses fatores, ao contrário, AO CULPABILIZAR DIRETAMENTE O JOGADOR DIEGO RIBAS pelo que chamava de “modo banana” do Flamengo jogar, Mauro Cezar Pereira foi injusto, de certo modo, leviano, e jogou sobre os ombros do atleta e do ser humano, um peso quase insuportável, fazendo com que parte da torcida – manipulada por seus paroxismos perversos… – até hoje, veja o jogador como uma espécie de “símbolo do Flamengo que nasceu para perder…” – enquanto o time titular de hoje, é o símbolo do “Flamengo que nasceu para ganhar”…. – Poucas coisas podem ser tão injustas e falsas no mundo do futebol como essa análise repetida pelo jornalista Mauro Cesar Pereira.
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    Hoje, em dois jogos apenas, finalmente a verdade apareceu de modo cristalino! Diego Ribas foi absolutamente DECISIVO E NECESSÁRIO nas viradas contra o Ríver Plate e o Al Hilal, no primeiro, tendo participação fundamental nos dois gols, e hoje, igualmente.
    Ora, teria “mudado” o jogador de 34 anos? Evidente que não! Mudaram as circunstâncias, os atuais companheiros, os atacantes rápidos e fatais, o jogo agressivo, Diego pode ser “vertical e incisivo”, como tanto dele se cobrava.
    Nada deve, nem a Gérson nem a Éverton Ribeiro, poderia com tranquilidade se tornar um dos titulares desse time, mas não é isso o que importa.
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    Importa refletirmos sobre uma questão: Há limites no “tipo e contundência de críticas” que um jornalista pode fazer pela TV a uma massa de gente apaixonada, execrando um técnico, um jogador, às vezes de modo que chega perto da crítica vexatória, desumana, desrespeitadora e, por isso mesmo, cruel e injusta?
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    Críticas “pontuais”, podem ser vazias de sentido quando não se analisam todos os fatores envolvidos em um jogo, um campeonato, a performance de um jogador…
    Diego Ribas merecia críticas específicas, mas DENTRO DE UM CONTEXTO.
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    Escreve hoje, esse atleta, uma das páginas mais gloriosas de superação no futebol depois de tantas e pesadas críticas. Ajudou Arrascaeta a roubar a bola de Prattes, do Ríver, no primeiro gol da decisão da Libertadores, e viu quando Gabigol pediu o lançamento longo ao fim da partida, quando, sem medo de ser criticado, fez o lançamento perfeito, ciente que dependeria – como de fato foi o que ocorreu… – de que um pouco de sorte ou um erro dos zagueiros, permitisse ao Gabigol a chance do arremate fatal. Flamengo campeão da Libertadores.
    E hoje, contra o Al Hilal, foi dele o passe magistral para o Rafinha centrar a bola para o gol de Bruno Henrique, o da virada, além do passe para o ponta rubro-negro cruzar a bola para o terceiro gol e assim determinar o fim do jogo com a vitória do Flamengo.
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    Parabéns ao Diego! Deus, o acaso ou sua determinação, lhe fizeram justiça.

    O jornalismo pode e deve ser crítico, sem que isso envolva exageros e execrações públicas de quem quer que seja.
    Que os jornalistas aprendam essa lição!

    Quanto ao Diego, marcou, finalmente, seu nome na História do Flamengo.