Um Tarantino atarantado


    Um dos temas centrais Once Upon a Time in Hollywood é o movimento hippie. Portanto, como pré requisito para entender o que vou dizer sobre o filme sugiro ao leitor ver algo sobre o assunto:

    Haight Ashbury in the 60s
    https://youtu.be/OyDozgN_P0I
    https://youtu.be/_acGtpB5oPc
    https://youtu.be/sNB2vd5vBb0

    The Way it Was: San Francisco Summer of 1967
    https://t.co/wfrSIdcWJY

    The Best Documentary To Understand The Hippies
    https://t.co/RqxCDKxeub

    O império norte-americano nunca mais foi o mesmo país depois dos hippies. Eles provocaram uma verdadeira revolução nos costumes, nas relações familiares, raciais e sexuais, nas artes e na política.

    Tudo isso e muito mais pode ser dito sobre o movimento que sacudiu os EUA nos anos 1960. E agora vem Tatantino uma vez mais espalhar preconceitos sobre os hippies, retratando-os em Once Upon a Time in Hollywood como sujos, vagabundos, exploradores de velhos cegos, viciados em TV, violentos e maníacos sexuais.

    Após ver esse filme, fiquei com uma grande desejo de pedir meu dinheiro de volta. Once Upon a Time in Hollywood é um manifesto anti-hippie cheio de ódio, simplificações e preconceitos. O filme é uma bad trip. Dessa vez, Tarantino realmente conseguiu entrar para a história cinematográfica da infâmia.

    Quem conhecer bem a história dos anos 1960 e for ver esse filme precisa se preparar para ficar com muita raiva. O pacifismo e a defesa da natureza são os maiores legados dos hippies. Ao ignorar isso e agredir a imagem deles de forma cruel e preconceituosa, Tarantino peidou na cara dos rebeldes pacifistas e ecologistas.

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    Pior, ele fez isso justamente no momento em que os herdeiros do movimento hippie lutam para frear o ímpeto belicoso do imperialismo norte-americano que ameaça destruir o planeta de uma maneira ou de outra. Enquanto Tarantino gastava uma fortuna para dar forma aos seus pesadelos preconceituosos, os EUA preparam 3 guerras (Venezuela, Irã e China) e Donald Trump e seus clones na Europa e na América Latina se recusam a admitir que o capitalismo selvagem, predatório e desregulado está comprometendo a perpetuação da vida no planeta.

    Once Upon a Time in Hollywood tem quase 3 horas. Na letra de uma música de 3 minutos é possível apreciar tudo de bom que Tarantino deixou fora do filme.

    https://youtu.be/0ZGBLxYxJNk