Uma tragédia napoleônica à moda brasileira

    Num vídeo delicioso, Luis Nassif desancou Bolsonaro e seus agregados comparando-os à cena de um filme Mazzaropi https://jornalggn.com.br/tv-ggn/recado-do-nassif-bolsonaro-e-seus-miquinhos-amestrados/. Eis o filme. A cena mencionada pelo jornalista começa a partir dos 55 minutos.

    Em algum momento a comédia bolsonariana vai se transformar em tragédia. Portanto, há uma outra cena de filme que merece ser lembrada.

    Refiro-me àquela cena do filme Waterloo (1970) em que Napoleão explode de raiva ao saber que o Marechal Ney liderou uma desnecessária e militarmente inútil carga de cavalaria ao ver que os ingleses haviam começado a retroceder.

    O que Ney interpretou como sendo uma debandada era, na verdade, um recuo bem organizado ordenado pelo Duque de Wellington. Ele organizou seus homens em quadrados logo depois de uma elevação e longe do campo de visão do comandante da cavalaria francesa. Enquanto Napoleão pragueja contra Ney, o Marechal e seus cavaleiros são fustigados pelos tiros e pelas baionetas dos ingleses.

    Como o próprio Napoleão, Michel Ney teve uma origem modesta https://pt.wikipedia.org/wiki/Michel_Ney. A carreira dele decolou depois do sucesso da Revolução Francesa. Ney conseguiu chegar ao topo porque aderiu ao golpe do 18 Brumário e se devotou inteiramente aos caprichos do imperador Napoleão. Ao desperdiçar a cavalaria numa carga temerária sem o apoio da infantaria, o Marechal Ney acelerou a derrocada de Napoleão em Waterloo.

    Bolsonaro certamente não pode ser comparado a Napoleão Bonaparte. Mas um dos filhos do mito já está fazendo jus ao título de Marechal Ney tupiniquim. Flávio Bolsonaro subiu na vida junto com o pai, agora vai involuntariamente ajudar a destroná-lo.