Pedido de desculpas ao MBL é admissão de grave responsabilidade

    Normal
    0

    21

    false
    false
    false

    PT-BR
    X-NONE
    X-NONE

    /* Style Definitions */
    table.MsoNormalTable
    {mso-style-name:”Tabela normal”;
    mso-tstyle-rowband-size:0;
    mso-tstyle-colband-size:0;
    mso-style-noshow:yes;
    mso-style-priority:99;
    mso-style-parent:””;
    mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;
    mso-para-margin:0cm;
    mso-para-margin-bottom:.0001pt;
    text-align:justify;
    line-height:150%;
    mso-pagination:widow-orphan;
    font-size:12.0pt;
    mso-bidi-font-size:11.0pt;
    font-family:”Arial”,sans-serif;
    mso-fareast-language:EN-US;}

    Ao pedir desculpas ao MBL se depreende do áudio do ex-juiz Sérgio Moro duas coisas:

    1.    A “provável” autenticidade do material publicado pelo The Intercept que ele não nega exprimindo sobre ele apenas dúvidas superficiais, pois se fossem dúvidas profundas, elas teriam desaconselhado fortemente o pedido de desculpas e

    2.    Que pode sim, mas não tem certeza, pois já não tem as mensagens do Telegram, ter efetivamente tentado manipular, através do Ministério Público, um Movimento Social e mais grave a própria Opinião Pública, o que tenta justificar no áudio pelo momento tenso decorrente do vazamento da comunicação entre Lula e Dilma.

    Quanto ao primeiro ponto, fica evidenciado que não resta dúvidas de que essas últimas publicações trazidas à luz do dia pelo The Intercept foram fonte suficientemente legítimas e verdadeiras para uma grave decisão por parte do ex juiz de se desculpar ao MBL, pois o reconhecimento de sua culpa nesse caso seria profundamente desaconselhável.

    Isso significa que nessa fase extra ou pré judicial do provável processo que será aberto para investigar as denúncias do Intercept que o ministro Sérgio Moro já começou, e tem direito, a exercer o seu direito de defesa junto a aliados que agora podem ser importantes para ele.

    Porém isso significa que, ao reconhecer possíveis razões para se desculpar o ministro demonstra que o crime denunciado é presumivelmente verdadeiro. Portanto, como está em curso o seu legítimo exercício de defesa, fica também aberta a oportunidade de que a investigação seja aberta, na Justiça ou no Congresso. O ministro não diz que não tentou inibir o MBL, diz que já não sabe, aliás justifica que talvez tenha realmente indicado esse caminho ao Ministério Público para poupar o Ministro Teori do constrangimento.

    Quanto ao segundo ponto fica claro que se o juízo no seu dever de imparcialidade não pode acertar com o Ministério Público a melhor maneira de condenar um réu, o que dizer da provável, nesse caso, manipulação de um Movimento Social e da Opinião Pública, através do Ministério Público?

    Ora, o que o Intercept Brasil denunciou nesse  23 de junho, juntamente com a Folha de São Paulo, foi precisamente o fato de que ao tentar evitar manifestações em frente à casa de Teori Zavascki pelos “tontos” do MBL o ministro tentava manipular a opinião pública com o intuito de esfriar a polarização entre ele e o Ministro no que toca ao vazamento dos áudios do diálogo entre Lula e Dilma.

    Porém, o que é também grave, o seu pedido de desculpas atesta que o Ministério Público em lugar de ter papel independente do juízo, funcionava como seu ajudante de ordens.

    Se tudo isso é verdade, qual seria então o propósito de todas essas manipulações? Um juiz desinteressado poderia mover-se para buscar por parte dos protagonistas diversos envolvidos num dado processo, um comportamento que fosse útil a uma sentença ainda não formulada? Evidentemente que não.

    O que é obvio é que se o juiz é neutro e desinteressado do resultado do processo e se não formulou ainda a sentença, que tampouco teria qualquer necessidade de manipular quem quer que fosse, pois inexistira motivação. Tudo isso lhe seria, como deveria ter sido, inteiramente alheio. Incluído aí as manifestações de rua do MBL.

    Portanto, a manipulação, asseverada agora pelo pedido de desculpas, parece provar em definitivo aquilo que desde sempre o ex-magsitrado tem peremptoriamente negado: o seu interesse a priori na legitimação pública da sentença condenatória. Parece ser a única peça que torna compreensível o conjunto das manipulações admitidas pelo próprio ministro como possíveis.

    As desculpas de Moro tendem a provar portanto (1) que o que o Intercept diz é verdade, (2) que o Ministério Público e o juízo eram um só time para condenar, (3) que a manipulação tentou se estender à Sociedade Civil (o MBL) e (4) à Opinião Pública e (5) mais importante, que tudo isso só pode ser explicado por uma intenção condenatória à priori.

    Nesse dia 23/06/2019 o pedido de desculpas do ex-juiz foi publicado pelo próprio MBL