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SP não segue padrão de politicas públicas por região, revela série histórica

Alerta é apresentado no Mapa da Exclusão-Inclusão Social que setoriza mais de 36% dos distritos com exclusão intensa ou grave

SP nunca aplicou padrão de distribuição de políticas públicas em toda sua história, alerta estudo

no Brasilianas

Um levantamento de duas décadas para diagnosticar o grau de inclusão e exclusão na cidade de São Paulo revelou que não existe nenhum padrão na distribuição de políticas públicas ocasionando índices de intensas desigualdades sociais no território da maior metrópole do mundo. A conclusão foi levantada pela pesquisadora socioterritorial da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Dirce Koga, coatora do Mapa da Exclusão e Inclusão Social de São Paulo (MEIS), durante o fórum Brasilianas - Saídas para ao Brasil crescer, para marcar o lançamento da nova plataforma.

"Verificamos que a presença dos serviços básicos como saúde, educação e assistência básica são distribuídos de forma desigual na cidade. Não existe um padrão de distribuição nem uma lógica de política pública", destacou Koga.

O trabalho avaliou índices de inclusão e exclusão nos 96 distritos da cidade, setorizando todos em cinco categorias: exclusão intensa, grave, moderada, reduzida e, por último, aqueles com inclusão social. Pelo menos 35 deles, ou 36% do total, estão na categoria de exclusão intensa e grave, enquanto 39 na categoria de exclusão moderada ou reduzida e apenas 22 distritos na categoria de inclusão social, ou seja, com recursos básicos como asfalto, iluminação, saneamento e equipamentos de segurança, saúde e educação presentes para atender a população local.

O mais distrito excluído de todos é Marsilac, no extremo norte da cidade, já o distrito considerado mais privilegiado é Itaim Bibi, na região central.

Um dos distritos que chamaram a atenção dos pesquisadores foi Guaianases. Apesar de estar dentro do grupo dos distritos com exclusão grave, a região apresentou maior presença de creches, comparativamente a outras regiões. "Poderíamos pensar que isso se deu graças a gestão pública, mas não. Se a gestão pública fosse correta nós teríamos o mesmo padrão em todas as regiões de São Paulo. Provavelmente Guaianases conquistou esse recurso pela mobilização popular", avalia Koga.

Preconceito

Uma preocupação levantada pela pesquisadora é a associação entre pessoas e territórios.  Esse fenômeno foi identificado, por exemplo, no bairro Jardim Marcelo, localizado em Parelheiros. Apesar de ser apenas um bairro, dentro do mecanismo territorial da cidade, a pesquisa aponta que existem "três" Jardins Marcelo, separados conforme o tempo de ocupação do bairro. O primeiro setor, em azul como mostra a imagem à seguir, marca o local onde o bairro nasceu, chamada pelos moradores de Vila Marcelo, seguido das faixas amarela e vermelha, que vão apresentado graus de urbanização e serviços públicos cada vez menores. O senso do IBGE de 2010 mostra, por exemplo, que 97% das casas da Vila Marcelo, por exemplo, recebem água encanada, contra apenas 10% das zonas mais excluídas.

Jardim Marcelo: a distribuição de urbanização e serviços públicos segue desigual
As três faixas territoriais dentro de um mesmo bairro: Jardim Marcelo

A distinção territorial, segundo Dirce, leva os moradores da Vila Marcelo a apresentarem um alto índice de rejeição aos  moradores das demais partes menos favorecidas. "As pessoas do Jardim Marcelo não frequentam a Vila Marcelo [mais desenvolvida em termos urbanos]. Eles não se sentem parte do bairro, se sentem excluídos", completa.

A pesquisadora conclui que reverter esse processo histórico de desigualdades na cidade de São Paulo abrange mais do que as autoridades da gestão pública. É necessário ampliar a legitimidade tanto de governantes quanto da população e fortalecer a cultura de solidariedade, destacou Dirce, lançando mão de observações realizadas pela coordenadora do estudo Aldaíza Sposati, quando o trabalho foi publicado pela primeira vez, e 1996.

Leia também: Desigualdade em SP está congelada e sem perspectiva de melhora no curto prazo

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Alvaro Tadeu

São Paulo não pode parar...a miséria!

Gostaria de que o pessoal desse uma lida no livrinho "São Paulo, Crescimento e Pobreza", editado pela diocese de São Paulo em 1975, sob responsabilidade do então cardeal arcebispo da cidade, D. Paulo Evaristo Arns. Desde lá, nesses 42 anos, pouca coisa mudou. Os miseráveis continuam miseráveis, os pobres que ainda podem fazer três refeições diárias, uma classe média subalterna que pensa que é elite porque fez uma viagem à Disney em seiscentas prestações e a classe realmente rica, a que verdadeiramente manda na cidade, elege a maioria da Câmara Municipal e os prefeitos, 2 em cada 3 eleições.

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