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A corte ao Irã

O simplismo dos analistas que previam o fracasso econômico e social do Governo Lula, previu também, antes e depois do histórico acordo com Irã e Turquia, o seu fracasso diplomático. O Brasil ficara internacionalmente isolado, já que até Russia e China puxaram a escada, apoiando as (nada)draconianas sanções anglo-franco-americanas.

Eis a Russia. Aguardem a China.

Do NYTimes:

Diante de sanções americanas, Rússia oferece ajuda ao Irã

Programa anunciado por Medvedev "convida" empresas russas a infringir proibições

The New York Times | 18/07/2010 08:00

O ministro de energia da Rússia anunciou nesta semana um amplo programa de cooperação com o Irã nos setores de petróleo, gás natural e petroquímica, que parece convidar empresas russas a infringir sanções adotadas pelo governo Obama há apenas duas semanas.

As sanções foram criadas como meio suplementar de punir o Irã por se recusar a encerrar o seu programa nuclear sigiloso, depois que os Estados Unidos conseguiram convencer Rússia e China a concordarem com limitadas novas restrições comerciais estabelecidas em uma quarta resolução do Conselho de Segurança da ONU contra o país, aprovada em junho. Austrália, Canadá e Europa também decidiram aplicar medidas adicionais contra o Irã.

Embora determinadas a evitar o tipo de investimento mencionado pelo ministro, as sanções americanas preveem permissões presidenciais para empresas de países que cooperem para desencorajar o Irã a obter arma nuclear.

O Irã, embora um grande exportador de petróleo, importa milhares de litros de gasolina por dia para compensar a sua fraca capacidade de refino, limitada por anos de isolamento internacional.

As sanções americanas impõem penalidades a entidades estrangeiras que vendam petróleo refinado para o Irã ou ajudem o país com sua capacidade de refino nacional, um foco que busca causar tribulações financeiras sobre o Corpo da Guarda da Revolução Islâmica, o grupo linha-dura que supervisiona o programa nuclear e de mísseis do país, além de controlar grande parte da sua indústria petrolífera.

O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, expressou oposição à adicionar quaisquer sanções ao país além daquelas impostas pelas Nações Unidas e o Ministério das Relações Exteriores advertiu os Estados Unidos contra a tentativa de punir empresas russas por causa das novas sanções unilaterais.

Na quarta-feira, o ministro da energia da Rússia adotou uma posição mais aberta contra as sanções americanas ao anunciar os planos para uma cooperação mais estreita entre os interesses petrolíferos russos e iranianos.

Mas não ficou imediatamente claro como qualquer ação será tomada.

O comunicado russo sugeriu que um grupo de trabalho será formado para identificar áreas de cooperação mais profunda nos setores do petróleo e petroquímica, propondo um estudo para a criação de uma companhia de petróleo russo-iraniana e um banco binacional para financiar esses projetos.

A declaração do Irã sugeriu que o petróleo será comercializado em bolsas de mercadorias russas.

Por Andrew E. Kramer 

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domingo, 18 de julho de 2010

BRASIL RESPEITADO PELAS NAÇÕES

MOHSEN SHATERZADEH

“A Declaração de Teerã foi o ponto de partida para um desenvolvimento nas relações internacionais e é um ponto culminante em sua história.

[...]O Brasil e a Turquia, com seus votos valiosos contra a resolução da ONU, demonstraram sua determinação sobre os princípios da defesa e da conservação dos direitos humanos, respeito aos direitos legítimos das nações, enfrentando a injustiça e a opressão.

Sendo assim, exaltaram sua dignidade e respeitabilidade com as outras nações. Hoje, o Brasil, mais do em que qualquer outro momento, é respeitado pelas outras nações no mundo e considerado como pioneiro e protagonista dentre os países do Sul no caminho da defesa dos direitos das outras nações independentes e na mudança da ordem mundial injusta e dominadora.

Hoje, o Brasil é o centro das atenções das outras nações injustiçadas, com o seu voto corajoso e valioso tornando-se uma referência na nova ordem mundial. O povo brasileiro deve se orgulhar por esse papel importante do Brasil nessa nova ordem mundial e valorizá-lo.[...]

http://democraciapolitica.blogspot.com/2010/07/brasil-respeitado-pelas-n...

Nota: ao escancarar suas maquinações abominaveis, nações e o satélite Israel, antes respeitaveis, estão  emporcalhadas e desacreditadas. [estudo da cegueira brasileira, de ANTIGAMENTE]

 

Só as viúvas e os lacerditas não enxergaram, ou não quiseram enxergar, com seu pensamento entreguista, pró EUA. Luta tem visão, não só do Brasil, mas do mundo. Nós não podemos desprezar as relações com o Oriente Médio e a África se quisermos, como queremos ser, potencia. Os EUA, somente reagiram contra o Irã para tentar impedir a influencia do Brasil na Região.

 

Por trás podem estar ingerências dos EUA no Paquistão...

Por trás pode estar o incidente Cheonan, foi mesmo a Coreia do Norte que afundou a fragata do sul?? A Rússia fez um laudo paralelo e NUNCA divulgou...

Por trás pode estar as Bases Americanas no Quirguistão...

Por trás pode estar o influência da Turquia no Oriente Médio...

Por trás pode estar a amizade da Rússia com a Síria, inimiga histórica de Israel...

Por trás pode estar o perigo eminente de Guerra no Oriente Médio...

Por trás podem estar os "inocentes" mísseis dos EUA instalados recentemente na Polônia...

Por trás pode estar a Crise Européia e o Dólar de Araque ianque...

Por trás pode estar o Colapso da Violência no México...

Por trás pode estar o Start que foi assinado pelo Kremlin e não foi assinado ainda pelo Congresso Americano, o Pentágono, ou seja, não vai ser assinado...

Por trás podem estar as ilimitadas declarações de Madame Satã, Hillary, a última?? Ocupação russa na Geórgia...

Por trás pode estar a ingerência americana em Cuba, na Venezuela parceiros estratégicos da Rússia...

Por trás pode estar as Novas Bases Americanas da Costa Rica...

As declarações de Lavrov são iguais as de nelsinho, nosso ministrinho, não valem nada. Existem ainda a velha guarda da Rússia, vez ou outra Vladimir Putin solicita gentilmente a Lavrov para falar o que o Dmitri não quer ouvir.

Sergei Kiriyenko (Rosatom power Corporation) é outro, Kiriyenko fala, os subordinados agradecem... Afinal, os produtos de Kyrienko, o mais em conta, custa US$ 4,5 bilhões (ele vendeu 12 para a Índia... Ofereceu para Chávez, para Cristina, para o Evo, lógico, para fins pacíficos, geração de energia. Quem assina o TNP tem direito).

 

Retrocesso geopolítico, em um quadro no qual este bloco, Rússia, China , EUA, EU, Japão  vinham se dividindo e formando novas alianças, principalmente Rússia e China com países emergentes, ao mesmo tempo em que os EUA e a UE perdiam influência sobre estes e poder sobre decisões mundiais, este velho alinhamento mesmo que tênue nos remete a um antigo cenário nos quais suas decisões eram ordens mundiais independentemente da opinião das outras nações. Como escrito por outro comentarista a questão energética é a principal neste ataque a soberania iraniana, o desenrolar deste assunto deixará mais claro se teremos o velho alinhamento e retrocesso em uma nova ordem mundial mais democrática, ou mais alguns anos  de  jugo de poucas nações. A importância de nações como Brasil, Índia, Turquia, África do Sul e os países árabes no cenário mundial não pode ser revertida . o tempo para que esta ordem mundial democrática prevalece é que pode aumentar.

A última e atual posição russa reverte o alinhamento anterior, só falta a China.  

 

Essa Hillary é de estupidez exemplar: ela, que queria um Irã só para ela, abriu espaço para russos e chineses. Hoje, espaços se conquistam com cooperação econômica.

Enquanto Bush era um adolescente irresponsável brincando de dono do mundo, Hillary é a expressão do colonialismo truculento dos séculos XVIII e XIX. Derrotando-a eleitoralmente, Obama livrou o mundo de uma boa bisca. Só falta agora defenestrá-la do Departamento de Estado, para que a madame seja posta no lixo da História, onde deveria estar há muito.

 

Mas na verdade o isolamento do presidente Lula só ocorreu para a mídia dos USA que quer que o Brasil continue tirando os sapatos para eles, e para nossa midiasinha podre. 

 

Prezado Nassif

O mundo da geopolítica internacional infelizmente só comporta interesses .Por exemplo , há alguns anos atrás , o chefe do comitê Internacional da Câmara Alta do parlamento Russo ,Mikhail Margelov , afirmou (muito corretamente do ponto de vista dos interesses russos!) :" A Rússia sempre vai se opor  [por quaisquer meios-especialmente os militares} à presença de Quaisquer  contigentes militares estrangeiros dentro dos limites da região do Cáspio ....Antes de qualquer coisa ,é uma questão de segurança nacional para a Russia "

Ref -pag239-Jeremy Schaill-"Blacckwater :The rise of the world's most powerful mercenary army-Tradução-Companhia das Letras-

 

Ah, negócio$$$ negócio$$$...

 

Os russos já se tinham manifestado contra a aplicação de sanções unilaterais ao Irã mesmo antes de votarem a favor das sanções multilaterais no Conselho de Segurança.

A ninguém interessa - nem mesmo aos EUA, que esperam obter no Irã a mesma "exclusividade" comercial que obtiveram no Iraque, pelos mesmos métodos - deixar de fazer negócios com um país que tem um PIB de novecentos bilhões de dólares, uma das maiores reservas de petróleo do mundo, um PIB per cápita quase 25% maior que o brasileiro, uma classe média ampla e forte e a mão-de-obra mais qualificada do Oriente Médio depois da Turquia e de Israel.

O que interessa, tanto à Rússia quanto aos EUA e às demais potências nucleares, é usar o Irã como balão de ensaio na tentativa de excluir do Tratado de Não Proliferação Nuclear o direito ao domínio da tecnologia nuclear para fins pacíficos.

 

Essa notícia abaixo talvez ajude a explicar porque a Rússia ficou tão boazinha, 'de repente', com o Irã:

 

SANÇÕES AO IRÃ

Teerã ameaça retaliar quebras de contrato

DA FRANCE PRESSE - O ministro do Petróleo do Irã, Masud Mirkazemi, declarou que Teerã adotará retaliações contra empresas estrangeiras que, devido às sanções internacionais impostas ao país, revogarem contratos. Tais empresas entrariam em uma "lista negra". O ministro citou a companhia russa Lukoil, que abandonou exploração de campo petrolífero no oeste do país. Essas sanções são a resposta internacional às suspeitas sobre o programa nuclear iraniano.

Link:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft1807201005.htm

[

 

Marcos Doniseti

Parece que somente AGORA a Russia e a China acordaram. Os EUA não querem a paz mas o domínio da região fronteriça que o Irã possui, juntamente com os governos fantoches e ditatoriais  que mantem na região, mais o petróleo, é claro. Os americanos estão montando um cinturão de armas atomicas e convencionais ao redor da China e Russia, e tambem fomentando os rebeldes em seus territórios, com o apoio da OTAN. Armam a Coreia do Sul e a preparam contra a Coreia do Norte, por um suposto ataque a navio sul-coreano, até hoje não bem explicado. Fomentam rebeliam no Tibet. Na Georgia. Os EUA são o ÚNICO pais do mundo que não teve escrúpulos em jogar armas nucleares sobre populações civis, em "nome da paz". Usam e abusam de seu poder de veto e de atacar e invadir a quem entender. Impor ditaduras. É o pais que mais gasta com armas no mundo, sendo seu orçamento militar maior do que todos os outros paises somados. Acordem Russia e China, sobrará para voces...

 

Rubem !

"O simplismo dos analistas"?.  Não é isso,  TODOS sabemos. Afinal eles são(bem)  PAGOS para dar essas opiniões.

Mas o importante é que esses países(Russia e China) parece que resolveram tomar uma atitude de acordo com suas tradições e sua importância na conjuntura social, política eeconômica mundial.

Está na hora de acabar com essa atitude de seguir "ordens" de um grupo de poderosos que querem garantir a continuidade de seus altos lucros, sem se importar com quantos milhões de  crianças, mulheres e pessoas indefesas  vão morrer.

É hora do BRIC , junto com muitas outras nações, mostrarem sua força e uma atitude mais humanitária e menos mercenária qua a do império americano-sionista.

 

Não penso que Rússia e China sejam, de fato, favoráveis a sanções reais e efetivas contra o Irã Afinal eles fazem negócios de bilhões de dólares anuais com os iranianos e não somente teriam prejuízos com as mesmas. 

O que eles não queriam, mesmo, era deixar o Brasil e a Turquia ganhar influência na região, onde os interesses russos e chineses são imensos e, principalmente no caso da Rússia, vem de séculos anteriores, desde o regime czarista.

 

Marcos Doniseti

o dragão chinês e o urso russo cantam juntos Katyusha na versão chinesa.

 

Ivanisa Teitelroit Martins

Caro Marcos, e esta resposta talvez também interesse ao colega iRANI, eu não sou especialista no assunto, apenas um diletante apaixonado por este mundo e pelo papel nele do nosso país. 

Entretanto, e espero que alguns dos mais qualificados me auxiliem na permanente construção deste conhecimento, penso que nem a Russia e nem a China tem na realidade qualquer maior, ou até mesmo menor, preocupação com o programa nuclear iraniano. A Russia constrói usinas nucleares lá!

Ver, como os tantos analistas que apontei, o tímido e recalcitrante apoio russo e chinês - após ambos os países saudarem enfaticamente o acordo BIT - às sanções como uma tentativa de podar a emergência político/diplomática do Brasil - um dos BRICS! -, é um erro proposital. E tão enganoso quanto ver nisso "medo" de um Irã nuclear. Pois exige simplesmente "esquecer" que o acordo do CS da ONU, que impôs as sanções, demandou meses de negociação, e estava firmado antes da intromissão turco-brasileira.

Hillary Clinton, por inúmeros motivos políticos, dos quais o menor não é o crucial apoio financeiro da AIPAC  aos políticos que disputarão as importantes eleições legislativas vindouras, e Obama, pela crescente oposição conservadora interna, tinham mais que o interesse - a necessidade - de mostrar força e liderança global. A negativa do lóbi judaico em financiar qualquer candidatura que não seja abertamente pró Israel - significando também, mas não somente, anti-Irã -, não é segredo, e é discutida abertamente em sites como o HuffPost.

Nesse contexto, que é sempre reduzido e limitado, um tanto ingenuamente pelos leitores, e espertamente pelos editores da grande imprensa,  ao "perigo nuclear" do Irã, ou à tentativa de minar o empoderamento de países como Brasil e Turquia - potências  além de regionais; crescentes e já em pé - , é que se deve analisar a importância para o Brasil, ou qualquer outro país, em fazer parte do Conselho de Segurança como membro permanente.

O que os meses de negociação entre EUA, Inglaterra e França, de um lado, e China e Russia, de outro, no CS, contemplaram, foi os interesses nacionais particulares de cada um dos países. É um jogo de toma-lá-dá-cá, entre adultos vacinados - e só é, só pode, ser jogado, por quem foi admitido no clube. Tem muito de teatro diplomático - nós, o público, vemos apenas o que é do desejo, e interesse, deles ser mostrado. Daí as aparentes contradições, entre o que é dito oficialmente nas declarações, e as ações subsequentes. Aquelas tratam dos interesses de uns, estas dos interesses dos outros - tudo conforme o combinado nos meses de duro jogo diplomático.

É por isso que não só o Brasil, mas também a Índia, o Japão, a Alemanha, entre outros países com estatura e importância para integrar a mesa, o desejam fazer. E são ainda, e o serão até que não seja mais possível, impedidos.

O poder tem aversão à divisão.

 

Pois é, Nassif, sabe-se lá o que Washington prometeu a russos e chineses e ainda não se fez cumprir; portanto, as necessidades comerciais entre Rússia e a República Persa falaram mais alto.