O rei está nu e ele é horripilante!

    Em 1989, Caetano Veloso usou o cenário da peça O Rei da Vela de Hélio Eichbauer

    Ainda que me provoque náuseas, fiz absoluta questão de assistir, ao vivo, ao discurso de Bolsonaro abrindo a Assembleia Geral da ONU, mesmo que soubesse de antemão que cada palavra pronunciada por aquela boca nojenta seria proveniente de uma verdadeira “descarga” daquele cérebro composto de uma massa não encefálica, e sim de uma massa menos nobre que ele tem verdadeira obsessão de mencionar a todo tempo.

    Não deu outra. O energúmeno vomitou publicamente para o mundo todo, parafraseando outro da sua laia, o ex-deputado federal Roberto Jefferson, “seus instintos mais primitivos”, que traduzem toda sua concepção de ultradireita e seu fascismo fervoroso.

    Assistindo àquele festival de atentados contra a civilização e às noções básicas da política, foi que me lembrei dos versos de Caetano Veloso na música “O Estrangeiro”, do disco “Estrangeiro”, de 1989, no qual, fazendo alusão à peça “O Rei da Vela”, escrita em 1933 pelo modernista Oswald de Andrade, encenada originalmente em 1967 por José Celso Martinez.

    Eis os versos do poeta da MPB:

    “É um desmascaro

    Singelo grito

    O rei está nu

    Mas eu desperto porque tudo cala frente

    ao fato de que o rei é mais bonito nu”

    Peço a devida licença poética a Caetano Veloso para trocar apenas duas palavras do verso original para traduzir a figura bizarra de Jair Bolsonaro diante das delegações de governantes de todo o mundo:

    “O rei está nu… e é HORRIPILANTE”