A perigosa opção pelas “escolas militarizadas”

    “Por
    má fé de uns e desinformação de outros, andam confundindo as
    “escolas militares” ou “escolas militarizadas”,
    que proliferam neste país enregue aos loucos, com os colégios
    militares mantidos pelas forças armadas federais em uma linha
    histórica inciada no Século XIX pelo Imperial Colégio Militar do Rio de
    Janeiro.
    São coisas diferentes.
    Os colégios militares são
    instituições diferenciadas que contam com quadros de professores
    habilitados, instalações adequadas, planos didáticos consistentes
    e, até onde sei — espero, ainda — abertos à ciência e à
    cultura.
    Seus equivalentes seriam o Colégio Pedro II, do Rio de
    Janeiro, ou os institutos federais, que viveram recente ciclo de
    expansão.
    Da minha geração no Colégio Militar do Rio, turma
    de 1953, vieram oficiais superiores mas também pessoas de destaque
    no mundo civil. Meu número no Colégio era 1426. O 906 era o George
    Francisco Tavares, já falecido, professor de Direito e advogado de
    presos políticos a que se deve a vida de alguns e a liberdade de
    outros.
    As “escolas militares” são escolas municipais
    comuns, eventualmente problemáticas, submetidas a comando das
    polícias estaduais. Nelas, por decisão disso aí de Brasília, PMs
    poderão fazer “bicos” como professores.
    O
    projeto é, obviamente, formar milicianos, talvez alcaguetes, jovens
    treinados para delatar coletas, amigos. Não acontecerá em toda
    parte, porque nem todo efetivo das polícias militares joga nesse
    time, mas o que se pretende é calar nos jovens da base social
    brasileira, desde pequenos, o livre arbítrio, a autonomia cultural e
    o juízo crítico; minar relações de confiança e solidariedade.
    A
    disciplina nas escolas — qualquer forma que tenha — deve ajudar os
    cidadãos a se construir, não pretender a cessação do diálogo
    didático e a destruição da cidadania.