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A etimologia da palavra trabalho para explicar comportamentos

Por RDmaestri

Nas línguas latinas a palavra trabalho (trabajo - es, travail - fr, lavoro - it) tem uma origem etimológica certa que vem de duas correntes, em português, espanhol e francês ela tem sua origem no vocábulo latino "TRIPALIU" que era, nada mais, nada menos que um instrumento de tortura formado por três paus que serviam para estripar os torturados. No italiano, que por mais incrível que pareça é o que mais foge da origem das outras, lavoro é associado a Fadica, ou seja, cansaço.

No alemão, a palavra Arbeit, vem diretamente das palavras servidão ou escravidão.

Por outro lado do inglês se tem três palavras para definir a mesma coisa, Work, Job e Labor, sendo que há inclusive para a palavra Work diferentes origens e diferentes significados, desde fazer algo, ou ação do inglês arcaico, ou simplesmente fazer algo do alemão arcaico. Já Job, bem mais recente seria uma parte de um trabalho, algo como um serviço de um temporário, a terceira palavra, Labor, tem origem no latim, laborem, que carrega um sentido mais pesado de esforço, dor e fadiga.

Como podemos ver os povos latinos acham o trabalho uma verdadeira tortura e associam como uma forma de os aristocratas obrigarem os escravos a trabalharem. Para os germânicos, o trabalho é quase uma servidão, algo obrigatório ao escravo ou servo.

Para todos os povos, excetuando os de língua inglesa, trabalho é algo obrigatório feito por obrigação (alemães) ou mesmo através de tortura (portugueses, espanhóis ou franceses). Os ingleses este trabalho pode ser algo como uma ocupação penosa, mas produtiva.

Em resumo, durante séculos o homem ocidental trabalhou simplesmente porque deviam ou necessitavam, ou mesmo porque lhe forçavam. As gerações ultimas gerações procuram se afastar desta triste sanha tentando fazer aquilo que gostam e não aquilo que os mandam fazer.

Esta nova disposição de procurar o trabalho mais lúdico, introduzida pela educação mais moderna, que questiona a imposição na educação, cria um novo espírito na cabeça dos jovens do século XXI que enquanto não encontram algo que lhes apeteça se negam a trabalhar no sentido do passado. Nos séculos anteriores não era dada esta liberdade, aos mais pobres resultava seguir os passos dos antepassados trabalhando na terra ou nas fábricas, e aos mais ricos (não nobres) era dado um cardápio limitado de profissões, sendo que nas mais “tradicionais” a chance de obter um futuro emprego era maior.

Com a chegada das últimas gerações ao mercado de trabalho, muitos destes recém-chegados se viram em profissões que tem uma formação mais interessante e menos extenuante as portas fechadas para elas. Com o estado de proteção social, há em diversos países desenvolvidos uma pequena chance de sobreviver aguardando um posto de trabalho ou mesmo transformando-se num desempregado de longo tempo.

Já nos países de língua inglesa como solução de sobrevivência os Jobs funcionam numa economia aquecida, já numa economia em recessão eles ficam mais escassos causando problemas.

Agora a pergunta que se deve fazer, é quanto é necessário sujeitar pessoas a trabalhos (dentro da antiga concepção) sabendo que uma pequena parte da população pode produzir o essencial para o todo. Teremos que voltar a obrigação de trabalharmos a onde nos obrigam ou teremos condição de procurar aliar a produção com o lúdico?

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