O Leão do Norte, por Rui Daher

     

    Pra amenizar dores, desilusões, patrulhas e arrependimentos por não os termos matado antes de se tornarem o câncer que caminha em metástases sobre o país. Na minha acepção, está longe a salvação. Vivemos em terra revirada e revo

    lta que não cabe na verve de nossos poetas maiores. Nem mesmo nos lusitanos que nos deram essa imensidão para impor qualquer soberania, hoje entregue por imbecis de todas e menores sortes.

    Tenham não esperança que não as de nossas irresistíveis cultura, natureza e aptidão ao amor.

    A nós somente restará odiá-los.

     

    Difícil no Brasil de Cármen Lúcia, Celso de Mello e Edson Fachin ser comedido ao atestar as vergonhosas perseguições que os egrégios sacripantas fazem a Lula. Então, vou de bofeteio, pé no peito, chute no saco, beliscão nas bochechas, torniquete nos dedos, de quem se escafede em leis tortas e oportunistas.

    Como?

    Enquanto vocês teorizam e procuram esperanças num próximo julgamento, na proliferarão de textos e análises, para os quais eles sempre cagarão, eu pesquiso e trago Heraldo do Monte, junto com Lenine, pois meu signo me faz ser Leão do Norte, que de outro lugar, em alma, nunca serei.

    Heraldo fez parte do seminal e histórico Quarteto Novo, que junto ao Trio Maraiá, acompanhou Geraldo Vandré em tantas canções.

    Junto a ele, estavam Hermeto Pascoal, Téo de Barros e Airto Moreira. Todos gênios que fizeram antológicas canções da música brasileira e, mais tarde, em peregrinações pelo planeta.

    Heraldo nasceu em Recife, dez antes do que eu, em 1935. Fique aí firme, gônio, que de mim não faço conta, em finitude sofrida por não ter visto um país mais socialmente digno.

    Pelo que me lembro dos vinis, de que nunca me desfarei, Heraldo do Monte manda virtude na guitarra, cavaquinho, viola e contrabaixo. O bandolim deixou para nosso patrão no GGN.

    Segundo Wikipedia, começou tocando clarineta no colégio. Foi às noturnas do Recife, mudou de instrumentos, e partiu para São Paulo.

    Pouco tempo depois, colaborou para construir Edu Lobo (Ponteio), e as já citadas com Vandré.

    Isso foi entre 1970 e 1972, quando dele e dos demais precisávamos para aliviar nossas dores. Na década de 1980, gravaria “O Violão de Heraldo de Monte” e “Consertão”, com Elomar, Arthur Moreira Lima e Paulo Moura.

    Querem mais? Pesquisem. Precisamos de Cármen, a sinistra grisalha?

    Volto a mim. Espero estar aqui enquanto você, Heraldo, estiver.

    Saravá!

    Inté.

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