Inovação Tecnológica, por Rui Daher

Por Rui Daher

Depois de séculos inativos, os últimos 13 anos fizeram nascer uma inovação tecnológica brasileira capaz de conquistar o planeta. Diante de sua escassez em terras outras, é muito provável que passe a ser o primeiro item de nossa pauta de exportações.

Da mesma forma, ou mesmo mais, afetará o mercado interno. Servirá efeitos políticos, econômicos e sociais. De acumulação de capital à mobilidade vertical entre classes.

Sem dúvida, permitirá ampliar os currículos escolares em todos os níveis, do ensino infantil aos pós-doutorados. Livros nunca antes publicados, Mor(r)os nunca antes subidos.

Curiosos para saber de onde saiu a inovação, qual o instituto que a desenvolveu, que materiais e recursos foram usados, haverá patenteamento?

Não se sabe. É recente. No máximo, engendrado há 12 anos, em um ano amadureceu, tem sido lançado em espaços-pilotos, pesquisas paralelas de aceitação, avaliações de resultados.

O que este escrevinhador conseguiu descobrir com grande dificuldade e, não exagero, em vários momentos com risco de perder a vida, é que por trás do desenvolvimento há um complexo tecnológico de amplitude nunca vista, estruturado como organização complexa horizontalizada.

Não mais a hierarquia das formas militarizadas, em desuso ou mal-uso desde a década de 1980, a nós ensinado por gurus japoneses e norte-americanos. Aos europeus custou um pouquinho mais o aprendizado. Mas chegaram lá. Os chineses não quiseram saber de horizontalizar coisa nenhuma. Verticalizaram até o verme escondido no exato centro da Terra.

E nós na Federação de Corporações, como nos saímos nessa?

Somos um povo mestiço, vocês sabem, e como disse o genial Darcy Ribeiro, “Mestiço é que é bom” – mestiça também, acrescento.

A nosso modo, vimos construindo há três décadas uma mixórdia, nem vertical nem horizontal, inclinada ora pra baixo ora pra cima, que nem bem sabemos se deu certo ou não.

Mas tergiversei e saí da incrível inovação. Ela vem aos poucos se plasmando na sociedade, com relativo êxito em manter este um país poderoso e de poderosos, que isto é o que interessa. Afinal, poderemos ser chamados pra briga a qualquer momento. Os leitores não veem como vive assustada a Coreia do Norte? Com medo por não ter poder e poderosos para enviar aos ringues mundiais.

Ah, lembro-me, neste instante de tantos personagens que poderiam nos representar na luta-livre planetária. Alguns de grossos lábios e vozes graves. Outros e outras que arqueiam sobrancelhas conforme as notícias veiculadas interessem mais ou menos a seus patrões. Os muitos que usam chapéus tipo panamá, estereótipos de Fulgêncios, Rubirosas, Porfírios, Somozas.

Sempre se unem e inovam a roda que, como roda nos faz rodar sobre o mesmo eixo e voltar ao mesmo lugar. O da desigualdade.    

Nos últimos testes realizados, sabe-se, a nova tecnologia obteve surpreendentes resultados: fez placebos os movimentos sociais, cegos os olhos médios que juntam letras e fixam-se em telas, surdos os taxistas que captam noticiários em ondas rasas, desmemoriados os que não tinham acesso a alimentos, educação superior e assistencialismo.

Pensa-se dar o nome de corrupção à inovação tecnológica, até então inédita, pois sob forte contenção dos Poderes Judiciário e Legislativo. Sugiro registrar a marca no INPI, Instituto Nacional de Propriedade Industrial e por que não Intelectual?

Do primeiro, falo de cátedra, em episódio que, até aqui, fere 15 anos de minha vida, onde convivi com toda a sorte de falcatruas, achaques, propostas de propinas, de juízes, desembargadores, promotores, advogados, todos de olhos nos escombros de uma das maiores empresas do país, em que trabalhei sem ser acionista, e falida por ato de “privataria”. Se vocês não sabem de quem, a publicação britânica The Economist sabe

Daí eu insistir que estamos em guerra já perdida. Talvez, desde quando começou. Permitiriam a mobilidade vertical enquanto gerasse demanda e lucro, pois o mercado interno era minguante. Depois, a ascensão social traria demandas (julho 2013) e perguntas, questionamentos, dúvidas. Perigosas, insidiosas: “Por que sempre no nosso”? Consumismo? Sim. “Eles não podem ceder um pouquinho do deles em favor do nosso”?

Não importa se vocês leram ou não Pierre Bourdieu. Para ele a perenidade concentradora já estava garantida por mérito, roubo, heranças econômica, social e cultural. Tanto faz.

Um pouco dos “carinhas” que escrevem na mídia convencional e dos “carões” das 6 famílias que detêm o monopólio da informação, inclusive por corrimento nas redes sociais.

Caretas, engomados por escolas públicas brasileiras e títulos patrocinados em universidades do exterior. Quantos deles, vendo o caminho que tomavam as linhas editoriais das favelas ricas para que escrevem, tiraram o time ou, pelo menos, começaram a escrever de forma mais neutra?

Deixo a contagem por conta dos leitores e sugiro não usarem os pés. Não chegarão a vinte. Não foram mais do que isso os que, de forma independente, foram-se juntar aos poucos decanos ainda vivos, como Freitas e Dines.

Alguns fazem trololó erudito nas redes digitais e quando enviam suas colunas para os jornalões batem no mesmo cachorro que tentam matar desde que um arremedo de justiça social aqui surgiu. Outros evangelizam o preconceito e a incultura, e ainda cobram caro por isso. Estes eu mando à PQP.

Não digo que é guerra? Perdida. 

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