Gol atrasa embarque de médico com coração para transplante

Por Saulo B.

Da Gazeta Online

Equipe médica com coração para transplante perde voo, mesmo com avião no aeroporto

Por causa do trânsito lento, médicos do Incor chegaram ao aeroporto Eurico Salles faltando apenas 10 minutos para aeronave decolar e foram impedidos de embarcar

Leonardo Soares

Vitor Jubini

O cirurgião cardíaco e coordenador da equipe de transplantes do Incor, em São Paulo, Ronaldo Honorato, iniciou na manhã desta sexta-feira (01) uma corrida contra o tempo em Vitória. Com um coração captado no Hospital São Lucas, ele precisava embarcar para São Paulo, onde um paciente aguardava na mesa de cirurgia por um transplante. Mas a equipe médica perdeu o voo e só conseguiu sair de Vitória duas horas após o previsto. Apesar da verdadeira saga, o esforço valeu a pena. Por meio de nota, o Incor informou que o procedimento conseguiu ser executado com sucesso. 

Leia a nota: O Incor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da FMUSP) informa que o órgão captado pela equipe de Transplante Cardíaco Adulto, do Instituto, no estado do Espírito Santo, na manhã desta sexta-feira (1), chegou em São Paulo, por volta das 16h40, e já foi implantado no paciente receptor. Até o momento, a análise preliminar sugere que o desempenho do coração transplantado foi adequado. A partir de agora, o paciente passará pelo período pós-operatório, recebendo os cuidados necessários. 

Susto

O motorista da equipe de transplante, Fernando Froede, 21 anos, explicou que os médicos chegaram no Hospital São Lucas por volta de 10h desta sexta. Após a captação do órgão, eles voltaram ao aeroporto. Mas o trânsito lento fez com que os médicos chegassem apenas 10 minutos antes da decolagem, e foram impedidos de embarcar.

“Disseram que a aeronave já estava com a porta fechada e que não poderia abrir novamente. Mas se tratava de uma situação de urgência. Na vinda também chegamos correndo no aeroporto em São paulo, com a aeronave pronta para partir, mas conseguimos embarcar”, lamenta o Froede.

Somente por volta de 14h, após uma reunião em uma sala reservada do aeroporto de Vitória, a equipe médica conseguiu embarcar em um outro voo, da mesma empresa aérea, com partida para São Paulo às 14h40. No trajeto entre a sala de embarque e a aeronave, espaço em que não é permitido utilizar o celular, o médico Ronaldo Honorato ainda tentava fazer contato com os médicos em São Paulo, sendo alertado por funcionários do aeroporto.

Ronaldo Honorato justificou que a pressa se deu pelo fato de o coração ser o órgão que mais facilmente se deteriora em uma captação para transplante. O tempo máximo de sobrevida é em torno de quatro horas, enquanto outros órgãos, como o rim, podem resistir por até 24h.

“Ele consegue ficar quatro horas fora do corpo e manter a viabilidade do transplante. O fígado e o rim têm um tempo maior de resistência. O figado aguenta ficar até 12h, e o rim, por volta de até 24h. O coração, justamente por causa dessa peculiaridade e do tempo curto, necessita de uma logística brutal”, disse.

O paciente que vai receber o coração estava na fila de prioridade pela gravidade da doença, explica o médico. “O nosso paciente está em prioridade, em iminência de morte. A doença dele é tão grave, que corre risco de vida. Em face a esse risco, é que nós estamos nessa mobilização. O coração chega em São Paulo no tempo limite”, justificou.

Indignação

A funcionária pública Lessandra Daniel Nunes, de 49 anos, estava no aeroporto de Vitória para embarcar a filha, que foi para o Rio de Janeiro, e viu toda a situação. “Eu sou humana. Não tenho nada a ver com a história, mas fiquei sensibilizada. O médico chegou atrasado para o embarque, mas a aeronave ainda estava no solo. Só que ele não conseguiu embarcar”, explica.

Após minutos observando a cena, ela ligou para a reportagem e ficou no local até que fosse encontrada uma solução. “Fiquei triste ao ver o médico com um coração para ser transplantado, e não poder embarcar com a aeronave ainda no chão. Ele estava desesperado, e eu também fiquei. É uma vida que estava sendo levada para alguém”, desabafa.

Gol

A GOL Linhas Aéreas informou, por meio de nota, que o voo G3 1941 – que levaria o coração até São Paulo – decolou pontualmente, às 12h48, do aeroporto de Vitória. A companhia alegou ainda que estava ciente do transporte do órgão e que manteve sua equipe à disposição. Entretanto, a empresa diz não ter recebido informações sobre o atraso na chegada destes clientes. Então “a companhia seguiu com a programação padrão. Ainda assim, no momento em que os médicos procuraram colaboradores no check-in, a Infraero local foi acionada para verificar a possibilidade de retorno da aeronave que operaria o voo, mas não foi possível”.

A companhia lamentou o ocorrido, e informou ainda que “buscou o voo mais próximo, visando um atendimento com antecedência ao período de vida dos órgãos, e reacomodou os médicos no próximo voo com destino ao aeroporto de Guarulhos”. A decolagem aconteceu no horário, às 14h40, com previsão de chegada também no horário, às 15h50.

Veja abaixo o vídeo da entrevista:


 

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