Greve dos policiais e mobilização de reservistas

A greve da PM da Bahia, em conjunto com a possibilidade de uma paralisação nacional, traz a necessidade de se debater melhor a organização da reserva das Forças Armadas. Tropas como essas, a serem utilizadas em caso de conflitos ou emergências graves, seriam necessárias em caso de uma paralisação em escala generalizada. As Forças Armadas devem apresentar uma estrutura plena não só para acolher essas tropas, como também pensar em uma melhor utilização delas, pois muitas não estão plenamente preparadas para a execução de tarefas, como as de garantia da lei e ordem.


Os reservistas, em geral se dividem em duas classes. Os de 1ª categoria são os que serviram em Organizações Militares da Ativa, como recrutados ao serviço militar normal em municípios que possuem organização militar. Em municípios médios e pequenos, há os tiros-de-guerra, para a formação de “atiradores”, numa formação em tempo parcial, embora com trabalhos de campo. Muito desse trabalho é feito por poucos homens, em geral sub-oficiais, como sargentos, em uma estrutura pequena, em que a munição para treinamentos é limitada. Os tiros-de-guerra formam os reservistas de 2ª categoria. Por fim, para a formação de oficiais da reserva, há os CPOR/NPOR, onde os oficiais reservistas passam por um tipo de treinamento em versão reduzida do que acontece nas academias militares.


A mobilização desses soldados poderia ser mais caótica se não houvesse anualmente a apresentação dos reservistas, em dezembro, sendo que os mesmos são obrigados a notificar sobre eventuais mudanças de residência. No entanto, o processo é mais complicado do que se pensa, pois muitos desses reservistas precisam se desembaraçar de suas ocupações para a participação nas eventuais operações, numa situação que pode imobilizar muitas empresas. Outro aspecto, mais importante, é a própria limitação material das Forças Armadas, dada sua restrição orçamentária para acolher essas tropas com alimentação, higiene e hospedagem, além dos gastos com equipamento e transporte.


A convocação dessas tropas teria uma séria limitação de mobilidade, pois além da falta de veículos próprios e do fato que essas tropas são de cidades médias e grandes, embora isso mesmo liberasse boa parte do efetivo das tropas da ativa para as cidades menores. A falta de preparo para as situações usuais da polícia faria com que muitos desses “soldados de emergência” não tivessem a efetividade para prestar o serviço policial, dispostos a cometer atos “tresloucados”.

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Aí que eu fico com a pergunta: não seria mais barato negociar com os policiais?


 

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