Greves dos servidores: Dilma enfrente a mentira de O Globo

A Lei orçamentária de 2012 previa 47% de recursos para pagar os juros da dívida, valor embolsado pelo  sistema financeiro! Mas para O Globo o problema é o servidor público, o governo se apropria desse discurso para negar pedidos
 



O Globo fez um grande estardalhaço em uma chamada de capa ao afirmar que desde Lula, o governo petista mais do que dobrou os gastos com servidores públicos, conforme foi publicado: “a despesa média por servidor do governo cresceu mais de 120% entre 2003 e 2011, contra uma inflação em torno de 52% no mesmo período.”

O jornalão carioca faz uma comparação simples e sem considerar fatores importantes para chegar a estes “números apocalíticos”.
A manchete de capa serve somente aos interesses de quem age para engessar o estado brasileiro e para o governo em momento tenso de negociação com várias categorias em greve.
 
Comparar os índices da inflação do período e o aumento dos gastos com os servidores públicos federais é propositalmente feito para enganar os leitores, prato feito para os negociadores do Planejamento.
Ao ler o panfleto neoliberal, há uma superficial impressão de que todos os servidores públicos federais embolsaram, em média, 120% de reajustes desde 2003.
O que não é fato.
 
O mesmo jornalão, em 2011, em outra matéria feita para desmoralizar os investimentos em serviço público e na máquina do estado deu uma pista daquilo que pode revelar o crescimento dos gastos entre 2003 e 2011:

“Nos oito anos do petista (2003 – 2010), foram 155.334 contratações; na do tucano (1995 – 2002), foram 51.613. O estudo também mostra que, apesar disso, o número de servidores ativos no final de 2010 – 630.542 – é inferior ao recorde histórico, de 1992, com 683.618. Segundo o Ipea, as contratações não compensaram as grandes corridas à aposentadoria. No governo Lula, de 2003 a 2010, o número de servidores civis da ativa cresceu de 534.392 para 630.542 – uma variação de 17,9%.”

 
A política do governo Lula para tornar o estado capaz de dar conta da nova incumbência que se estabeleceu com a indução do desenvolvimento econômico e social do país, com pesados investimentos públicos, principalmente após o PAC, na Saúde e Educação, o governo contratou cerca de 153 mil novos servidores em oito anos.
Ao final de seu mandato o número total de servidores chegava a 630 mil na ativa, ou seja, deste total  cerca de 25% eram novos, contratados ao longo dos dois mandatos de Lula.
 
Logo percebe-se que a conta de O Globo só tem sentido para pressionar o governo a não ceder novos reajustes aos servidores públicos federais ou das estatais em greve.
Por tabela o Planejamento se apropria deste discurso para dizer não as reivindicações em pauta.
 
Com um crescimento necessário do funcionalismo público, fundamental para revigorar a capacidade do estado em atender as demandas da sociedade, chega-se a fácil conclusão de que os 120% de incremento nos gastos com a folha do governo não foi aplicada sobre uma mesma massa de empregados, como se aqueles que já eram ativos em 2003 fossem os mesmos em 2011 e ninguém mais tivesse se aposentado.  Chegaram mais 150 mil novos para participar do esforço da melhoria do serviço público brasileiro.  O que dilui, fortemente, este “ganho” absurdo que O Globo tenta passar a sociedade, de maneira mentirosa. 
Os valores alardeados são apenas discretos.
 
Mas não é só isso o que desmonta o discurso neoliberal da velha imprensa, parte do empresariado e setores conservadores alocados dentro do governo de coalizão…
 

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