O cordel do PNUD

Do PNUD Brasil

Relatório do PNUD terá versão em cordel

O objetivo é divulgar o conteúdo de forma mais leve, desconstraída e acessível; cordelistas também vão poder contar sua própria história 

FELIPE LESSA
para a PrimaPagina

O Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) Brasil 209/2010, a ser divulgado em outubro, terá uma versão em cordel, em contrapartida aos tradicionais estudos, com gráficos e texto longos. O objetivo é levar o conteúdo para os brasileiros de forma mais leve e descontraída, buscando tornar mais acessíveis temas geralmente de difícil compreensão para a maioria das pessoas.

“Deseja-se também que os cordelistas, através das oficinas que organizaremos, contem a sua própria história, se apropriando dos conteúdos e mensagens do relatório”, diz o coordenador do relatório, Flávio Comin. O PNUD está buscando parceiros que possam financiar e distribuir o estudo em cordel no Brasil.

AinoA inovação faz parte de uma estratégia que tem norteado todo o processo de produção do estudo, desde sua concepção: a busca por um modelo mais inclusivo de comunicação e de desenvolvimento.

Para escolher o tema do RDH, por exemplo, o PNUD lançou consultas via internet, celular e outros meios, com o apoio de empresas e outras instituições, e ouviu 500 mil pessoas durante a campanha “Brasil Ponto a Ponto”, na qual foi feita a seguinte pergunta: “O que deve mudar no Brasil para sua vida melhorar de verdade?”. A partir da análise das respostas é que se definiu que o assunto seriam “valores”. Numa segunda etapa, o PNUD encomendou uma pesquisa ao Ibope para averiguar qual eram, na avaliação dos brasileiros, os valores mais importantes.

Mesmo a publicação final, que será divulgada em outubro, deverá ser mais fácil de ler do que os relatórios tradicionais do PNUD, privilegiando a fluência do texto e colocando todos componentes técnicos em rodapés, apêndices e notas técnicas.

Outro mote do estudo é o engajamento da população no desenvolvimento de políticas públicas, que, segundo Comim, devem ser formuladas com a população e não somente para a população. “O cidadão deve opinar sobre o que considera importante ou não para a sociedade. Seus julgamentos de valor são fundamentais como norte político”, afirma.

O primeiro desafio para aumentar a participação popular é as pessoas se darem conta de como suas ações são importantes — um exemplo: a educação não depende apenas de iniciativas governamentais, mas também do nível de participação dos pais, que afeta diretamente o desempenho escolar dos filhos. Depois disso, ainda é preciso motivação, já que é comum o pensamento de que “não é possível mudar nada” nas políticas públicas. Por fim, grande obstáculo é fazer com que as pessoas, frequentemente desmotivadas por dificuldades, retomem as rédeas de suas vidas, sendo senhores ou senhoras do seu próprio destino. 

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