O urbanismo cabeça-de-planilha

Por chico rasia

Pior do que a obra feita pela metade são as explicações dos urbanistas cabeça-de-planilha da Prefeitura.Em tempo: a lei 6766, sobre parcelamento do solo urbano, deixa como opcional a pavimentação das ruas nos loteamentos destinado à habitação de interesse social. Se não há recursos para pavimentar a rua inteira seria melhor aplicar esse dinheiro em outras melhorias – parque infantil, paisagismo…

Da Gazeta do Povo

Curitiba tem rua com asfalto pela metade

Publicado em 19/05/2011 | OSNY TAVARES

Quando as máquinas começaram a preparar a Rua Paulo Macarini para receber asfalto, no ano passado, os moradores do residencial Canadá suspiraram aliviados. Afinal, os 45 habitantes do condomínio localizado no bairro Santa Cândida veriam extintos os problemas com poeira e barro que os incomodavam havia três anos, quando as unidades começaram a ser entregues. A frustração veio semanas depois, ao perceberem que a cobertura asfáltica havia sido colocada apenas do lado oposto da pista.

O asfaltamento de metade da rua foi feito pela Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab), como parte das obras das Moradias Faxinal. No terreno oposto ao do residencial Canadá, a partir de 2009 foram construídas 415 residências para receber moradores irregulares das margens do Rio Atuba. “O que a Cohab faz é disponibilizar moradias para inserir as pessoas na sociedade. Mas aqui ela acabou criando uma divisão em relação a nós”, avalia o músico Kennedy Teixeira, morador do residencial Canadá.

Originalmente, a Rua Paulo Macarini fazia parte do terreno em que está o condomínio, no lado sem asfalto. Em 2005, no início do empreendimento, a construtora responsável pela obra cedeu a faixa de terra para a abertura de uma rua de acesso, cumprindo regulamentação municipal. A via passou a ser pública.

Segundo os moradores, a prefeitura de Curitiba ofereceu uma parceria para asfaltar a outra mão da rua. O condomínio desembolsaria R$ 25 mil para a compra do material, e o município custearia a mão de obra. “Estamos recebendo tratamento diferente. Acho que, pela aparência externa do condomínio, a prefeitura pensa que a gente tem dinheiro. Mas aqui ninguém é rico”, reclama o técnico em telecomunicações Airton Pedro Bodnar, um dos moradores. O residencial tem casas geminadas de 45m², em média.

Por causa da divisão, os dois lados da pista ficaram desnivelados. Além de os automóveis não poderem mudar de pista para fazer um retorno, serviços como táxi e entregas costumam entrar apenas pelo lado asfaltado, obrigando os moradores a ficar no portão para orientar o mororista. “A gente pede pizza e tem que ir na rua esperar”, ironiza Bodnar. O síndico do condomínio, Lizandro Chres­­tani, reclama também da falta de esgoto. “Tivemos até uma notificação da Secretaria de Meio Ambiente por causa da fossa que usamos. O problema é que o esgoto não passa aqui”, diz.

Outro lado

Em nota, a Cohab explicou que o asfaltamento foi realizado apenas no lado par da rua, em frente ao seu empreendimento, por limitações de orçamento. “O recurso para execução da obra, originário de financiamento do programa Pró-Moradia, do governo federal, tem um teto de R$ 28 mil por família – um valor que deve abranger todos os custos de infraestrutura e construção”, diz o texto. “A inclusão do pavimento da outra pista no financiamento significaria um ônus para as famílias atendidas no Moradias Faxinal. Elas teriam que, no futuro, pagar, embutido no valor de seus imóveis, o custo do asfalto da outra pista.”

A prefeitura de Curitiba informou que pretende pavimentar o lado ímpar da rua até o final do ano, sem contrapartida dos moradores. A resposta, enviada ontem, foi diferente da informada no dia anterior à Gazeta do Povo. Na terça-feira, a regional do Boa Vista declarou que não havia planos para asfaltar a rua. Em relação ao es­­go­­­tamento da região, a Sanepar afirmou que a obra depende do término das obras do projeto de saneamento da bacia do Rio Atuba, com previsão para encerrar entre 2013 e 2015.

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