Os potenciais problemas dos índios que não vivem na Amazônia

Comentário ao post “Gleisi é responsável por crise indígena, afirma carta aberta

O Brasil tem uma das comunidades científicas de Antropologia mais respeitadas do mundo. Não faltam craques por aqui. Infelizmente, essa comunidade não tem sido muito eficaz na massificação do que produz.

A assunto do enorme território dedicado aos índios é assim: 13% do território nacional é, hoje, de terras indígenas. Só que esse dado diz muito pouco. Desses 13%, 98% estão na Amazônia Legal, que é a porção brasileira da Amazônia. Convenhamos, não é um território muito indicado para colocar massivamente o resto da população brasileira. Por isso é intelectualmente desonesta a choradeira de alguns por essa alocação de terras, em tudo perfeitamente harmônica com o previsto explicitamente em nossa Constituição (Art. 231).

Há, porém, o problema dos índios que estão fora da Amazônia. Boa parte dos índios do MS, por exemplo, não têm terras suficientes para implementar seu modo de vida. Grande parte dessas terras foi invadida ao longo do século XX, de diversas formas. Há etnias no MS com uma taxa de suicídios altíssima, indicando uma situação humanitária bastante intolerável. Por uma série de motivos ligados aos conflitos entre os ocupantes das terras e os índios, as demarcações de terras no MS estão emperradas.

A situação dos índios fora da Amazônia é um enorme foco potencial de sérios problemas de direitos humanos. Embora caiba à Justiça arbitrar os inevitáveis conflitos entre índios e ocupantes de terras indígenas, a morosidade da Justiça (que afeta mais aos índios, prejudicados pelo statu quo) e a magnitude do problema exigiria uma política consciente e ativa do governo. Infelizmente, acredito que Gleisi esteja tentando varrer tudo isso para baixo do tapete ao responsabilizar a Funai por todos os problemas, e isso para se cacifar com os produtores rurais de seu próprio estado, onde tem aspirações eleitorais. A se ver.

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