Papa Francisco aceitará receber Lula para uma audiência no Vaticano

O Papa Francisco terá "todo o prazer" em receber o ex-presidente Lula no Vaticano, informou o presidente argentino, Alberto Fernández. Mas, ao aproximar o Papa de Lula, o presidente argentino afasta-se automaticamente de Jair Bolsonaro.

O presidente argentino Alberto Fernández (e) reunido com o papa Francisco no Vaticano. REUTERS/Remo Casilli/Pool

da RFI

Papa Francisco aceitará receber Lula para uma audiência no Vaticano

“O Lula me pediu para ver o Papa. E eu pedi (ao Papa) se ele podia receber o Lula. E ele (o Papa) me disse que ‘claro’ e que (o Lula) lhe escrevesse porque ele (o Papa), com todo prazer, o receberá”, revelou o presidente argentino depois de reunir-se nesta sexta-feira com o Papa no Vaticano.

Fernández também indicou aos jornalistas que o assunto sobre uma visita de Lula ao Vaticano surgiu quando os dois, Alberto Fernández e Papa Francisco, tocaram no assunto sobre “Lawfare”, termo usado para definir uma guerra judiciária para intervir na política e para destruir adversários.

A intervenção de Alberto Fernández para que o Papa receba Lula também revela um desejo do ex-presidente brasileiro, libertado em novembro passado, depois de 19 meses preso.

Fernández, uma ponte da causa Lula com o Papa

Em agosto de 2018, quando Lula completava quatro meses de prisão, Alberto Fernández já tinha pedido que o Papa o recebesse acompanhado pelo ex-chanceler de Lula, Celso Amorim, e pelo ex-senador chileno, Carlos Ominami.

O objetivo daquela reunião, realizada na residência do pontífice, a Casa Santa Marta, era tornar ainda mais visível a luta pela liberdade de Lula. Na ocasião, o Papa Francisco escreveu uma mensagem a Lula na qual o abençoava.

Leia também:  Bolsonaro: interdição, impeachment e luta política, por Tania Maria de Oliveira

“A Luiz Inácio Lula da Silva com a minha bênção, pedindo-lhe para rezar por mim, Francisco”, dizia a mensagem escrita na folha de rosto de um livro. O Papa recebera um exemplar em italiano do livro “A verdade vencerá”, de Lula.

Naquela ocasião, Alberto Fernández estava longe de qualquer cargo político, mas conhecia o Papa da época em que tinha sido chefe do Gabinete de ministros do governo Kirchner. O então arcebispo de Buenos Aires, Jorge Bergoglio, e Fernández chegaram, inclusive, a ter o mesmo odontologista.

Um Papa que pensa como nós, diz Lula

Em maio do ano passado, o Papa Francisco enviou uma carta a Lula na prisão, pedindo ao ex-presidente que não desanimasse nem deixasse de confiar em Deus. “O bem vencerá o mal, a verdade vencerá a mentira e a Salvação vencerá a condenação”, afirmava o Papa, lembrando a morte e a ressurreição de Jesus Cristo.

A carta do Papa era uma resposta a outra de Lula na qual o ex-presidente agradecia o apoio “ao povo brasileiro pela justiça e pelos direitos dos mais pobres” e pedia o apoio e a amizade do Papa.

Nesta semana, numa entrevista com o jornal argentino Página 12, Lula fez vários elogios ao Papa. “É um Papa comprometido com o povo pobre, com o combate à fome, ao desemprego à violência, aos crimes contra as mulheres e contra os negros. Ou seja: ele é tudo o que nós queremos de um Papa. É um Papa que pensa como nós”, enfatizou Lula.

Distância automática de Bolsonaro

Leia também:  A invasão do troll, por Arnaldo Cardoso

Ao aproximar o Papa de Lula, Alberto Fernández afasta-se automaticamente do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, inimigo de Lula. A gestão pessoal de Fernández para um encontro entre o Papa e Lula acontece num momento em que a Diplomacia argentina tenta costurar uma reunião entre Fernández e Bolsonaro depois que, durante os últimos meses, os dois trocassem farpas, pondo em risco a relação bilateral, eixo da integração regional.

No último dia 16, o presidente Jair Bolsonaro disse que a decisão dos Estados Unidos de priorizarem o Brasil -e não mais à Argentina- para entrar na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) tinha relação com a decisão dos argentinos de “elegerem quem os colocou na situação de desgraça na qual se encontravam”, em alusão à volta ao poder do kirchnerismo da vice-presidente, Cristina Kirchner, quem governara o país entre 2007 e 2015.

O clima entre os dois governantes ficou ensombrado depois que Alberto Fernández, durante a campanha eleitoral, visitou Lula na prisão e, durante o discurso de vitória, pediu a sua libertação. Esse discurso levou Bolsonaro a não cumprimentar Fernández pela vitória e a não ir à posse. Na ocasião, Bolsonaro disse que os argentinos “escolheram mal”.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

4 comentários

  1. Alberto Fernandez não trocou farpa alguma com Bolsonaro. Apenas respondeu, em tom moderado, inclusive, as grosserias do nosso primata. Aliás, deixou claro que o Brasil era maior que o seu presidente.

  2. FORA DE PAUTA.
    Não saberia dizer que diabos está acontecendo com Lula e suas escolhas para a Presidência da República.Dilma Rousseff dispensa apresentações,responsável direta pelo “Estado das Coisas”,nem um certo acordo ela se dignou a cumprir.Os desmoriados e preconceituosos daqui por certo já esqueçeram.”O melhor controle para a mídia é o controle remoto”,em plena Globo.
    Fernando Haddad é um quiabo tão duro que nem panela de pressão cozinha.Achou pouco meu?Agora me aparece com Flávio Dino com aquele cara de Capelão aposentado,que não tem votos nem na Sacristia.Sabem da maior?A melhor escolha que ele fez foi Janja.

    1
    1
    • Depois dos desastres do PT PT PT PT, a bonança nos trouxe o temer e as suas reformas para favorecer ….e o BolsoMaro para destruir o Brasil nação.
      Não saberia que diabo está acontecendo com os demervais do Brasil para este tipo de analise.

      • Sabe por que amigão;O Brasil tem Ugo demais,e Dermevais de menos.Nem meu nome você sabe escrever.

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome