Serra na disputa esquenta ‘mercado’ das coligações

Entrada de Serra na disputa esquenta ‘mercado’ das coligações; PT mira PSB


Do Estadão


Sucessão. Candidatura do tucano conta com adesão automática do DEM e do PSD, mas partido aposta também nos apoios do PPS e do PV; como ex-governador tende a nacionalizar eleição, PSB de Eduardo Campos deve se aproximar de Fernando Haddad na capital


FERNANDO GALLO, BRUNO BOGHOSSIAN, DANIEL BRAMATTI – O Estado de S.Paulo


A entrada do ex-governador José Serra (PSDB) na campanha pela Prefeitura de São Paulo aumenta a tensão no “mercado” de coligações e cotas de propaganda eleitoral gratuita na televisão ao atrair partidos para a órbita tucana e empurrar o PSB, aliado do governo federal, ao campo petista.


Com Serra no páreo, a chapa tucana, que até o momento dá como certo apenas o apoio do PP de Paulo Maluf, terá também o alinhamento automático do DEM e do PSD do prefeito Gilberto Kassab. Líderes do DEM já indicaram até que, se o ex-governador sair candidato, poderão abrir mão da vaga de vice para facilitar uma composição.


A candidatura do tucano também torna mais plausível a atração do PPS e do PV, que negociam a formação de um “bloquinho” na capital. Juntos, eles somariam ao tempo de TV dos tucanos quase dois minutos por bloco de horário eleitoral, além de duas inserções de 30 segundos.



O PPS mantém a pré-candidatura de Soninha Francine, mas já foi sondado por Serra na quarta-feira, conforme antecipou o Estado. O partido é aliado do PSDB nas esferas federal e estadual, e apoiou a candidatura do tucano à Presidência em 2010. O mais provável é que ceda e se una a uma chapa tucana com Serra.

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O PV, por sua vez, sofre forte influência de Kassab, que sempre apontou essa parceria como primeira opção no cenário eleitoral. “Participamos dos governos municipais do Serra e do Kassab”, disse o presidente do partido, José Luiz Penna. “O mínimo de coerência exige abrir uma conversa com o PSDB.”


Uma das maiores preocupações de Serra para entrar na corrida eleitoral é a formação de uma chapa forte em termos de exposição na televisão. A propaganda seria fundamental para reduzir a taxa de rejeição ao ex-governador, que chega a 33%, segundo a última pesquisa Datafolha.



Em 2008, o então candidato tucano Geraldo Alckmin, com uma chapa fraca, teve 4min27s, contra 6min40s de Marta Suplicy (PT) e 8min44s de Kassab. Não chegou ao segundo turno.


Planos nacionais. O ingresso de Serra na campanha nacionaliza a disputa eleitoral. Na avaliação do PT, a disputa na capital pode se tornar uma espécie de terceiro turno da eleição presidencial de 2010. Isso afasta o PSB da órbita tucana, já que o presidente nacional da legenda, governador Eduardo Campos (PE), tem planos para se aproximar cada vez mais da presidente Dilma Rousseff e do PT, por duas razões: é visto como um possível vice da petista na reeleição de 2014, caso haja percalços na aliança com PMDB, e também projeta um voo solo para 2018.


Por essas razões, embora o PSB seja aliado dos tucanos no governo Alckmin, Eduardo Campos terá dificuldades para apoiar Serra. Além disso, o governador já disse a petistas que caberá à cúpula nacional do PSB definir o rumo do partido em São Paulo.

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A cada dia, o PT conta mais com o PSB, com quem costurava, juntamente com Kassab, um acordo envolvendo a vice da chapa do ex-ministro Fernando Haddad. Até agora, líderes do PT dão como certa apenas a aliança com o PR, que lhe dá pouco mais de um minuto e meio na televisão. O PSB, por sua vez, traria mais um minuto e 19 segundos.


Os petistas mantêm o discurso do esforço na busca por alianças com siglas da base de Dilma, mas têm assistido ao PMDB fincar pé na candidatura do deputado Gabriel Chalita, o PDT na do deputado Paulinho da Força, o PC do B na do vereador Netinho de Paula e o PRB na do ex-deputado Celso Russomanno.


O PTB, que está timidamente na base do governo em Brasília, mas é forte aliado dos tucanos em São Paulo, também ensaia a candidatura própria com Luiz Flávio D’Urso, presidente da seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP).


Das cinco pré-candidaturas dos partidos da base mencionados, duas são dadas por dirigentes petistas como irreversíveis: a de Chalita e a de Russomanno. O PT ainda aposta na desistência de Netinho. Com o PDT, o diálogo é mais áspero. Um membro do partido avalia que, caso a candidatura própria não se concretize, a executiva deve apoiar Serra.

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