Interiorização do Desenvolvimento I

Primeiro Painel – 2º Fórum Brasilianas.org – Interiorização do Desenvolvimento

Estratégias de desenvolvimento do Nordeste ofuscam atraso histórico

Primeiro painel de Interiorização do Desenvolvimento revela que processo de expansão econômica para o interior avança no Nordeste

Por Bruno de Pierro
Do Brasilianas.org 

As experiências de desenvolvimento regional conduziram as discussões do primeiro painel do 02º Fórum de Debates Brasilianas.org sobre Interiorização do Desenvolvimento, realizado ontem (15) em São Paulo. Diante das participações do presidente do Banco do Nordeste, Roberto Smith, e do diretor da Agencio de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Jenner Guimarães do Rêgo, o público presente teve a oportunidade de conhecer melhor as iniciativas de desenvolvimento executadas no Nordeste.

Durante a exposição de elementos históricos do período colonial, que justificariam o atraso da região Nordeste, durante séculos, Roberto Smith destacou o regime das sesmarias, fator de influência na origem da identidade nordestina. Segundo Smith, esse modelo fechou as terras para os canaviais da região, sufocando as possibilidades de propriedades privadas e incentivando a submissão ao trabalho, já que o mercado de escravo passava por uma crise no século XVIII.

Onord”O nordeste é visto como aquilo que não deu certo. O preconceito é alimentado inclusive em nossa literatura, como se fosse uma preguiça. Mas isso tem mudado, com uma política de distribuição de renda”, explicou Smith.

Para Jenner Guimarães, o crescimento tem sido motivado por conta da expansão do crédito, aumento de investimentos, ampliação do parque fabril, elevação do nível de emprego e a adaptação da indústria para o consumo das classes C e D.

No caso de Pernambuco, o estado foi mapeado e divido em 12 regiões, para que se compreendessem as atividades já existentes em cada uma, e quais deveriam ser potencializadas. Após uma série de estudos e debates com a sociedade civil, foram identificadas as principais atividades econômicas.

“Isso gerou um mapa estratégico, com transparência de gestão e interiorização do desenvolvimento”, ressaltou Guimarães. Dessa forma, o estado tem obtido bons resultados por meio do fortalecimento das cadeias de arranjos produtivos. Outra ação importante é fazer com que as grandes empresas não apenas sejam levadas ao interior, mas que lá permaneçam e sobrevivam.

De acordo com Guimarães, entre 2007 e 2010, foram 470 projetos executados em Pernambuco, ou seja, cerca de R$ 6 bilhões de reais e 35.207 novos empregos. No porto de Suape, por exemplo, havia 81 empresas em 2006; no ano seguinte, o número saltou para 57. Outro dado significativo diz respeito ao número de empresas: entre 2006 e 2009, 11.008 empresas foram construídas em Pernambuco. Destas, 57,8% fora da região metropolitana.

Smith explica que a abertura das fronteiras do cerrado tem gerado novas oportunidades (o que chamou de “efeito de transbordamento”) de investimentos no agronegócio. “Nas nossas exportações primarias, há conteúdo tecnológico e recordes de produtividade no algodão e na soja”. Ainda assim, pondera, é necessário investir mais em capacitação profissional, principalmente no turismo. 

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