São Paulo contra a razão e o direito

Repressão contra a “Marcha da Liberdade”

 

São Paulo é o estado mais careta da Nação. Careta no sentido de retrógrado, preconceituoso, persecutório, anti-democrático, autocraticamente autóctone, e esses adjetivos estampados na sua cultura demonstram as diferenças visíveis em comparação aos outros entes da federação. Sobre a “Marcha da Maconha”, por exemplo, reprimida em São Paulo com violência semelhante a praticada na época da ditadura militar, em Pernambuco acontece em ritmo de festa e, há mais de 30 anos tem até bloco carnavalesco, o “Segura a Coisa”, que desfila livremente pelas ruas de Olinda. Essa diferença é cultural – e cultura é educação – porque a Constituição Federal parece ser melhor compreendida nos outros estados. De acordo com comentário de Eugênio Issamu sobre o movimento em Pernambuco feito no blog de Luiz Nassif, “em certo momento, os manifestantes vaiaram a Justiça de São Paulo pela proibição da marcha na capital paulista. Em seguida, eles aplaudiram o Ministério Público de Pernambuco “que conhece as garantias da nossa Constituição”, afirmaram pelo carro de som.Mensagens favoráveis ao debate sobre a legalização e a descriminalização da droga eram proferidas no microfone”.

 

“Pode ter sido novidade para alguns. Mas, a repressão policial a movimentos sociais e manifestações na cidade de São Paulo já é um comportamento comum da PM, dando diversos sinais neste ano. Nas manifestações contra o aumento da tarifa do ônibus, diversos estudantes sofreram com a violência policial que chegou a atingir até mesmo o vereador José Americo do PT. Um estudante foi espancado por mais de 10 policiais enquanto era “detido” e teve sete fraturas no rosto. Em junho do ano passado, também houve forte repressão da polícia contra os movimentos de luta por moradia de São Paulo, como o Movimento dos Sem Teto do Centro (MSTC)”. O relato é de Marta Mattar no <a href=”http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17830″>Carta Maior</a>, <em>”A violência policial, entretanto, não se restringe apenas a repressão da liberdade de expressão dos diversos movimentos, se estende ao cotidiano nas cidades de SP, sobretudo na capital. Na semana passada, a ONG Anistia Internacional divulgou um relatório sobre as condições dos direitos humanos no mundo no qual chamou atenção do Brasil para a violência policial. Segundo o relatório, no ano de 2009, a polícia matou 543 pessoas em supostos “autos de resistência” no estado de SP. A organização ainda enfatizou o fato de que existem poucas ações judiciais de modo que centenas de homicídios não foram devidamente investigados”.</em>

A repressão se dá até contra a livre manifestação de famílias como o caso das Mães de Maio. “<em>No início deste mês</em>”, relata Mattar, “<em>o movimento das Mães de Maio relembrou a repressão policial que atingiu centenas de jovens há cinco anos atrás, durante as represálias aos ataques do PCC. Segundo relatório encomendado pela ONG Conectas, na semana dos atentados, 492 pessoas foram assassinadas e, dessas, muitas sofreram execuções. Acredita-se que policiais, fora ou não de serviço, junto de milícias foram os responsáveis. Mas, cinco anos após o ocorrido, essas mortes permanecem sem resolução de modo que não houve nenhum julgamento e responsabilização do estado por seus possíveis atos”.</em>

<em>Fatti non foste a viver come bruti, ma per seguir virtute e canoscenza.i</em>, disse Dante Alighieri. Traduzo livremente: não fomos feitos para viver embrutecidos, mas para viver com dignidade, bravura e seguindo a nossa consciência. A repressão em São Paulo vêm de homens que buscam, dos seus postos de poder e domínio, o empobrecimento da razão e do direito.

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