Revista GGN

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Luis Nassif

A maior ameaça ao Supremo

Para se expor dessa maneira, só há uma explicação para a atitude do Ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal): tem culpa no cartório.

Gilmar participou de duas armações anteriores com a revista Veja: o “grampo sem áudio” (junto com seu amigo Demóstenes Torres) e o falso grampo no Supremo.

No primeiro caso, pode ter participado sem saber. No segundo foi partícipe direto.

Como se recorda, a revista abriu capa com a informação de que havia sido detectada escuta em uma das salas do Supremo. Serviu para uma enorme matéria sobre a “república do grampo” e para a prorrogação da CPI. Tudo com o objetivo de derrubar a Operação Satiagraha.

Era falso. O relatório da segurança do Supremo – entregue à revista por pessoas ligadas à presidência do órgão – não indicava nada. Leia mais »

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A Agência de Notícias Dadá

De um ateno observador da mídia brasiliense.

Não se pode confundir Época com Veja.

Época caminhava para ser a alternativa legítima da Veja, até que o diretor Hélio Gurovitz cometeu o desatino de seguir os caminhos da rival e mergulhar de cabeça no estilo que se esgotava.

Pressionado pelos “furos” de Veja e pelas possíveis pressões da cúpula, o diretor da sucursal de Época entra em contato com o espião Dadá para obter os escândalos que contentassem Gurovitz. Mas não há indícios de parceria sistemática com o crime – como ocorreu com a Veja.

Ocorre o diálogo relatado pela Carta Capital.  Faltou o último deles, no qual Carlinhos Cachoeira diz ter esquecido de avisar Dadá que ele próprio possuía 30% da construtora Warre – denunciada por Dadá para a Época.

Pelas conversas divulgadas até agora – especialmente esta e a de Carlinhos e Jairo sobre Policarpo – ficam claras algumas características desse imbróglio: Leia mais »

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O dia de ontem na CPMI

O dia de ontem da CPMI valeu pelo depoimento de Wladimir Garcez, presidente da Câmara Municipal de Goiânia pelo PSDB, condenado pela Lei de Improbidade Administrativa e lobista de Carlinhos Cachoeira e da Delta. Cabia a ele os grandes contratos com Goiás. Foi acusado também de ter levado R$ 500 mil ao palácio de governo, em uma caixa de computador.

Garcez participou das negociações com a casa de Marconi Perillo, contou uma história ingênua e se enredou nela, contradizendo a versão inicial de Perillo.

Tornou consensual na CPMI a convocação de Perillo.

No interrogatório do espião mais famoso do país, Dadá, o relator havia se preparado para indagar suas relações com o diretor de Veja Policarpo Jr. Mas o encaminhamento do interrogatório pela presidência abriu margem para o "nada a comentar" de Dadá.

A partir da semana que vem, a CPMI deve esquentar. Na terça feira é certeza que Perillo será convocado. É possível que o mesmo ocorra com o governador do Rio Sérgio Cabral e do Distrito Federal Agnelo Queiroz.

A CPMI também deverá estar de posse de todas as gravações de Policarpo Jr. Leia mais »

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Como era a parceria Veja-Cachoeira

Hoje, que o araponga Jairo se apresentou como repórter, o capítulo "O araponga e o repórter", da série "O caso de Veja", onde mostro em detalhes a associação criminosa entre as duas organizações: a de Cachoeira e a Abril. Lembrando que a série foi escrita em 2008. De lá para cá aprofundaram-se as relações criminosas entre as duas organizações.

O araponga e o repórter


Depois de se aliar ao araponga, jornalista é promovido.   para enviar informações  para comentar

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O liberalismo de araque dos nossos mercadistas

Um dos pontos mais curiosos do mercadismo brasileiro é a enorme falta de consistência ideológica. É o liberalismo de jabuticaba, que só floresce por aqui.

Um liberal, por definição, defende o primado da vontade individual – seja do investidor, do consumidor, da empresa. Ao Estado cabe apenas criar um ambiente propício a esse exercício da liberdade individual. E também atuar sobre as expectativas dos agentes econômicos.

Há uma crítica consistente em relação ao modelo econômico dos últimos anos, privilegiando o consumo e não o investimento. Mas não são prioridades conflitantes. Sem o consumo, não se tem o investimento. Portanto, há que se estimular o consumo e criar as condições necessárias para viabilizar o investimento. Faz-se isso com estímulos fiscais, financeiros e com um câmbio competitivo, melhorando a competitividade em relação aos competidores externos.

A maneira como alguns porta-vozes do mercado reagiram aos estímulos à compra de automóveis é exemplar como falta de consistência ideológica. Leia mais »

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Tico Tico, pela Filarmônica de Berlim

Não se tenha dúvida de que Tico Tico no Fubá é uma das músicas mais célebres do século 20.

Na semana passada, a Filarmônica de Berlim encerrou com ela seu concerto no Teatro Municipal de São Paulo. Aqui, a mesma Filarmônica, dirigida pelo notável argentino Daniel Barenboim.

O arranjo é o mesmo e mostra que, depois da gravação clássica de Paquito de Rivera nos anos 90, Tico Tico incorporou um certo sotaque cubano fantástico.

No segundo vídeo a gravação de Paquito acompanhado pelo violão brasileiro de Romero Lumambo.

E tambem o grande embalo da Orquestra Jovem da Bahia. Mas reparem que o arranjo é quase idêntico ao da Filarmonica de Berlim, inclusive o fato de não se tocar o sincopado da música. Sem bairrismo, mas o embalo da Orquestra Jovem é muito melhor.

Vídeos

Veja o vídeo
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Por enquanto, CPMI sem cheiro de pizza

Nada indica, até agora, que a CPMI terminará em pizza.

Pelo contrário, a partir de sexta-feira parece que baixou a sabedoria nos seus integrantes e deixou-se de jogar para a torcida.

A CPMI exige investigação e, como tal, técnicas de análise. Na primeira fase – da apuração de dados e sua contextualização - não se pode jogar para a plateia. Há que se debruçar sobre os dados – e eles estão chegando -, analisá-los, confrontá-los com os fatos extra-CPMI e levantar o contexto, o relato.

Nesses momentos iniciais, não há muito a mostrar e isso provoca dois tipos de pressão. De um lado, militantes da blogosfera querendo resultados rápidos; de outro, atores oportunistas, recém-chegados ao jogo, loucos para se firmar com o sensacionalismo que o tema suscita e, para tanto, dispostos a embaralhar o jogo.

Se se for atender a essa febre por resultados imediatos, dá-se com a cara na parede. Será possível montar escândalos em cima de meras suspeitas – mesmo que bastante fundadas. Excesso de escândalo vazio agora apenas ajudará a diluir o impacto das denúncias baseadas em dados reais, que existem e chegarão à CPMI. Leia mais »

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Ayres Britto: Constituição proíbe cartelização da mídia

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Carlos Ayres ambiciona a unanimidade, a radicalidade, a plenitude - palavras que, como poeta, gosta de exercitar.

Nas discussões da Lei de Imprensa, é o que o leva a discorrer sobre os dois ângulos básicos – os direitos fundamentais e as responsabilidades inerentes – e permitir ao interlocutor utilizar o que bem lhe aprouver. Parece não se importar muito com o resultado final da explanação: a maneira como seu discurso chega à opinião pública.

Nos últimos meses são recorrentes entrevistas onde trata o direito de imprensa como valor absoluto – superior a todos os demais, inclusive os direitos individuais.

Na entrevista que me deu, explica que sempre expõe os dois ângulos da questão. Mas a “grande mídia” só divulga um deles. Ora, se a palavra do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) chega a todo o poder judiciário através de suas entrevistas na mídia, porque permite que as entrevistas sejam sempre instrumentalizadas? Leia mais »

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Hora da freada de arrumação na CPMI de Cachoeira

A CPMI fez bem em não convocar Policarpo Jr para depor. E a sessão de ontem deveria servir de lição para os próximos passos.

Nos últimos anos a perda de legitimidade da velha mídia – encabeçada pela Veja – se deveu à sua arrogância e absoluto desprezo pelas instituições e pelos preceitos legais. Foi isso que a levou à aliança com o crime organizado, à disseminação da intolerância, aos ataques desmedidos à reputação de quem atravessasse seu caminho. E são esses procedimentos que estão na raiz do profundo processo de descrédito que atinge a revista.

O que de pior poderia acontecer para todos os que querem uma mídia limpa seria a repetição dos mesmos métodos pela CPMI. Só faltava, a esta altura do campeonato, atitudes que possam ser utilizadas para vitimizar a revista ou legitimar seu álibi de que defende o país contra manobras autoritárias da esquerda.

Em que pese o clima passional e de acerto de contas que cerca toda CPMI, não se pode fugir das boas técnicas de investigação nem recorrer a qualquer método que possa ser utilizado para comprometer a credibilidade das investigações. Leia mais »

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Porque Civita reassumiu o cargo de editor de Veja

Só hoje me alertaram para um detalhe significativo na última edição de Veja. Em meio a páginas de puro pânico, há um boxe com um artigo de Roberto Civita, apresentando-se como Editor da Veja.

Por que isso, se tempos atrás ele se afastou de tudo, inclusive da direção editorial, delegando ao sucessor Fábio Barbosa? E no final de uma semana em que houve fortes rumores de pedido de demissão de Barbosa?

Simples de entender:

Ao passar o cargo de diretor editorial a Barbosa, Roberto Civita enredou-o em uma armadilha. Agravando a situação da revista - na CPMI ou na Justiça - o responsável legal passaria a ser o novo presidente.

Aparentemente, Barbosa deu-se conta disso nos últimos dias. Percebendo, ameaçou pedir demissão, o que jogaria a Veja no inferno.

Aparentemente, a solução negociada foi o tal registro de Civita nas páginas da revista, apresentando-se como seu editor.

Tudo tem seu preço. Até então Civita aparecia meramente como presidente do Conselho de Administração da Abril. Com a pequena nota, a CPMI encontrou elementos para futuramente convocá-lo.

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Porque Serra tem que responder por Hussein Aref

É simples entender porque era impossível que o trabalho de Hussein Aref - o responsável pela aprovação das grandes plantas pela Prefeitura de São Paulo - passasse despercebido do prefeito José Serra, que o nomeou, ou de Gilberto Kassab, que o manteve.

Trata-se de cargo estratégico e de ampla visibilidade, já que envolve enormes interesses financeiros

Por volta de 2009, ouvi do advogado de um grande escritório de advocacia - com uma boa área dedicada ao direito imobiliário - que, no período Serra, a aprovação de plantas parecia ter retornado aos áureos tempos de Paulo Maluf. Havia um descontrole completo.

Se fosse ação individual de Aref, o descontrole teria sido facilmente detetado. Como ele atropelava normas públicas, seria facílimo identificar os abusos e denunciá-lo, inclusive para o Prefeito.

Isso não ocorreu porque os desvios eram institucionalizados. É por aí que os grandes arrecadadores de caixinha enriquecem. Podem cometer todos os abusos, pois se trata de prática aceita internamente por seus superiores. Leia mais »

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Marcelo Neto: uma questão de sabujice

Esta é a apresentação de Marcelo Neto para o livro "Memórias de Uma Guerra Suja". Poucas vezes li algo tão subserviente em toda minha vida.

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Ao Procurador Geral da República Roberto Gurgel

Vamos aos fatos: Leia mais »

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O Senado quer as gravações com Policarpo

Dois pontos relevantes da CPMI de Cachoeira, propostos pelo senador Fernando Collor.

O primeiro é a convocação do Procurador Geral Roberto Gurgel e do ex-Delegado Geral da Policia Fernando Luiz Fernando.

Para Collor, é inadmissível que Gurgel se recuse a prestar esclarecimentros. De sua parte, propôs uma convocação. O presidente da CPMI substituiu por um convite, que foi feito pessoalmente a Gurgel. A intenção não seria constranger o Procurador, mas contar com sua ajuda para entender o emaranhado de informações dos inquéritos.

A reação de Gurgel surpreendeu. Logo em seguida convidou para uma conversa dois senadores oposicionistas, Álvaro Dias e Aluizio Nunes, pedindo seu apoio contra a convocação. Dias, que entra em todas, aceitou; Nunes, que é precavido, recolheu-se.

Em seguida, Gurgel sugeriu que poderia dispor de fatos fortuitos, capazes de enredar autoridades. Para Collor, soou como ameaça.

À luz dos últimos fatos, e dos depoimentos dos delegados encarregados dos inquéritos, Collor insiste na obrigação de Gurgel de prestar esclarecimentos. Leia mais »

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Os próximos passos da CPMI

Dependendo do bloco governista, a CPMI de Cachoeira pretende caminhar em três linhas:

1. Governo de Goiás, depois que se formou convicção de que o crime organizado conseguiu o controle do Estado.

2. Convocação da subprocuradora Cláudia Sampaio, esposa do Procurador Geral Roberto Gurgel, para que explique o abandono da Operação Las Vegas.

3. Convocação do jornalista Policarpo Jr. Terá que explicar porque, por mais de dez anos, não apenas escondeu as ligações entre Demóstenes Torres e Cachoeira, como participou do processo de endeusamento do senador. Há convicção de que servia à quadrilha e servia-se dela.

A ideia dos parlamentares é aguardar mais tempo a fim de que a CPMI possa dispor de todas as escutas e materiais levantados. Até agora o que foi divulgado foi apenas a parte do material que serve de base para as Operações Vegas, Monte Carlo e para a representação do Ministério Público Federal. Ou seja, grampos e documentos referentes apenas às pessoas diretamente investigadas - Carlinhos Cachoeirta e outros bicheiros. Então, é um material bastante limitado. Ficaram de fora, por exemplo, todas as conversas com jornalistas. Leia mais »

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