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Ciência

Ainda sobre a hipótese do cozimento, por Felipe A. P. L. Costa

Ainda sobre a hipótese do cozimento

por Felipe A. P. L. Costa

Em 20/7/2013, a Folha de S. Paulo publicou um artigo relativamente extenso, ‘Cozinho, logo existo’, de Suzana Herculano-Houzel. Autora de artigos técnicos importantes, sobretudo na área de neuroanatomia comparada, a renomada cientista brasileira ganhou fama como autora de obras de divulgação científica, sendo, inclusive, colunista daquele jornal.

No referido artigo, Herculano-Houzel procurou situar suas descobertas recentes em um contexto evolutivo mais amplo. Embora o texto tenha me parecido agradável e, em linhas gerais, bastante acessível, penso que a autora deixou escapar alguns equívocos significativos, os quais mereceriam reparo. (Temo que, no livro mais recente da autora, A vantagem humana [Companhia das Letras, 2017], os ajustes não tenham sido feitos e que, portanto, os problemas referidos a seguir ainda estejam todos de pé.)

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Cientistas avançam em tratamento de doença degenerativa

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Jornal GGN - Pesquisadores da Universidade College London encontraram a esperança para a doença degenerativa e fatal de Huntington. Testes realizados em pacientes portadores da doença apresentaram avanços no tratamento para silenciar as células do corpo que, por falhas genéticas passam a destruir células cerebrais.
 
No Reino Unido, onde as pesquisas estão sendo feitas, cerca de 8,5 pessoas hoje tem a doença e outras 25 mil devem desenvolvê-la até a velhice. Uma vez que os primeiros sintomas aparecem, a expectativa de sobrevida é de 10 ou 20 anos depois.
 
Por ser degenerativa, os efeitos da doença afetam a capacidade de movimento, comportamento, memória e capacidade de raciocínio, e é causada por uma falha genética, que corrompe a proteína huntingtina, transformando-a em uma assassina de células do cérebro.
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Sobre infinitudes, por Gustavo Gollo

Sobre infinitudes

por Gustavo Gollo

A imensidão do Universo

Até a idade média, o mundo terminava logo ali, um pouco além das costas marinhas, enquanto as estrelas permaneciam encravadas em uma abóbada celeste no teto do mundo.

A circunavegação ao redor do planeta ampliou bastante esses limites, assim como os telescópios, que revelaram outros planetas como mundos imensos, tais quais o nosso, rodeados por suas próprias luas. Logo se imaginou que as outras estrelas eram como sóis distantes orlados por seus próprios planetas.

Foi só no início do século XX que se supôs que as nebulosas vistas no céu, estrelas esmaecidas e difusas, constituíssem galáxias muito distantes, fato confirmado pela medida do afastamento de umas, das outras.

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A Mãe Natureza é uma bruxa velha malvada, por Felipe Costa

A Mãe Natureza é uma bruxa velha malvada

por Felipe A. P. L. Costa

Há uma série de estereótipos e equívocos em torno do darwinismo, mais ou menos nos mesmos moldes do que se passa com o marxismo. Um desses estereótipos trata o darwinismo como uma ideologia de direita, ao mesmo tempo em que vê os darwinistas como reacionários políticos. Não é bem assim. Existem darwinistas de direita, claro. Nada, porém, muito surpreendente ou excepcional – perfil semelhante (ou ‘pior’) deve ser encontrado em outras áreas da ciência.

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Por que os insetos são atraídos pela luz? Por Gustavo Gollo

 

Por Gustavo Gollo

O jogo da ciência

Todos já viram a enorme profusão de insetos que eventualmente enxameia alguma lâmpada. A observação suscita, de imediato, uma explicação para comportamento tão absurdo de tantas e tão variadas criaturas.

Certa vez, imerso em curiosidade, inventei uma explicação para esse fato e, só depois de ter construído uma, descobri a existência de uma outra, já aceita. Achei a explicação existente maravilhosa, dessas que me fazem delirar, muito mais bela que a minha. Mas, ao tornar a observar o fenômeno sempre surpreendente, percebi que a explicação existente se aplicava apenas a uma parcela ínfima das miríadas de insetos que se comportam dessa maneira aparentemente absurda. Confiramos.

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Albert Einstein e Stephen Hawking: duas visões anticapitalistas, por Carlos Coimbra

Albert Einstein e Stephen Hawking: duas visões anticapitalistas

por Carlos Coimbra

Em maio de 1949, Albert Einstein escreveu um artigo intitulado “Why Socialism?” (“Por que o Socialismo?”), publicação de estreia da revista norte-americana Monthly Review. Ele começa o artigo perguntando: “É aconselhável que alguém que não tenha expertise em economia ou sociologia expresse suas visões sobre o assunto socialismo? Acredito, por inúmeras razões, que sim.”

Einstein – todos sabemos, físico, pai da teoria da relatividade, ganhador do prêmio Nobel de Física de 1921 – também foi profundo estudioso da filosofia (principalmente a filosofia da ciência). Escreveu livros e artigos quais “Física e Realidade”, “A Filosofia de Ernst Mach” e também artigos sobre religião e política. Assim, por mais que não fosse um cientista político, sentia-se relativamente confortável para emitir uma opinião pessoal sobre esse assunto que tanto o fascinava: o socialismo.

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Gafanhotos imaginários, borboletas reais e um falso problema, por Felipe Costa

Gafanhotos imaginários, borboletas reais e um falso problema

por Felipe A. P. L. Costa

Um conceito biológico bastante popular, sobretudo entre zoólogos, sustenta que a espécie pode ser definida como uma comunidade reprodutiva mais ou menos isolada de outras comunidades semelhantes. Espécies seriam assim conjuntos de indivíduos que cruzam ou podem cruzar livremente entre si, gerando uma prole viável, capaz de gerar seus próprios descendentes.

Cruzamentos interespecíficos, sobretudo no caso de animais, não são comuns e, quando ocorrem, os filhotes em geral morrem precocemente ou são estéreis. Haveria assim uma linha divisória, mantida por algum mecanismo de isolamento reprodutivo, segregando as espécies. Esses mecanismos de algum modo impedem o cruzamento entre espécies distintas. Um exemplo relativamente comum são as diferenças no comportamento de corte. Trata-se de um momento particularmente apropriado para segregar espécies que vivem em simpatria, pois é durante a corte que as fêmeas avaliam e escolhem seus parceiros. Nessas horas, uma pinta fora do lugar ou um milímetro a mais ou a menos pode fazer toda a diferença.

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Especulação sobre a possível origem híbrida do homem, por Gustavo Gollo

Especulação sobre a possível origem híbrida do homem

por Gustavo Gollo

Em 2013, Eugene McCarthy, um matemático/biólogo especialista em híbridos levantou uma hipótese interessantíssima sobre a origem do homem: a possibilidade de que uma hibridação ancestral tenha desencadeado a disrupção que acabou por gerar a espécie humana.

O interesse da hipótese se estende por diversos níveis: diretamente, pela própria curiosidade que a questão suscita, e por desdobramentos de outras ordens que ela induz. Acredito, aliás, que considerações marginais, de segunda ordem, que deveriam ser irrelevantes para a avaliação da questão sob o ponto de vista de uma neutralidade objetiva, adquiram dimensões maiores, nesse caso, do que teriam relativamente a temas mais usuais.

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O rosto manso da insanidade, por Felipe A. P. L. Costa

O rosto manso da insanidade

por Felipe A. P. L. Costa

Dependendo da identidade do invasor, conversas a respeito da necessidade de erradicar espécies invasoras facilmente descambam para um bate-boca entre ‘amantes’ e ‘carrascos’ de animais. É uma polarização simplista e, quase sempre, paralisante.

No caso dos gatos domésticos – problema mencionado no artigo ‘O impacto negativo de uma paixão’ –, considere a posição do blogue ‘Vox felina’, do engenheiro mecânico e professor universitário estadunidense Peter J. Wolf, um defensor intransigente dos gatos ferais. Wolf se diz afetivamente envolvido com esses animais, mas garante que a sua luta se dá sobre bases científicas. Ocorre que ele habitualmente rechaça todo e qualquer esforço dos estudiosos no sentido de obter um quadro mais confiável da situação. Os resultados do trabalho de Loss e seus colegas (ver o artigo ‘O impacto negativo de uma paixão’), por exemplo, foram classificados por ele como ‘exagerados’.

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Ciência, por Gustavo Gollo

Ciência

por Gustavo Gollo

Como é natural, cientistas supõem a si mesmos as grandes autoridades sobre sua própria atividade, a ciência. Existe, no entanto, um ramo da filosofia, a epistemologia, que trata do tema “ciência”. Aos olhos desses estudiosos, surpreendentemente, os cientistas, em geral, costumam ter uma compreensão muito vaga sobre o assunto! (A enormidade da presunção em que tal alegação parece incorrer, chega a ser cômica, mas visão dos cientistas sobre “ciência” permanece a mesma desde o século XIX).

De fato, embora os cientistas acreditem ter completa autoridade sobre o tema “ciência”, possuem uma noção muito ingênua sobre o assunto, conclusão a que eles próprios chegam, e bem rapidamente, caso frequentem debates, ou aulas, com epistemólogos, os especialistas na área. Apesar da aparente presunção dos filósofos, todos os que se envolvem nos debates concluem o mesmo, constatando quase imediatamente, a ingenuidade dos cientistas acerca do que seja “ciência”.

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O impacto negativo de uma paixão, por Felipe A. P. L. Costa

O impacto negativo de uma paixão

por Felipe A. P. L. Costa

Li o artigo ‘O maior injustiçado de todos os tempos’, de Janderson Lacerda, como uma peça em homenagem a uma paixão pessoal do autor. Todavia, a despeito do tom bem humorado, o artigo toca em um assunto dos mais espinhosos – a criação de gatos como animais de estimação. A rigor, dado o impacto negativo que os gatos podem ter sobre a fauna nativa de praticamente qualquer região do planeta, eles são vistos hoje como uma espécie invasora das mais terríveis. O problema é antigo, mas ganhou um novo patamar de discussão em anos recentes, como veremos a seguir.

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“Terra Plana” é o novo hit parade dos céticos sem causa, por Carlos Coimbra

“Terra Plana” é o novo hit parade dos céticos sem causa

por Carlos Coimbra

Por volta do ano 200 antes de Cristo, Erastóstenes de Cirene criou astuciosa técnica capaz de medir raio e circunferência terrestre, com precisão incrível. Ele usou o modelo (já comum entre os filósofos) de uma Terra esférica. O resultado é obtido a partir da diferença experimental entre os ângulos de incidência dos raios solares sobre duas cidades egípcias distantes, Alexandria e Siena.

Erastóstenes observou que no solstício de verão, enquanto o Sol incidia diretamente sobre a cidade de Siena, na mesma data e horário ele incidia sobre Alexandria com um ângulo de 7,2oEssa diferença angular seria impossível caso a Terra fosse plana.

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Física quântica, pós-modernismo e pós-verdade, por Carlos Coimbra

​Física quântica, pós-modernismo e pós-verdade

por Carlos Coimbra

A ciência moderna não nasceu a partir de um evento único e mágico, mas com uma série de descobertas superpostas e interligadas. Sem dúvida, no entanto, é impossível entender a construção da ciência moderna sem compreender que a física quântica é um de seus pontos chave.

A maioria dos físicos concorda que o debut da física quântica se dá com o artigo de Max Planck intitulado Zur Theorie des Gesetzes der Energieverteilung im Normalspectrum (“Sobre a Teoria da Distribuição de Energia no Espectro Normal”), publicado em 1900. Aqui, Planck propõe a ideia seminal de que a distribuição de energia emitida por um corpo absorvedor/emissor ideal é quantizada. Isso resolveu um dos maiores problemas da física da época (a catástrofe do ultravioleta), lhe garantindo o prêmio Nobel em 1918.

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A medicina darwiniana, por Felipe A. P. L. Costa

 

A medicina darwiniana

por Felipe A. P. L. Costa

Boa parte da moderna teoria evolutiva [ver aqui] é fruto do trabalho de três autores pouco conhecidos entre nós: os ingleses John Maynard Smith (1920-2004) e William D. [Donald] Hamilton (1936-2000) e o estadunidense George C. [Christopher] Williams (1926-2010). (Curiosamente, autores mais conhecidos do público, como seria o caso de Ernst Mayr [1904-2005] e Stephen Jay Gould [1941-2002], deixaram um legado menos duradouro ou de alcance mais localizado, ou sequer fizeram alguma contribuição original expressiva, como seria o caso de Richard Dawkins [nascido em 1941].)

Autor do clássico Adaptation and natural selection: A critique of some current evolutionary thought (1966), George Williams tinha particular interesse por fenômenos biológicos aparentemente maladaptativos, como a senescência [ver aqui] e a menopausa. Também escreveu sobre o comportamento cooperativo, o altruísmo e a reprodução sexuada.

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Cinco concepções de “ciência”, por Gustavo Gollo

Por Gustavo Gollo

A palavra “ciência” tem sido utilizada na vida comum, e por cientistas, de maneiras bastante equívocas, designando atividades muito diversas que, melhor seria, fossem referidas com nomes analogamente diferenciados. A designação comum sugere a existência de um modo de conhecimento, a ciência, dividida nas diversas áreas, o que considero um equívoco. Penso que as diversas atividades abarcadas pelo mesmo nome “ciência”, constituem, de fato, práticas de tipos muito diferenciados, como mostrarei.

Física​

O que distingue a física de outras ciências é seu imenso poder profético. Essa palavra é certamente herética, causa desconforto, e se encontra em desuso. Sua aplicabilidade ao caso, no entanto é inquestionável. Já no século XVII os trabalhos de Newton permitiam inferir previsões bastante precisas sobre o futuro de sistemas físicos, capacidade ampliada a extremos com os desenvolvimentos obtidos por Laplace, no século seguinte. Assim, há mais de 3 séculos os físicos dominam, com precisão surpreendente, a arte de prever o futuro.

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