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Literatura

Lista de Livros: Derrotista - Joe Sacco

Enviado por Doney

Lista de Livros: Derrotista - Joe Sacco

Editora: Conrad

ISBN: 978-85-7616-428-9

Opinião: bom

Páginas: 224

     “Maria, mãe de Deus, o que está acontecendo? O quê? Eu não consigo me mexer desde novembro, setembro foi horrível também, eu me mexi naquele mês?, sim, uma cagada fenomenal, uma das grandes, massa eu acho, tá tudo voltando, água, um bule, água fervendo pro chá, claro, tudo isso me levou até a cozinha, onde fica o fogão, e o banheiro, quando ainda me masturbava, esquece a cagada, tá, a cagada foi em outubro, não o fogão, quero dizer, onde eu estava em setembro, no banheiro tocando uma na pia, outra na cozinha, também não vai ficar pensando merda, enxaguando copos de chá, tudo a mesma coisa, eu tava fingindo orgasmos, esse tipo de coisa, enganando a si mesmo, é vergonhoso, eu sabia que devia parar, isso foi em setembro ou agosto você sabe que o mês de agosto foi quente, em celsius, suor pingando em poças, ainda pinga, deve ser agosto de novo, ou nunca foi. Apesar de qualquer coisa sou um bebedor de chá, a qualquer hora, embora às sete seja um pouco duvidoso, cair no sono como eu caio, tão cedo no sofá, de onde não saio, só mesmo pelo chá, a menos que eu esteja dormindo, nesse caso posso mijar na cama bonito, eu não sou disso, tenho sono leve, qualquer bombinha e já é bom dia, não um Luftwaffe*, isso foi em 1942, chutando, agora, lá fora, blem!, ouviu?

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Mar. Manhã, por Fernando Pessoa

Sugestão de Gilberto Cruvinel

MAR. MANHÃ

Fernando Pessoa

 

Suavemente grande avança

Cheia de sol a onda do mar;

Pausadamente se balança,

E desce como a descansar.

.

Tão lenta e longa que parece

De uma criança de Titã

O glauco seio que adormece,

Arfando à brisa da manhã.

.

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Ponto de partida: Spectroms, por Gustavo Gollo

Por Gustavo Gollo

No romance inaugural do gênero cyberpunk, William Gibson imaginou a possibilidade de se capturar a alma de uma pessoa em uma memória ROM, inventando um fantasma cibernético, ou spectrom. A idealização, em princípio, seria bastante simples, bastando refazer em um computador, uma máquina universal, todo o conjunto de conexões que compõem uma mente.

O delírio cyberpunk tem ganhado credibilidade com o empurrãozinho de uns bilhões de dinheiros. (Acho bem cômico considerar que tal informação propicie enorme credibilidade à ideia, tornando quase desnecessária qualquer argumentação adicional. Pensa-se: ninguém empregaria bilhões de dinheiros em uma ideia que pudesse estar errada! O raciocínio é equivocado. O cara que aposta 1 bilhão de dinheiros em uma ideia, o faz porque acredita que poderá retirar 2 bilhões da aposta).

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Livro relata a vida da cantora Áurea Martins, por Augusto Diniz

Livro relata a vida da cantora Áurea Martins

por Augusto Diniz

Nesta segunda-feira, dia 18, será lançado o livro “Áurea Martins: A invisibilidade visível” (editora Folha Seca). Com a presença da cantora, o evento acontece no Rio – mais detalhes aqui. O livro foi escrito por Lúcia Neves, pesquisadora na área de educação.

Uma das melhoras cantoras do País, Áurea Martins se manifestou nas redes sociais sobre o lançamento de sua biografia:

“Cada ser humano carrega consigo uma longa história. Por isso, digo sempre: cada ser humano é um livro ambulante. Uns mais interessantes, outros menos, mas todos com histórias para contar. Uma pessoa que como eu, saiu de um subúrbio da Zona Oeste (Campo Grande, no Rio), já tem um curta metragem feito pelo Zeca Ferreira, que narra em 15 minutos e um pouquinho a vida de uma cantora da noite. Não tenho o mínimo preconceito de ser chamada de crooner. Todo cantor que se apresenta como crooner enriquece sua vida musical, que a falta de espaço na mídia nunca deixaria mostrar. Sou grata as noites cariocas, a todos os músicos e cantores, casas noturnas que seja lá como foi, me fizeram ganhar o pão de cada dia”.

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Imagens

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a moça de portinari, por romério rômulo

a moça de portinari

por romério rômulo

 

1.

essa mulher nasceu e foi embora.

se o meu olho não alcança vê-la

o que dizer da sua pele agora?

 

-as águas de brodowski vão bebê-la.

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Lygia Fagundes Telles lembra Clarice Lispector

Enviado por Gilberto Cruvinel

do Suplemento Pernambuco

Memória e ficção, o texto abaixo - Onde estiveste de noite? - é uma lembrança que Lygia Fagundes Telles guarda de Clarice Lispector (1920-1977). Pequenas transgressões em um congresso de literatura. Publicamos o texto em homenagem a Clarice, que faleceu há exatos 40 anos. 

A crônica integra o livro Durante aquele estranho chá, publicado pela Companhia das Letras. 

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Entre nós, por Maíra Vasconcelos

Entre nós, por Maíra Vasconcelos

há uma multidão de vozes e alguns muros, coisa pouca,
a paisagem se desfaz rapidamente, não sabemos o nome de todos,
desconhecemos as necessidades mais pueris,
criamos novos prazeres obsessivos pelo corpo desconhecedores
das almas mais filosóficas estudadas nas universidades
tudo isso há entre nós
ainda múltiplos deuses em algazarra
até mesmo na política estão incorporados, alguns deles, não todos,
o ministro de economia pretende agradar aos fiéis,
o poder emaranha-se nas submissões pasmas com o mundo,
chovem alguns atiradores profissionais mãos e ombros ativos
retiram do convívio camadas de pessoas entulhadas
em outros cantos tudo isso entre nós há
especialistas da desagregação social.

 

**um dos 35 poemas escritos para o concurso de literatura do estado de minas gerais, e com o resultado da derrota, divulgo este no jornal.

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Memorial para o Miniconto, por Sílvio Reis

Memorial para o Miniconto

por Sílvio Reis

Há concordâncias e controvérsias em relação ao Miniconto no Brasil. De fato, a minificção no país é um gênero importado. Grandes escritores, de vários países, adotaram esta linguagem dinâmica. Os mínis refletem estilos literários e os tempos modernos. O desafio é escrever o máximo no mínimo espaço. Ser minimalista. O tamanho de um míni, incluindo o unifrásico, facilita a leitura, a análise e a publicação. As controvérsias se dão principalmente em torno do pioneirismo e da difusão do gênero.

Aqui, a essência da informação é um memorial do Miniconto no Sul de Minas Gerais. Assim, optou-se por um pesquisador que se concentrou nessa região e apresenta um expressivo material documental.

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sou aço, um sal grosso, borborema, por romério rômulo

Obra de Kandinsky

sou aço, um sal grosso, borborema

por romério rômulo

 

quando a noite me embala e eu viro vidro 

quando a noite me embala e eu viro porto

quando a noite me embala e eu oxido

 

sou aço, um sal grosso, borborema

em estado perfeito de paixão.

 

o que importa a mim que a carne trema?

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Crônicas de Z Carota são lançadas em livro

 
Jornal GGN - O caminho percorrido pelo jornalista Z Carota foi o inverso de tantos escritores: primeiro ganhou espaço no mundo cibernético, arrebanhando uma legião de seguidores, para depois ter tudo reunido em um belíssimo livro.  
 
As crônicas estão lá, no Dropz, e não passaram por nenhum jornal, nenhum portal. Foi na unha! No diz-que-me-disse das redes sociais, no catei de um amigo e vou republicar.

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Clarice Lispector, pioneira em reflexão sobre baratas

Enviado por Antonio Francisco

Clarice Lispector:

A escritora Clarice Lispector foi a primeira brasileira (sim, naturalizada) a elaborar e publicar uma profunda reflexão existencial em que a percepção de uma barata a perturba e interfere no cenário de um quarto que ela pretendia inicialmente lavar, com muita pressa.

A esta angustiante criação literária Clarice Lispector a denominou de A Paixão Segundo G. H. Sim, é G, mas depois o que vem é um H.

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Lista de Livros: Um homem por inteiro – Tom Wolfe, por Doney

Por Doney

Lista de Livros: Um homem por inteiro – Tom Wolfe

Editora: Rocco

ISBN: 978-85-3251-002-0

Opinião: bom

Páginas: 664

     “Aqui em Atlanta tem um velho ditado que também diz: “O dinheiro fala e a babaquice se cala”.”

*

      “– Roger – disse ele – você deve saber o que é “dinheiro de campanha”. Às vezes é chamado de “caixinha de campanha”.

     – De forma geral – disse Roger. – Já ouvi a expressão. Por quê?

     – Bom – disse Wes Jordan – você diria que isso significa o quê, de forma geral?

     – Pelo que eu sei, isso se refere ao dinheiro que você tem que gastar na campanha eleitoral e até no dia das eleições para incentivar o pessoal que apóia você nos bairros mais pobres... não sei bem... mandando carros de som para lá, pagando as pessoas que ficam nas esquinas perto das seções eleitorais distribuindo santinhos, e arranjando gente para levar as pessoas de van até as seções, coisas assim. Por quê?

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O país dos canalhas III – Batendo na porta certa, por Sebastiao Nunes

Por Sebastiao Nunes

O país dos canalhas - Capítulo 3 – Batendo na porta certa

Cheguei ao STF às 11 horas da manhã, quando decerto encontraria o ministro Gilmárcio Mendelson polindo as unhas.

– Seu nome? – indagou um porteiro grandão, truculento e bigodudo.

– Philip Marlowe, detetive particular de Los Angeles.

– Que isso, cara, de Los Angeles? – o porteiro parrudo deu uma risada. – E a que devemos a honra de sua visita?

– Quero falar com o ministro Gilmárcio Mendelson.

– Agora ele não pode. Está polindo as unhas. Tente depois do almoço.

– Ele vai me receber, mesmo polindo as unhas. Estou representando Ednardo Cunha e preciso encontrá-lo com urgência.

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Imagens

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Breviário de Afetos, memórias de Ivo Barroso

por Gilberto Cruvinel

Ivo Barroso, nosso maior tradutor de poesia, já entrevistado pelo GGN em abril passado (A tradução integral de Ivo Barroso), lança nesta sexta-feira, dia 1º de dezembro, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon, no Rio, o livro “Breviário de Afetos”, onde reúne pequenos retratos de figuras referenciais de sua geração e momentos representativos de sua vida que iluminam uma trajetória longa e rica de quem contribuiu decisivamente para a história da tradução literária no Brasil. Com exclusividade para o GGN, Ivo disse algumas palavras sobre o seu Breviário:

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como sou branco, deus do céu!, por romério rômulo

como sou branco, deus do céu!

por romério rômulo

 

como sou branco, deus do céu! vampiro

com as amarras do peito pelo mar.

poetas vão dizer do meu suspiro

sereias todo dia vão urrar:

 

nas escadas finais do meu martírio.

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