A polícia brasileira e seus métodos

Enviado por Zé Raineri

Enquanto Miriam França continua presa no Ceará, mais demonstrações do tipo de atuação de nossa brava polícia continuam vindo à tona. 

“Nos levaram para uma sala com três policiais. Separaram eu e minha namorada em duas salas e começaram a fazer perguntas. Parecia que queriam que a gente confirmasse de qualquer maneira que a Mirian tinha matado a Gaia” (Rodrigo Sanz, turista uruguaio).

Sempre bom lembrar que Miriam foi presa com o argumento de que havia “contradições” em seus depoimentos. Nenhuma medida restritiva de direitos, como a obrigação de não viajar, de permanecer à disposição da polícia em Fortaleza. Presa.

Casal de estrangeiros foi interrogado por 8 horas sobre morte de italiana em Jericoacoara

Da Tribuna do Ceará

Por Rosana Romão

O uruguaio Rodrigo Sanz conta que policiais cearenses insistiram para saber se Gaia Molinari e Mirian França, suspeita do assassinato, mantinham relação homossexual

Um casal de estrangeiros que estava no mesmo ônibus que levou Gaia Molinari e Mirian França de Fortaleza a Jericoacoara foi interrogado pela polícia ao retornar à capital cearense. Segundo o uruguaio Rodrigo Sanz, ele e sua namorada foram detidos pela polícia cearense quando seguiam para Fortaleza e tiveram que prestar depoimento por mais de 8 horas até ser liberado, além de serem pressionados a ceder material para exame de DNA.

Conforme contou ao Extra, Rodrigo e sua namorada conheceram Gaia e Mirian no dia 21 de dezembro de 2014 no ônibus que levou os quatro de Fortaleza para Jericoacoara, onde eles desejavam passar as festas de fim de ano. “A minha namorada é francesa, e Gaia a ouviu falando francês. Como ela tinha morado na França, puxou assunto com a gente. Perguntou se falávamos francês e iniciamos uma conversa, que durou cerca de 20 minutos. Chegamos em Jericoacoara e fomos cada um para a sua pousada”, relata.

Dois dias depois, o casal de estrangeiros encontrou Gaia em uma das praias de Jericoacoara e após conversarem combinaram um jantar. O uruguaio afirmou que este foi o último contato que tiveram com a italiana. “Encontramos a Gaia na praia e conversamos mais um pouco. Ela e a minha namorada conversaram por cerca de meia hora e trocaram telefones. Ela (Gaia) disse: ‘Vamos comer algo um dia desses?’. Nós aceitamos. No dia 24, ela nos mandou uma mensagem, perguntando se aceitaríamos jantar às 20h. Só vimos a mensagem depois das 20h e perguntamos se ela não poderia mais tarde. Ela nunca mais respondeu. Pensamos que ela estava ocupada ou até que tinha viajado para outra cidade e seguimos viagem”,explica.

Rodrigo e a namorada seguiram com a programação de viagem até retornarem para Fortaleza, no dia 1º de janeiro de 2014. Aproximadamente 20 minutos após embarcar em um ônibus, o veículo foi parado por policiais que procuravam pela namorada de Rodrigo. “O ônibus estava cercado por policiais. Pediram que ela descesse e eu perguntei o que estavam acontecendo, falei que eu estava com ela. Nos pegaram, pegaram nossas coisas e colocaram em um caminhão. Começaram a perguntar se a gente conhecia as duas e dissemos que conhecemos em um ônibus. Foi aí que nos contaram que ela tinha morrido. Ficamos em choque”, relatou.

9 Comentários

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MBTMelo

- 2015-01-10 13:05:57

Clara violação de direitos.

Não pretendo repisar os corretos argumentos contra as arbitrariedades da polícia, mas apenas lembrar que mesmo quando o trabalho é bem feito, o obsoleto inquérito policial fica preso ao seu percentual habitual de eficiêcia: 5%.

Com apenas 5 em cada 100 inquéritos apontando corretamente os culpados, não se espera outra coisa da polícia que não incompetência e arbitrariedades.

Alex64

- 2015-01-10 10:52:26

A polícia errou com o casal.

A polícia errou com o casal. Os deteve e levou para Jeri e os interrogou longamente sem a presença de um representante consular de cada país, de um tradutor francês/português  e outro espanhol/português. Depois em fortaleza arrumaram uma delegada que fala francês, mas continua muito irregular o procedimento, nenhum agente da lei pode pressupor que portunhol leve a um depoimento correto, ainda mais na ausência de um advogado. Além disso, a liberdade deles foi condicionada a fornecerem amostras para DNA e ao corte das unhas de ambos. Isso é ilegal

Por último: essa matéria é baseada em uma trasncrição incompleta e com bias do depoimento via skype que o uruguaio deu a um blogueiro. Eu recomendo a quem tiver interesse em saber o que ele falou que ouça o áudio original, ali se ouvirá que a polícia insistiu na versão do homossexualismo e drogas e não apenas homosexualismo e que o uruguaio conclui dizendo que saiu livre porque era branco, se tivesse nascido negro não sabe onde estaria agora.

 

Zé Raineri

- 2015-01-09 19:08:53

As suposições a respeito de Mirian França

Será que suposições são o bastante para decretar a prisão de alguém?

"De acordo com a delegada responsável pela investigação, Patrícia Bezerra, o retorno de Mirian para o Rio de Janeiro “inviabilizaria a continuidade das investigações”. A farmacêutica estava com a volta programada para o dia 29 de dezembro, o mesmo dia em que foi presa. A delegada também justificou a prisão com o comportamento da suspeita durante os depoimentos."

fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2015-01/policia-do-ceara-justifica-prisao-temporaria-de-suspeita-na-morte-de-italiana

Ora, se a razão maior da prisão seria o possível retorno de Mirian ao Rio de Janeiro, pergunto mais uma vez: por que não decretar apenas uma medida restritiva, uma proibição de viajar? Ela depôs duas vezes, foi submetida a acareação com outras pessoas, não estava obstando as investigações. Por que presa?

"A polícia pediu a prisão de Mirian ao juiz e ele decretou. Todo mundo agora, sem ter compulsado os autos, já grita que foi ilegal..."

O Ministério Público, responsável por oferecer a denúncia, já teve acesso aos autos e "pra quem não sabe, o Ministério Público já deu parecer favorável ao pedido de revogação da prisão de Mirian".

Talvez, por fim, fique comprovado que Mirian é realmente culpada. Mas o que existe até o momento contra ela é muito subjetivo.

Não é demais lembrar que o que está em jogo aqui é o princípio constitucional da presunção de inocência que tanto Mirian, quanto eu ou a senhora temos direito de ver preservado.

Alberto José

- 2015-01-09 18:01:47

De uma advogada assim eu

De uma advogada assim eu quero distãncia.

Athos

- 2015-01-09 17:55:08

Bom, achei tudo

Bom, achei tudo normal.

Tambem normal que a polivia prenda a.pessoa errada e so a pessoa errada.

fabio pada

- 2015-01-09 17:51:20

 A sorte dessa Miriam França
 A sorte dessa Miriam França é que ela uma doutoranda, tem referencias na UFRJ,  possui uma condição profissional, um histórico que pelo menos aos olhos da sociedade a torna mais  livre de suspeitas. Se fosse apenas uma negra, sem curriculum, seu destino seria semelhante aos programas políciais muito comuns na região onde criminos,  supeitos e vítimas de crimes aparecem alvejados de balas nas sargetas. O título da reportagem seria mais ou menos assim. "Traficante carioca que matou italiana é morta em perseguição policial" 

Moreno

- 2015-01-09 16:46:04

Quando a polícia trabalha

Quando a polícia trabalha bem, a sociedade é a primeira a apoiar. Veja o caso dos Nardoni, dos Richthofen, de muitos trabalhos da PF e de tantos outros conduzidos com competência.  Nesses casos todo apoio deve ser dado as nossas polícias!

Infelizmente no caso em tela, está claro para todo mundo, inclusive para o órgão de percussão penal, como vc nos informa, que a prisão não tem fundamento.  Não se questiona, por evidente, outros procedimentos porventura adotados pela polícia visando encontrar o assassino. Todavia em relação à pesquisadora, a busca açodada por um culpado foi abreviada pela cor da pele de uma das personagens, senão vejamos o que diz o Jornal Corrierri Della Sera, na edição de ontem:  "[...] o risco de colapso das reservas em Jericoacoara, em plena temporada turística, e sob a pressão da opinião pública no Brasil e na Itália , os investigadores procuraram encerrar o caso o mais rápido possível " .

   

Joao Carlos |Couto

- 2015-01-09 16:41:02

A polícia brasileira me lebra

A polícia brasileira me lebra o CChico na música "Chame o ladrão". Fala sério o que dá mais medo a polícia ou o ladrão?  É pau a pau!

Advogada

- 2015-01-09 14:02:18

As suposições a respeito da polícia cearense

Impressionante o movimento na internet para desmoralizar a polícia cearense e colocar a Mirian de mártir.

Não sou policial nem tenho parentes policiais. Mas, se a polícia forçou o casal estrangeiro a fornecer material genético, errou (informação que está em outros sites). No mais, não vi nada de errado na narração do uruguaio a respeito da abordagem policial. Policial é linha de frente, é trabalho pesado. No caso, estão investigando um crime brutal.

A polícia pediu a prisão de Mirian ao juiz e ele decretou. Todo mundo agora, sem ter compulsado os autos, já grita que foi ilegal, que é racismo, que a polícia quis dar resposta rápida. A prisão temporária recai sobre SUSPEITOS. Se a polícia quisesse prender qualquer um, para dar uma resposta rápida, mostrar trabalho, poderia ter prendido o primeiro suspeito apontado pela própria Mirian à polícia. A propósito, será ele negro? Ninguém passou saber. Digo isso porque se é racismo, porque não prender logo o primeiro negro da história?

Cansei de ler notícias na internet dizendo que Mirian estava INCOMUNICÁVEL. A delegada informou que ela ligou para a sua orientadora da UFRJ e para um amigo. Não quis ligar para a mãe. Ninguém aferiu se o que a delegada disse foi verdade ou não, preferiram gritar: INCOMUNICÁVEL.

Defensor público dando entrevista aos gritos e influenciando os incautos. Estes esquecem que defensor é advogado e advogado está ou de um lado ou de outro. Não tem imparcialidade. O defensor está ali para defender os interesses de seu cliente.

Enfim, virou uma presepada regada a ódio, falta de respeito, difamações...

PS: Pra quem não sabe, o Ministério Público já deu parecer favorável ao pedido de revogação da prisão de Mirian e isso contribui para que o Juiz aceite o pedido da Defensoria.

 

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