Caso Klara Castanho e as violências sofridas pela mulher

Atriz denuncia violência sofrida no hospital e falta de consentimento com divulgação do caso por jornalista e influencer bolsonarista

Foto: Jason Leung on Unsplash

A atriz Klara Castanho, de 21 anos, tem sido um dos principais temas de debate nas redes sociais por conta de especulações feitas pela mídia em torno de uma possível gravidez e a entrega do bebê para adoção legal.

O primeiro a falar do caso foi o jornalista Leo Dias, em entrevista no dia 16 de junho, quando afirmou ter passado por um dilema profissional sobre publicar ou não uma reportagem envolvendo uma atriz, sem dar mais detalhes.

Porém, a influencer e comentarista bolsonarista Antonia Fontenelle realizou uma live no YouTube na última sexta-feira (24/06) onde acusou a atriz de abandono de incapaz, segundo o site Notícias da TV.

“Parir uma criança, não querer ver e mandar desovar para o acaso é crime, sim. Só acha bonitinho essa história de adoção quem nunca foi em um abrigo, ademais quando se trata de uma criança negra. O nome disso é abandono de incapaz”, disse a pré-candidata a deputada federal pelo Republicanos no Rio de Janeiro.

Violência hospitalar e da mídia

A repercussão do caso nas redes sociais levou a própria atriz a vir a público neste sábado para contar o que houve: ela foi vítima de estupro durante uma viagem, descobriu a gravidez na reta final da gestação e seguiu todos os trâmites legais necessários para entregar a criança à adoção.

“Sempre mantive a minha vida afetiva privada, assim, expô-la dessa maneira é algo que me apavora e remexe dores profundas e recente. No entanto, não posso silenciar ao ver pessoas conspirando e criando versões sobre uma violência repulsiva e de um trauma que sofri”, desabafou a atriz em post no Instagram, que pode ser visto clicando aqui.

Além disso, a atriz apontou que os profissionais de saúde que a atenderam não tiveram empatia a respeito do caso – foi relevado que a atriz foi atendida no Hospital e Maternidade Brasil, ligado ao grupo d’Or, localizado na cidade paulista de Santo André.

Segundo Klara, o médico que a atendeu a obrigou a escutar o coração do bebê, e uma enfermeira ameaçou que a história poderia vazar para alguns colunistas.

“Minha história se tornar pública não foi um desejo meu, mas espero que, ao menos, tudo o que me aconteceu sirva para que mulheres e meninas não se sintam culpadas ou envergonhadas pelas violências que elas sofrem”, finalizou a atriz.

Após a repercussão negativa do caso, a diretora de redação do portal Metropoles, onde Leo Dias publicou matéria a respeito do assunto, veio a público afirmar que a matéria foi retirada do ar.

2 Comentários

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marene carval

- 2022-06-26 18:19:12

Como uma célula terrorista, o colunista e a influencer, podem ter usado o caso Klara para se vingarem do caso da Criança de SC que veio a tona! Esse pessoal é fascista.

AMBAR

- 2022-06-26 13:30:58

O que será que a sociedade quer? Se a mulher que engravidou por abuso tem que parir. Se ela não quiser o filho é acusada de abandono. Se cria sozinha é vagabunda.Se maltrata o indesejado é monstra. Acho que a mulher deveria repensar sua existência neste mundo.

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